OUTUBRO DAS BRUXAS
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TERCEIRA TEMPORADA
CINE-DOC.
TERROR : Capítulo 7
Nas profundezas
aquáticas existe outro seguimento dos filmes de terror que já renderam (e
rendem) inúmeras atrações no cinema
pipoca. Em vários lugares do planeta sobrevivem, há séculos, lendas de
supostos monstros, elos perdidos, que habitam oceanos, mares, lagos e lagoas.
Eis o tema do sétimo capítulo do especial CINE-DOC.
deste mês.
Alimentamos tantas histórias deste
mundo misterioso das águas, e que, aliás, são parte da natureza, das mais
cobiçadas pelo homem que não possui o mesmo dom dos peixes para explorar com
facilidade as maravilhas e âmbitos ainda inexplorados pela ciência, portanto, nada
mais natural que o cinema recorra a essa fonte de imaginação
fantástica para realizar filmes com criaturas escamosas e das
mais variantes e que parece estar longe de ser inesgotável em produções que a
todo ano são lançadas.
De todos os monstros aquáticos,
obviamente que o meu predileto é o Gillman da UNIVERSAL,
precisamente no clássico de 1954
dirigido por JACK ARNOLD (1916-1992),
conhecido cineasta de aventuras fantásticas como O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU (1957) e
o clássico terror da ficção-científica, o sensacional: VEIO DO ESPAÇO – IT CAME FROM OUTER SPACE (1953), outro modelo
influente de inspiração para o gênero. E também, produzido por WILLIAM ALLAND (1916-1997), o sucesso
de O MONSTRO DA
LAGOA NEGRA (CREATURE FROM THE BLACK LAGOON) foi tão grande,
mesmo gerando críticas negativas do monstro na época, comentários de que ele
era tosco demais, lembrando os antigos vilões bizarros dos seriados japoneses
da televisão, mas que mesmo assim, gerou mais duas continuações formando uma
trilogia rara do estúdio (e bem lucrativa) para filmes de monstros (e já fazia
tempo que a Universal não criava um novo monstro). São eles: A
REVANCHE DO MONSTRO (Revenge of the
creature, 1955) e À CAÇA DO MONSTRO
e ou/ A CRIATURA CAMINHA ENTRE NÓS (The
Creature walks among us, 1956), este último dirigido por JOHN SHERWOOD. Mais detalhes sobre a
produção, leia minha crítica do primeiro filme AQUI.
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| A criatura em seu aquário, NÃO IRÁ FICAR PRESA POR MUITO TEMPO! |
Certamente, o personagem Gillman já
assustou e encantou muita gente gerando uma imensidão de fãs, aliás, foi o
produto licenciado de maior lucro do estúdio entre toda a galeria de monstros. No
entanto, embora a fita de Arnold seja fascinante e influente, diretores como STEVEN SPIELBERG (embora bastante influenciado
pelo filme, inclusive nas tomadas do ponto de vista do bicho que observa a mocinha nadando na superfície), preferiu tratar de criaturas mais próximas da realidade e
obviamente mais assustadoras, como um perigoso tubarão branco que ataca
turistas na praia. O clássico dos blockbusters, alcunha moderna para um novo
seguimento da indústria do cinema, TUBARÃO – JAWS - LEIA AQUI (ao pé da letra, mandíbulas!), de 1975, foi um marco e o início de uma
tendência de filmes de terror e suspense com animais aquáticos que se
proliferariam em Hollywood, inclusive continuações fracas da obra de Peter Benchley (1940-2006), autor do
livro deste mega sucesso.
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Cena antológica com ROY SCHEIDER (1932-2008), que depois vira para o capitão (ROBERT SHAW) e diz: "Vamos precisar de um barco maior!"
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Há filmes mais violentos e
subestimados como a primeira versão de PIRANHA (1978),
de JOE DANTE, acusado de ser um
plágio de Tubarão. Discordo, já que
Dante faz um filme ainda mais sombrio e sanguinolento diferente do colega
Spielberg, uma marca registrada do cinema de terror da década de 1970. A
refilmagem lançada em 2010 no efeito
Terceira Dimensão sob direção de Alexandre
Aja faz jus ao estilo, mesmo que mais mirabolante, caindo no gosto
preferencial do prazer culposo, mas é claro que não posso dizer o mesmo da
continuação: Piranha
3DD (2012), de John Gulager,
mais comédia adulta vulgar que terror barato. Cineasta de prestígio assim como
Spielberg, no caso JAMES CAMERON,
estreou como diretor, inclusive com a continuação do filme de Dante: PIRANHA 2
– ASSASSINAS VOADORAS (Piranha Part Two: The Spawning, 1981),
co-dirigida por Ovidio G. Assonitis.
Um filme que, além de inverossímil (peixes que voam!), já demonstra a grandiloquência de Cameron perante os estúdios, gastando mais do que deveria numa produção de
baixíssimo orçamento. A fita tem ótimas tomadas no fundo do mar, inclusive logo
no início, filmando um navio naufragado real.
Pior é fazer um híbrido de
piranha com anaconda. O resultado? PIRANHACONDA, 2012, de Jim Wynorski, um telefilme estrelado por Michael Madsen. Fala sério!
Adoro, por exemplo, os épicos
clássicos de aventura, como MOBY DICK, sobretudo a
versão de 1956 estrelada por GREGORY
PECK (1916-2003) e dirigida por JOHN
HUSTON (1906-1987). A famosa baleia assassina, ainda o maior monstro da
natureza, criação do nova-iorquino HERMAN
MELVILLE (1819-1891) poeta e novelista, ainda esta no topo como a obra do
subgênero mais adaptada para mídias audiovisuais. Há versões ainda mais
clássicas e emblemáticas como a de 1930 do diretor Lloyd Bacon estrelada por JOHN
BARRYMORE (1882-1942) como o heroico capitão baleeiro Ahab. Esta película é mais um triunfo ousado da Warner Brothers que obtêm os direitos autorais e que na época pagou
inúmeros técnicos e figurantes para maior realismo e também efeitos especiais
de cair o queixo. Em outras palavras, fora um filme pioneiro nesse aspecto.
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| A BICHA GRITA!!!!!!! |
Outro que já se tornou cult e clássico é o ANACONDA (Idem, 1997), de Luis
Llosa, um filme que evidencia o equívoco olhar estrangeiro (gringo) do
Brasil, precisamente da Amazônia que serve de cenário para uma premissa de
terror sem pé nem cabeça, excessivamente cheio de chavões e cujos efeitos se
perderam nas versões domésticas, em VHS e depois DVD. Com um elenco de estrelas
que incluem; JOHN VOIGHT, JENNIFER LOPEZ,
ERIC STOLTZ, DANNY TREJO (em pontinha) e OWEN WILSON, apesar de tudo, confesso, o filme é outra guilty pleasure. Teve as inevitáveis
continuações, mas sem brilho e que nem merecem ser citadas. É só procurar pelo
nome Anaconda no IMDB que aparece uma
interminável lista!
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| Cena de ANACONDA 2 -A CAÇADA PELA ORQUÍDEA SANGRENTA, 2004. De Dwight H. Little. Tudo bem, esta aqui merece ser citada! |
TENTÁCULOS (Deep
Rising, 1998), do mesmo diretor da franquia A MÚMIA, Stephen Sommers,
é outra tentativa apelativa (e divertida) de filmes com monstros pré-históricos
aquáticos, no caso, um polvo gigantesco e faminto que acaba com a tripulação de
um transatlântico chique. Parece cópia do clássico O DESTINO DO POISESON (The
Poisedon Adventure, 1972), de Irwin
Allen e Ronald Neame, que
inclusive teve aquela bobagem de remake pelo diretor Wolfgang Petersen em 2006.
A diferença é que ao invés de tentáculos nojentos, um maremoto vira o navio de
ponta cabeça, literalmente, num cenário similar.
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| Sommers e seus típicos efeitos especiais para dar realismo ao seu monstro dos mares. |
A obra de JULES VERNE (1828-1905), 20 MIL LÉGUAS SUBMARINAS, dos
estúdios DISNEY também merece ser
citada. Apesar de ser uma aventura, o filme de 1954, dirigido por Richard
Fleischer, com Kirk Douglas e James Mason, capta um suspense dos bons
e com doses de filme de terror/sci-fi, desvendando os mistérios subaquáticos. O
requinte desta produção valeu dois Oscar: Efeitos Especiais e Direção de Arte.
As águas ganham cheiro, cor
(vermelha) e muitos movimentos nessas atrações terrificantes e aventureiras do
mundo aquático. Nunca foi seguro entrar nos mares, lagos. E a natureza, apesar de bela, esconde armadilhas fatais.
Cont...















Um comentário:
Olha... dei uma perpassada geral e Outubro das bruxas deu um upgrade sensacional! Já era um especial cinéfilo de marca maior, mas a qualidade da edição 2013, na garimpagem e nas criatividade das pautas, salta aos olhos.
Falando desse post em particular, que li plenamente, só posso redobrar os elogios.
Os monstros aquático realmente merecem a distinção pois desde tubarão reclamam o protagonismo mesmo quando estamos em uma piscina...
A título de curiosidade, meu primeiro contato com "Do fundo do mar" foi mesmo pela Tela de Sucessos do SBT. Ah, nostalgia...
Abs
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