CORRIDA CONTRA
O (s) DESTINO(s)
Uma jovem mulher
alemã tem 20 minutos para encontrar e trazer 100 mil marcos em dinheiro vivo
para seu namorado antes que ele cometa um assalto.
Favor
não confundir com o clássico de Richard
C. Sarafian de 1971 estrelado por Barry
Newman, “Corrida Contra O Destino”
(Vanishing Point) devido ao título que dei a postagem. E se por acaso ainda
não assistiu a LOLA RENNT (1998),
não vá pensando que se trata de um filme de ação sobre corridas de automóveis,
aliás, o que não falta ao filme do jovem diretor alemão TOM TYKWER
(pronuncia-se “Tick-ver”) é criatividade. Longe do óbvio. Eis uma fita cult e
aclamada por cinéfilos de uma nova geração pós-moderna. Foi o primeiro trabalho
na qual conheci o diretor, já aclamado em Festivais em filmes como MORTALMENTE MARIA (Die Tödliche Maria,
1993) e INVERNO QUENTE (Winter
Sleepers, 1997). Em “Lola”, o filme que ainda é o maior marco do diretor, ele
acentua o ritmo vertiginoso (certamente alguma inspiração no clássico de
Hitchcock, Um Corpo Que Cai, Vertigo,
1958, para criar alguns efeitos) na edição de imagens freneticamente
empolgantes, usando muita música eletrônica, um de seus talentos, aliás, também
compõe as trilhas de seus filmes (e alheios), enfim, tudo é cineticamente
envolvente e mantêm o espectador curioso com sua inventividade visual.
Tykwer
propõe um exercício repleto de surpresas desde as titulagens iniciais (quando
mostra uma multidão de pessoas formando o título do filme). O modo como ele
conta a premissa é sensacional e para isso, a trama deveria ser simples: Lola,
a ótima FRANKA POTENTE, é uma jovem
apaixonada e desesperada, com um visual inesquecível (seus cabelos vermelhos),
recebe um telefonema de última hora do namorado, Manni (o ótimo MORITZ BLEIBTREU, de filmes como “Munique”,
2005, de Spielberg e “A Experiência”, 2001, de Oliver Hirschbiegel) que está
desesperado, pois perdeu uma grana preta (em dinheiro vivo, 100 mil marcos) em
um metrô, o mesmo dinheiro que ele tem que entregar para uns gangsteres em
exatos 20 minutos. Ou então, eles o matam. Seu plano desesperador é praticar um
assalto local, de frente a uma cabine telefônica que o mesmo se encontra. Lola
pensa de outra forma. Ela precisa correr depressa e ver de que maneira será
possível conseguir uma quantidade absurda em apenas poucos minutos! Assim,
acompanhamos a toda velocidade as aventuras de Lola, correndo como um foguete
para salvar seu amado custe o que custar...
O
modo como Tykwer mostra a missão de Lola me surpreendeu na época quando assisti
pela primeira vez já que a narrativa é contada três vezes, e em cada versão,
existe uma diferença sutil, culminando em três finais alternativos. Drama.
Comédia. Romance. Em cada uma delas. E não só isso. Os artifícios são inúmeros:
animação (minha parte predileta), truques e movimentos de câmera dos mais
variados, filme a cores e em preto-e-branco, efeitos de vídeo (sobretudo
videoclipe ao estilo MTV, eis um sucesso entre os jovens que descobriram o
filme) e ainda replays instantâneos.
Apesar
de tecnicamente e visualmente chamativo, “Lola” se destaca, principalmente,
pelo desempenho de sua protagonista (que na época era casada com o diretor), a
atriz Franka Potente e que com o seu inconfundível cabelo, acabou virando uma
febre na Europa e até mudou o nome do prêmio do Cinema Alemão para Lolas.
Potente se revelaria mais tarde em blockbusters americanos como nos dois
primeiros filmes da série Jason Bourne (2002) com Matt Damon. No entanto, sua
imagem correndo pelas escadas, ruas, calçadas e avenidas, movendo os braços
vigorosamente (em câmera lenta deveria tocar o clássico de Vangelis para o
filme “Carruagens de Fogo” que se tornou hino das Corridas de São Silvestre) e
com aqueles cabelos é muito mais marcante. Não só isso, além de ter um
desempenho físico impressionante, suas cenas mais profundas e “paradinhas”
acontecem quando, por exemplo, ela procura o pai para pedir dinheiro (feito
pelo ator alemão HERBERT KNAUP) e
que é de uma sensibilidade (e fúria) tocante.
Ela
também foi responsável por gravar e compor algumas músicas da trilha sonora. O
filme custou apenas dois milhões, mas arrecadou em torno de 14 milhões só na
Alemanha. Curiosamente não teve nenhuma indicação ao Oscar, mesmo arrecadando
em solo americano mais de 100 mil em sua semana de estréia – em míseras 5 salas
– e que depois de algumas semanas ultrapassou 1 milhão. Ganhou o prêmio de
Melhor Filme Estrangeiro no Independent Spirit Awards e outro de audiência no
Festival de Sundance de Robert Redford. No Brasil, recebeu uma indicação ao
Grande Prêmio Cinema Brasil, também na categoria Melhor Filme Estrangeiro e
provavelmente o mais significativo seja sua indicação ao Leão de Ouro no
Festival de Veneza para Tykwer. Curiosamente nenhuma indicação a Palma de Ouro
em Cannes.
Vale
ressaltar outros trabalhos do diretor: os ótimos; PARAÍSO (Heaven, 2002. Que foi um projeto baseado em um roteiro do
cineasta KRZYSTOF KIESLOWSKI), com Cate Blanchett, que causou polêmica pelo
fato de que na trama uma mulher colocava uma bomba em um edifício, num período
marcado pelo atentado as Torres Gêmeas, em 11 de setembro de 2001, e PERFUME – A HISTÓRIA DE UM ASSASSINO
(PERFUME : The Story of a Murderer, 2006), baseado no famoso livro “infilmável”
, Das Parfum, de Patrick Süskind e estrelado pela revelação, o ator Ben
Whishaw. Aliás, tornou-se o meu filme favorito do diretor (mesmo amando
“Lola”). Depois do tropeço de TRAMA
INTERNACIONAL – The International – 2009, escrito por Eric Warren Singer
(do recente TRAPAÇA, 2013, de David O. Russell, indicado ao Oscar) e estrelado
por Naomi Watts e Clive Owen, voltou com tudo ao lado dos irmãos WACHOWSKI (Matrix) com o maravilhoso (e
subestimado) A VIAGEM (Cloud Atlas,
2012), da obra de David Mitchell, com um elenco internacional de astros e uma
ousada trama no tempo que mistura passado, presente e futuro. Antes, voltou
para a Alemanha onde rodou “3” – TRIÂNGULO AMAROSO (2010), uma bem
intencionada dramédia com romance.
Cheio
de vida. CORRA LOLA, CORRA é vibrante do início ao fim, com pequenas
pausas, diferente do próximo filme do diretor e sua musa: A PRINCESA E O GUERREIRO (Der Krieger Und Die Kaiserin, 2000), tão
poético quanto, só que menos acelerado.
ALEMANHA
1998
DRAMA/AÇÃO/SUSPENSE/ROMANCE
COR/P&B/ANIMAÇÃO
81
min.
SONY
★ ★ ★ ★ ★
LOLA RENNT
UM FILME DE TOM
TYKWER
Com: FRANKA POTENTE MORITZ BLEIBTREU
HERBERT KNAUP NINA PETRI
ARMIN ROHDE
JOACHIM KRÖL LUDGER PISTOR
SUZANNE VON BORSODY
SEBASTIAN SCHIPPER JULIA LINDING
LARS RUDOLPH
ANDREAS PETRI KLAUS MÜLLER
UTZ KRAUSE BEATE FINCKH
MÚSICA
REINHOLD HEIL
JOHNNY KLIMEK TOM TYKWER FRANKA POTENTE
Fotografado por FRANK
GRIEBE
Direção de Arte ALEXANDER
MANASSE
Figurinos MONIKA JACOBS Edição MATHILDE BONNEFOY
Produção Executiva/produtor de
linha MARIA KÖPF
Produzido por STEFAN ARNDT
ANDREAS SCHREITMÜLLER GEBHARD HENKE
ESCRITO
E DIRIGIDO POR TOM
TYKWER
Lola Rennt © 1998
X-Filme Creative Pool / WDR/ Arte Bavaria Film/ German Independents










11 comentários:
Realmente Rodrigo, um grande filme! Vale a penar ver mais vezes! Maravilhoso texto.
Ro,
excelente crítica!!! Gosto do filme, da trilha e sou fã da Franka.
Gosto dela em Princesa e o Gerreiro também.
besos
Olá!
É aquela época do ano outra vez. E volto a te convidar para participar do Bolão do Oscar do "DVD, Sofá e Pipoca". (http://goo.gl/pZrkOf)
Te esperamos lá, e boa sorte!
Faz tempo que vi este. Preciso revê-lo. Valeu pela lembrança.
Obrigado M.!
Eu já perdi as contas de quantas vezes revi... #FeitiçodoTempoFeelings
Bjs.
A Franka é linda demais! ;)
Besos, querida.
Olá querida...putz, estou meio off da blogosfera, né? E atualizando meu blog com pouca frequência. Espero retornar com mais fôlego.
Obrigado pelo convite.
Bjs.
Valeu, Max.
Reveja sim!
Abrç.
Ah, não tem nada a ver com Velozes e Furiosos? Então não assisto.
Brincadeira, mas é assim que o grande público pensa.
Vi essa filme quando de seu lançamento em DVD. Estou como o colega acima, precisando revê-lo. Mesmo assim, recordo bem quase todo o filme. Foi meu primeiro contato com Potente!!!
Postei um comentário aqui, mas acho que deu erro e não foi. :-)
Um dos filmes mais divertidos que já vi. Criatividade é muito mais importante que US$ para filmar.
Filmelixo
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