OUTUBRO DAS BRUXAS
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TERCEIRA TEMPORADA
CINE-DOC.
TERROR : Capítulo 4
Defunto tende a causar medo nas
pessoas, mesmo entristecidas em um velório. Não fosse apenas pela dura
realidade de que a morte é inevitável, antes fosse tal óbvia preocupação. Na
verdade, essa histeria terrificante se deve ao fato de existir os Zumbis
cinematográficos e ou/ Mortos-vivos, criaturas do além túmulo, sedentas de fome
e que só pensam numa coisa: saciar sua vontade descontrolada por carne humana
quentinha e bem viva ou mesmo cérebro,
se preferir. O cardápio desses monstros não é exigente. Basta um imbecil
dar mole e ser mordido. Ou vira um deles, caso escape. Ou, inevitavelmente, é
devorado vivo!
Neste capítulo, irei abordar esta legião carnívora que é tema
carimbado em vários seguimentos e releituras do gênero, tanto no cinema quanto
na televisão. Um morto que volta ao mundo dos vivos para atazanar quem almeja
ficar bem longe de cemitérios parece bem mais fácil de ser explicado do que
dezenas, centenas ou milhares de presuntos ambulantes e sonsos (os mais
modernos são atletas olímpicos!) que, do nada, resolvem despertar de seu sono
eterno de sua morada e saem por aí assustando. Seres putrefatos e fétidos, que
deveriam ficar quietinhos em suas respectivas covas. A origem dos filmes com temática
ZUMBI não é precisa. E, é bom destacar aqui não apenas a importância e
influência do grande cineasta GEORGE A.
ROMERO. Na verdade, há títulos curiosos e que datam muito antes de 1968 e o seminal A NOITE DOS MORTOS-VIVOS (leia AQUI). Por exemplo, O ZUMBI e ou/ DRAGORE, O FANTASMA (The Ghoul, 1933), o clássico estrelado pelo nosso querido Frank BORIS KARLOFF (é sempre bom não esquecer que o Frankenstein é, na
verdade, uma espécie de morto-vivo, já que foi reanimado através de raios e que
sua anatomia é semelhante da família zumbi), com direção de T. Hayes Hunter é um filme que já
tratou do assunto. Porém, também não consegui encontrar qualquer outro registro
mais antigo, livro ou filme, que tenha abordado o tema. Certamente, podemos
começar pela obra de Mary Shelley, Frankenstein, como precursora. Aliás, o
monstro incompreendido foi, sem dúvida, uma fonte de inspiração para esta trama
de O Zumbi (e creio que para Romero
de algum jeito, se ele assistiu), uma vez que se trata de um ser que voltou à
vida, depois de morrer. Os filmes sobre Múmias,
também, não podemos ignorar. Falarei delas no próximo capítulo. Na fita de
Karloff, isso é possível por causa de uma maldição
(nada tem haver com ciência, praga, epidemias) à qual, desgraçadamente, um
antropólogo é submetido.
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| Titulagem principal do clássico com Karloff |
O mesmo astro voltaria em outro filme neste seguimento. THE WALKING DEAD, de 1936, e que no Brasil é conhecido como “O MORTO AMBULANTE” confirmou Karloff
como o mais aterrorizante ator de monstros da história do cinema. Na premissa,
ele é um criminoso que, depois de executado, volta à vida pelas mãos de um
médico insano, lindamente interpretado por Edmund
Gwenn. Dirigido por MICHAEL CURTIZ
(1886-1962), pasmem é o mesmo diretor de Casablanca!
Os italianos também foram adeptos. LUCIO FULCI (1927-1996), diretor de dezenas de filmes como: Pavor Na Cidade Dos
Zumbis (1980), A Casa do Mortos-Vivos (1981), Terror Das Trevas (81), O
Estranho Segredo Dos Bosques dos Sonhos (1972), Demonia (1990) e tantos outros (maioria desconhecidos) realiza o ótimo ZOMBIE de 1979, sobre um velho cemitério de conquistadores espanhóis, onde um
cadáver putrefato trazido de volta à vida sem maiores explicações, prepara-se
para sair em busca de carne fresca. A Premissa
se repete, nós sabemos, mas a maneira como o filme é conduzido. Bom, só devo
alertar que é um filme de zumbi para quem tem nervos fortes.
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| Cena agonizante de ZOMBIE, dirigido por Fulci |
Voltando para a década de 30, exatamente em 1936 para ser mais exato, surgiu o segundo filme a usar o termo em
seu título: REVOLT OF THE ZOMBIE, com direção de Victor Halperin e de novo, sobre uma expedição internacional que é
enviada para o Camboja para destruir uma antiga fórmula que transforma homens
em zumbis. Ou seja, finalmente eles perceberam que maldições não funcionam, e
que filme de zumbi tende a ser ateísta. Ciência é a pauta.
O “pior cineasta de todos os tempos" ED WOOD (leia o post do
filme do Tim Burton, aqui) também
adorava o assunto e recorreu uma trama amalucada fazendo um híbrido com
alienígenas para compor seus zumbis de PLANO
9 DO ESPAÇO SIDERAL (Plan 9 from
outer space, 1959). O filme apresenta aliens de outro sistema solar que
violam as sepulturas e transformam os cadáveres em zumbis. Risos. Todo é realizado
de maneira tosca, mas é divertido.
Na produção da inglesa HAMMER filmes como EPIDEMIA DE ZUMBIS (The plague
of the Zombies, 1966), dirigido por John
Gilling, a explicação para a incógnita população crescente de mortos
andantes que começa a afetar moradores de uma pacata cidade, é a magia negra. Sim, os ingleses arriscam
mais uma vez no âmbito da maldição. Os vilões praticavam o ritual para criar
escravos zumbis que suportem explorar sem pausa uma mina de diamante. No
entanto, somente Romero com o primeiro filme da saga dos Mortos-vivos em “A
Noite” – The Night of the Living Dead – uma obra –prima, preferiu ser
mais ousado, utilizando como pano de fundo o fato extraordinário sem explicação
(apesar dos personagens fazerem suposições plausíveis do que possa ter
acontecido) para levar os mortos a vagarem pelo planeta e testar a
irracionalidade dos vivos. Romero
inteligentemente, com o apoio do roteirista JOHN A. RUSSO, faz de seu filme de terror uma crítica social. Sem o
excesso sanguinolento (o que não ocorreu nos filmes sucessores), numa
fotografia em preto e branco, foi chocante na época, principalmente pelo fato de ser uma
sessão claustrofóbica e que o perigo não são os monstros zumbis, assustadores e
seminus, mas um grupo de desconhecidos de diferentes raças e ponto de vista,
capazes de tudo para se manterem vivos e protegidos. SOBREVIVÊNCIA do mais
forte é a lei irrevogável dos filmes/seriados de zumbi deste então. Caos. Apocalipse.
Devastação. Egoísmo. O que movem os vivos contra a ameaça.
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| Refilmagem de A NOITE DOS MORTOS....(1990) dirigida por TOM SAVINI, maquiador de filmes de terror como SEXTA-FEIRA 13 (1980) e ator em filmes trash. Ex.: UM DRINK NO INFERNO (1996) |
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| O antológico THRILLER de Michael Jackson e John Landis. O jeito Zumbi de dançar! |
A comédia também foi um escapismo para trazer de volta estes famintos e grotescos seres. Quem
é que não se lembra do cômico (misturando terror e ficção-científica) filme do
roteirista DAN O´BANNON (1946-2009),
que fez sua estréia na direção (havia feito anteriormente apenas um curta metragem
chamado Blood Bath, 1969) e
cultuado A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS (The Return of the living dead, 1985)? Uma paródia de A Noite dos Mortos-Vivos e baseando-se em argumento escrito por Russell Streiner e em livro do
roteirista do filme original, Russo. Este sim foi um filme que marcou,
principalmente a minha geração, que já deve ter visto na televisão inúmeras vezes.
Exigentes, esses Zumbis falam o tempo todo que só desejam comer cérebro (BRAINS!) e
a fala acabou se tornando antológica fazendo com que as pessoas façam uma
associação imediata com mortos-vivos. Gerou uma continuação bacana em 1988.
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| Acidente químico militar desperta os mortos em A VOLTA DOS MORTOS-VIVOS 1 & 2 |
Na mesma linha entre o medo e o
riso, SAM RAIMI utilizou zumbis e
criaturas demoníacas no sensacional A
MORTE DO DEMÔNIO (The Evil Dead).
O primeiro filme de uma espécie de trilogia é ainda mais assustador quando lançado com
pouco orçamento em 1981. A segunda
versão foi intencionalmente para ser um filme mais engraçado, portanto é um remake do primeiro e não uma continuação
como todos pensam que se desdobra naquela parte na Idade Média (Uma Noite Alucinante 3, Army of Darkness,
1992) com o sempre ótimo Bruce
Campbell, o eterno Ash. A confusão se dá pelo fato de o título em português
ter sido originalmente (e tardiamente) lançado nos cinemas como: “Uma Noite Alucinante Parte 1 – Onde Tudo
Começou”. E, o Evil Dead II, de 1987, foi distribuído em vídeo apenas
como Uma Noite Alucinante, enquanto
nos cinemas, tinha aparecido com um título complementar: “Mortos ao Amanhecer.” Aconteceu deste jeito porque a Parte 2 chegou
ao Brasil antes do original.
Outro filme, A MALDIÇÃO DO
NECROTÉRIO (The Boneyard, 1991),
de James Cummins, foi uma das
surpresas que conheci ano passado e esqueci-me de postar no Outubro Das Bruxas. É um interessante
filme de terror que se destaca exclusivamente pelos efeitos especiais de maquiagem
do artista John Bayless. Na trama,
os zumbis são três crianças que saem à procura de carne fresca.
Stephen King também contribuiu quando seu livro CEMITÉRIO DE ANIMAIS foi um enorme sucesso não apenas literário,
mas no cinema, através da diretora MARY
LAMBERT que imediatamente encomendou uma continuação em 1992 estrelada por Edward Furlong, mas é o filme original CEMITÉRIO MALDITO (Pet Sematary, 1989) que Lambert, de fato, cria uma atmosfera
horripilante para contar a história de uma família do Maine, assombrada por um
cemitério que traz de volta, aqueles que forem enterrados lá. Óbvio
que eles não serão mais os mesmos, no entanto, uma coisa é ressuscitar gatinhos, outra
é uma criança tragicamente morta num acidente, deixando pai desolado. O menininho
em questão é o sensacional (e assustador mesmo!) MIKO HUGHES, um talento mirim
de filmes como: O Novo Pesadelo – O Retorno de Freddy Krueger (1994), de Wes Craven, Código Para O Inferno (1998), com Bruce Willis, fazendo um
garotinho autista, na comédia de Ivan Reitman, Um Tira No Jardim de Infância (1990), o molequinho que envergonhava
Schwarzenegger com citações sexuais, e muitos outros. Hoje em dia, é um rapaz feito e bonito, mas Hughes ficou famoso como o zumbi-mirim, Cage
Creed, que assusta com suas caretas fantásticas de causar pesadelos e fazer dormir de luz acesa por uma semana. Adoro.
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| Zumbizinho bonitinho e aterrador |
Confesso que também sou um fã de alguns filmes que trazem zumbis
frenéticos como o ótimo EXTERMÍNIO (28 Days Later..., 2002), de Danny Boyle e refilmagens como MADRUGADA DOS MORTOS (2004), de Zack Snyder, versão moderna do segundo
mítico capítulo da saga de Romero, ZOMBIE– O DESPERTAR DOS MORTOS (Dawn of the dead, 1978), sobre novo
grupo de sobreviventes que agora encontram-se encurralados em um Shopping
Center. Boyle e Snyder são os responsáveis por uma tendência de filme de zumbi
moderno onde tudo é mais assustador, mesmo que pareça improvável, mortos-vivos
sob efeito de Red Bull, correndo atrás das vítimas como loucos e fazendo um
barulho irritante. O recente GUERRA
MUNDIAL Z (World War Z, 2013), de
Marc Forster e estrelado por Brad Pitt é um exemplo fresco. Mas, o
que funcionou bem com Extermínio, que
manteve a trama ainda mais claustrofóbica e sem a grandiloquência tendenciosa de Guerra Mundial Z, um dos erros fatais da polêmica produção de Pitt, no meio termo e ainda fazendo rir novamente, ZUMBILÂNDIA (Zombieland, 2009), de Ruben
Fleischer , por exemplo, agrada muito mais por sua originalidade cheia de regrinhas
básicas para sobreviver ao holocausto zumbi.
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| Formigueiro morto-vivo de GUERRA MUNDIAL Z |
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| JESSE EISENBERG e WOODY HARRELSON no delicioso ZUMBILÂNDIA. |
Games e cinema sempre foi uma predileção do diretor Paul W.S. Anderson e o único filme realmente
interessante que ele já fez na vida foi o primeiro da franquia lucrativa RESIDENT EVIL: O HÓSPEDE MALDITO (2002)
com a mulher e nova musa dos filmes de ação (mas já havia tido mais mérito nas
produções do ex Luc Besson: O Quinto
Elemento e Joana D´Arc) MILLA JOVOVICH. Ela é a heroína deste
universo criado originalmente pela Capcom
Games. Um acidente letal envolvendo um poderoso vírus criado em laboratório
por uma corporação maligna, Umbrella Corp.
faz com que pessoas inocentes morram instantaneamente se transformando em
carnívoros mortos-vivos que começam a espalhar a tal doença que rapidamente se
alastra pelo mundo. Os filmes seguintes foram ficando cada vez mais absurdos, o
quinto lançado dez anos depois em 2012 e um próximo já em andamento para 2014 e
se começou com zumbis amedrontadores, cenário fechado (as inúmeras portas e câmaras
são um atrativo do primeiro filme) expandiu para algo a mais e muito tosco. Resident Evil é um universo
assumidamente de vídeo-game para moleques entre 12-15 anos e todo o terror do primeiro
filme - ajudado por uma trilha assustadora de Marco Beltrami e Marilyn
Manson – foi substituído por projeções 3D bestas e ação sem parar. Jovovich
é mais Rambo do que a tradicional última garota dos filmes de terror.
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| MILLA é ALice, a caçadora de Zumbis na franquia RESIDENT EVIL |
Felizmente o sucesso da série de tv THE WALKING DEAD, lançada pela rede AMC em 2010 baseada
numa série de quadrinhos de ROBERT
KIRKMAN, TONY MOORE e CHARLIE ADLARD e desenvolvida pelo
diretor FRANK DARABONT, trouxe de
volta não apenas os mortos, mas o estilo tradicional de trama zumbi. Mescla muito
bem, terror, suspense e dramas pessoais numa realidade pós-apocalíptica. Com ótimas
primeira, segunda e terceira temporadas, e recentemente numa quarta (com um
primeiro episódio, infelizmente sem o mesmo gás), o trunfo da série é ter uma
equipe técnica de mestres que inclui o maquiador e também diretor GREG NICOTERO, evitando ao máximo
trucagens computadorizadas e utilizando-se das boas e velhas vísceras, muito sangue e verdadeiras mordidas, isto é, tem o suficiente para causar aflição e nojo no telespectador. O programa é certamente um atrativo para os fãs, além
de ser bem recebido com grandes números de audiência e indicado para importantes prêmios como o Globo de
Ouro na categoria de melhor série dramática.
Com passo de tartaruga ou correndo numa maratona, os ZUMBIS serão
sempre muito mais do que figurantes ou meros objetos de decoração. Fácil é deter um, o
difícil é ficar encurralado por uma centena. Neste caso, a união faz a força.
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| Cena tensa de MADRUGADA DOS MORTOS (2004) |
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| ROBERT RODRIGUEZ e QUENTIN TARANTINO ressuscitaram os filmes exploitation no sensacional projeto GRINDHOUSE com um primeiro filme com zumbis: PLANETA TERROR (2007) |
O CINE-DOC. CONTINUA...





















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