OUTUBRO DAS BRUXAS
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TERCEIRA TEMPORADA
CINE-DOC. TERROR
: Capítulo 3
Continuando com a série especial desta
temporada do mês das bruxas, o folclórico lobisomem jamais poderia estar de
fora. O bando animalesco mais aterrador da sétima arte em filmes dos mais
variados. Há uma lista interminável de fitas que narram a trágica sina do homem
que em noites de lua cheia, devido a inúmeras interpretações da tal maldição,
se transforma numa fera incontrolável espalhando sangue, medo e terror.
A
estréia deste famoso monstro peludo, creio, aconteceu nas telas do cinema
oficialmente no ano de 1935, num filme até moderno em seu tempo, chamado, O LOBISOMEM DE LONDRES (The Werewolf of London), do estúdio
Universal, óbvio. A direção ficou a cargo de STUART WALKER (diretor de Os
Dragões da Noite, 33 e a da primeira versão de Great Expectations, obra de Charles Dickens, 1934) e trazia o ótimo
(e assustador) HENRY HULL (1890-1977)
como o homem azarado que é mordido pela misteriosa criatura e que nas noites
apropriadas se transforma e mata! Assim como Drácula, Frankenstein e a Múmia,
esse personagem foi um sucesso de público. A maquiagem inicial, apesar de
ingênua, ainda é aterradora, mas deixa a desejar em comparação com as próximas
produções que irão caracterizar o carpete ambulante que uiva assustadoramente. Ambientar
o filme em Londres foi uma estratégia do estúdio, um recurso inteligente para
tornar a premissa um tanto mais convincente. Poderia ficar estranho, por
exemplo, situá-lo nos Estados Unidos, onde a lenda do homem lobo não era tão
presente e lembrada como na Europa ou mesmo na América Latina.
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| A clássica transformação do lobisomem em O Lobisomem de Londres com Henry Hull |
O monstro voltaria a ser filmado pela
Universal seis anos depois, só que desta vez com um toque mais medieval, de
época, e com uma extraordinária atmosfera de sonho e com elaborados cenários
que sabem combinar lindamente terror e romance e com uma assustadora trilha
musical. Bom, evidente que estou falando do filme mais popular sobre lobisomem,
o único THE WOLF MAN – O LOBISOMEM
(LEIA AQUI), de 1941, produzido e dirigido por GEORGE WAGGNER (1894-1984) a partir de
um script original do alemão CURT SIODMAK (1902-2000), que depois
deste trabalho se tornou roteirista carimbado de dezenas de filmes de terror do
estúdio e episódios para TV. Estrelado por um elenco de peso: Claude Rains (que já havia estreado com
O Homem Invisível, também da
Universal, de 1933), Ralph Bellamy, Bela Lugosi (em pontinha especial), Warren William, Maria Ouspenskaya (a famosa cigana Maleva), Patrick Knowles e o filho do “Homem das Mil Faces”, Lon Chaney o famoso ator do cinema mudo,
LON CHANEY JR. (1906-1973), como o
playboy amaldiçoado, Talbot. Apesar
de ter estrelado mais de 200 produções, é como o Wolf Man, nas inúmeras
continuações e principalmente neste original, a marca registrada do ator.
Trabalho na qual é mais reconhecido.
A trama se passa no País de Gales, onde
Lon Chaney Jr., Larry Talbot, um jovem rico que retorna ao castelo do pai
(Rains) e se apaixona por uma linda moça, Jenny (a bela Evelyn Ankers), cujo trágico destino lhe é revelado numa quermesse,
por uma cigana vidente: no seu caminho está a fera, o Lobisomem. A trama é das
mais influentes, gerando imitações e homenagens em filmes como UM LOBISOMEM AMERICANO EM LONDRES (An American Werewolf In London, 1981)
terrir do diretor americano JOHN LANDIS
(diretor do videoclipe Thriller), um filme cult por excelência. Pelo fato de ser tão idolatrado, a Universal aceitou produzir
uma refilmagem lançada em 2010
dirigida por JOE JOHNSTON, apesar da
ótima direção de arte austera e tudo o mais, o roteiro não tem o mesmo brilho,
embora seja quase uma cópia do de Siodmak, escrito por Andrew Kevin Walker (de A
Lenda do Caveleiro sem Cabeça, de Tim Burton) e David Self (de A Casa
Amaldiçoada, outro remake, The Haunting, de Jan de Bont) e ainda
produzido e estrelado pelo vencedor do Oscar, o ator BENICIO DEL TORO como Talbot e que infelizmente é o papel menos
inspirado do galante porto-riquenho. E mesmo ao lado de uma grande e ilustre
personalidade como Anthony Hopkins,
Del Toro não engrena como deveria. Por outro lado, efeitos especiais é uma
habilidade do diretor Johnston e a maquiagem do grande mestre da caracterização
(e vencedor de vários Oscar) RICK BAKER,
embora fantástica, é mais substituída (quando não deveria) por sequências
realizadas por computador. Erro de Johnston por permitir tamanha grosseria. Foi
mais feliz dirigindo Jumanji, Capitão
América e Jurassic Park III.
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| LON CHANEY JR. é praticamente o Lobisomem oficial do cinema. The Wolf Man (1941) |
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| Chaney com o maquiador JACK PIERCE |
A universal continuou a produzir mais
e mais filmes sobre o assunto, até mesmo uma irônica versão que trazia uma
mulher se transformando na besta! Sim, acreditem. O resultado? Um filme tosco
(nem prazer culposo é) e provou que mulheres que se transformam em "Wolfwoman" não dá muito certo, nem
feminino é, vide aquela bobagem com a bela Julie
Delpy, uma espécie de continuidade da obra de Landis: “Um Lobisomem Americano em Paris” (de 1997 dirigido por Anthony
Waller). Bom, aqui o filme em questão é o terceiro do estúdio na época, A MULHER-LOBO DE LONDRES (She-wolf of London, 1946), de Jean Yarbrough. Mesmo não apreciando,
esta fita mostrou uma das primeiras mulheres a sofrer metamorfose. A "monstra" ataca em um parque londrino, onde várias pessoas aparecem mortas. Não muito
longe dali, vive Phyllis Allenby,
interpretada por June Lockhart, que
traz no sangue a maldição que levou seus pais à morte. Será ela a assassina
procurada pela Scotland Yard? Deu pra
notar o tipo de filme?
Não apenas os americanos, mas o
cinema britânico, no caso a Hammer, também demonstrou apreciar Lobisomem e fazer
dele sucesso em filmes colorizados o que já era de praxe ocorrer depois de
Drácula e Frankenstein. O filme, novamente dirigido por Terence Fisher, A MALDIÇÃO
DO LOBISOMEM (The Curse of the
Werewolf, 1961) é outro aperitivo para os fãs. É um filme, apesar de B,
muito caprichado e elegante e ainda estrelado pelo galã OLIVER REED (1938-1999). As cenas iniciais são um tanto lentas, mas
depois o filme da uma engrenadinha. Teve um outro lobisomem da década de 1950,
apesar do período ter sido o menos popular, dirigido por Fred F. Sears, THE WEREWOLF (Idem, 1956) com um elenco totalmente
desconhecido. Os italianos também aproveitaram a ocasião e ainda nos anos 60
filmes como A FACE DO MONSTRO (The Lycanthropus, 1961), realizado por
Paolo Heusch eram lançados, porém, mal vistos. Na verdade, as produções desta
época eram mais trash do que outra coisa e tem uma lista de títulos que ainda preciso
conferir, como o curioso O LOBISOMEM DE
WASHINGTON (The Werewolf of
Washington, 1973) um filme que certamente é bem exploitation, de Milton Moses
Ginsberg, uma atração apresentada no programa de TV da querida ELVIRA, a Rainha das Trevas de Cassandra Peterson em seu programa “Movie
Macabre” que foi ao ar em 1981. Curioso.
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| Cartaz do Lobisomem inglês, outra produção in color de Terence Fisher |
Na comédia, o lobisomem também fez
sucesso, principalmente no universo adolescente. Quem não se lembra daquele filme da sessão da tarde com Michael J.
Fox, O GAROTO DO FUTURO (Teen Wolf, 1985), de Rod Daniel? Tanto que o adolescente
Scott conseguiu até mesmo ganhar uma série de TV no século XXI estrelada por
Tyler Posey, suspiro das menininhas. Sem contar numa continuação da fita de
Fox, com Jason Bateman, (O Garoto do Futuro 2) lançada em 1987 e
numa fórmula de sucesso que parece não se esgotar. É bacaninha, mas sinceramente?
Prefiro as tramas macabras e mais viscerais. Por exemplo, voltando mais atrás,
em 1957, com I WAS A TEENAGE WEREWOLF
de Gene Fowler Jr., na onda de
filmes de terror protagonizados por jovens. Dessa vez, um agressivo e
hipersensível rapaz procura por tratamento médico a fim de curar seu
temperamento. O médico, no entanto, com propósitos mórbidos, faz uso de seus
experimentos de regressão para transformá-lo num cruel lobisomem.
Já nos anos 1980, esses bichos
entrariam numa nova era, assim como nas comédias leves e familiares e no já
citado filme de Landis, modernos efeitos especiais e de maquiagem permitiram
mais realismo, deixando os oitentistas lobisomens com aparência mais convincente
e assustadora. Óbvio que o filme de Landis com maquiagem de Baker impressionou
nesse quesito (até Oscar levou), quando a transformação se revelou tão
fantástica e como Landis adora descrever: “eu queria que fosse como na
puberdade onde o jovem sofre pelas transformações”, de fato, um trabalho
inovador, influente e revolucionário, apesar do filme não se levar tão a sério
com sua comédia de humor negro bastante adulta.
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| Lobisomens e zumbis na comédia-terror de JOHN LANDIS |
A COMPANHIA DOS LOBOS (The
Company of Wolves, 1984), também merece uma citação. Filme do mesmo diretor
de “Entrevista com o Vampiro”, NEIL
JORDAN, apresenta um lobisomem invadindo o sonho adolescente de uma menina
(qualquer semelhança com A Hora do
Pesadelo de Wes Craven, também de 84, é mera coincidência), depois de ela ouvir as histórias da avó. Destaque para a presença de outro monstro, o próprio
diabo, personificado pelo ótimo Terence
Stamp. E ainda estrelado pela veterana Angela
Lansbury e com, David Warner e Stephen Rea.
Os anos 90 continuaram a aperfeiçoar
os efeitos, com trucagens ainda mais sanguinolentas e com filmes com ótima dosagem dramática. Sou fã da adaptação do livro Thor (favor
não confundir com o super herói) escrito por Wayne Smith, sobre um cachorro de
mesmo nome, um pastor alemão, que heroicamente defende seus donos, isolados
numa casa de campo, da ameaça eminente de um lobisomem, o ótimo MICHAEL PARÉ (de Ruas de Fogo,84), que
na trama é atacado pelo monstro em um acampamento enquanto fazia amor com a
namorada excursionista. Este é o ótimo e impressionante, LUA NEGRA (Bad Moon, 1996), dirigido por ERIC RED e
co-estrelado por MARION HEMINGWAY e
o garotinho (que fez o Dennis, o pimentinha) MASON GAMBLE. Mas quem rouba todas as cenas e emociona é o cachorro domesticado e lindamente interpretado por PRIMO, que tinha a mesma ousadia de um Rin Tin Tin.
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| Capa do DVD de LUA NEGRA |
O astro JACK NICHOLSON (de O
Iluminado, 1980), também atuou em um interessante filme desta temática e o
desafio foi aceitar (Jack sempre tira de letra qualquer papel) se transformar e
suportar as horas de maquiagem num sombrio e sofisticado lobisomem no excelente
LOBO (Wolf, 1994), mais um ambicioso projeto do diretor MIKE NICHOLS, estreando no gênero.
Co-estrelado pela sensual MICHELLE
PFEIFFER, que no final também se transforma, mas de forma lírica e não
debochada. O filme, além de suspense e terror, mescla cenas erotizadas com o
casal de astros em ótima química e forma física. Com trilha animalesca do mestre ENNIO MORRICONE e fotografia impactante
do italiano GIUSEPPE ROTUNNO (de
filmes de Fellini: Amarcord,1973 e
Viscont: O Leopardo, 1963),
deixa o filme bem servido. É de muito bom gosto, até porque Nichols é um baita
diretor. Sessão que merece revisitas, sempre.
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| Erotismo e sangue |
![]() |
| Jack O LOBO! |
Eis algumas das transformações desta tribo de lobisomens. Em qualquer geração, das inúmeras luas
cheias, o uivo continua a soar o mesmo.
O CINE-DOC.
continua...
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| O Lobisomem (2010): puro efeito especial |

















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