E O FILME RIU POR ÚLTIMO!
Ao
tentar proteger uma doação de 1 Milhão para o museu, jovem paleontólogo confuso
é perseguido por uma herdeira volúvel e muitas vezes irritante e pelo seu
animal de estimação, um leopardo.
Favor não confundir com Punk Brewster - “A Levada da Breca” que
divertiu a minha infância nos anos 90, seriado da NBC exibida originalmente
entre 1984-86. Este LEVADA DA BRECA (até que o título em português
soa legal) é uma das mais interessantes comédias românticas da história do
cinema e só perde para ACONTECEU NAQUELA NOITE, 1934, de Frank Capra (leia aqui). É Hollywood produzindo polêmicas como em nenhum outro
lugar do mundo, numa época conservadora, eis um aperitivo delicioso e o meu
filme predileto com o casal KATHARINE HEPBURN (1907-2003) e CARY GRANT
(1904-1986), e que dupla! Nunca foram amantes na vida real, mas tinham uma
química brilhante na tela. Sempre dava certo, pelo menos o resultado final nunca ficou a desejar.
Embora excelente, a fita teve lá os seus problemas e foi o primeiro filme de um
contrato que exigia seis projetos que o cineasta HOWARD HAWKS (1896-1977) fez
com a RKO em 1937. Escrachado. É um filme que resistiu lindamente ao tempo.
Hepburn e Grant não poderiam estar melhores. Sou fã desta parceria e sou um
apreciador, também, de NÚPCIAS DE ESCÂNDALO, The Philadelphia Story, 1940, de George Cukor. Infelizmente, devido ao seu “conteúdo”, o filme teve um
acolhimento nada promissor. A premissa narra um conto sobre um jovem casal e o
seu leopardo de estimação, o “Baby” mencionado no título original.
As filmagens acabaram por
estourar o prazo de 40 dias, e obviamente o orçamento. Arrecadou pessimamente
nas bilheterias que acabou custando o emprego de Hawks na RKO que o demitiu.
Hepburn teve que tirar grana do bolso e pagar a rescisão de seu contrato. Mas o
que os produtores, o major studio e o público não entenderam é que a fita
estava à frente de seu tempo. De um ritmo alucinado, gags perfeitas e diálogos
irresistíveis, fórmula que acabou por estabelecer novos conceitos para as
futuras comédias deste seguimento.
Grant esta no auge se sua forma
física, beleza, simpatia, galante e interpreta David Huxley, nerd, doutor em paleontologia que passa a maior parte do
tempo tentando montar um esqueleto de dinossauro, brontossauro para ser mais
exato, enquanto sofre nas mãos de sua chatinha e dominadora noiva. Falta apenas
um mísero ossinho para concluir o projeto de quatro anos de muito trabalho e
dedicação para o museu, até que o atrapalhado Huxley consegue arruinar uma
importante reunião em um campo de golfe com um rico patrocinador. Lá, conhece a
bela Susan Vance (Hepburn). Bonita e
cabeça-de-vento, é um par perfeito. Não contarei os detalhes, mas depois deste
encontro, a vida de Huxley nunca mais voltará ao normal. Vance faz de tudo para
evitar que Huxley se case. Portanto, acaba usando Baby, o leopardo amestrado (na verdade uma onça domesticada
originária do Brasil) para distrair o paleontologista.
Altas confusões (ao estilo
sessão da tarde). Risos autênticos. Os pombinhos enjaulados. O osso enterrado. Bringing
UP Baby é
sensacional! Há passagens interessantes e discutíveis e o que torna o filme
especial por trazer tamanha autenticidade é pelo fato dele mascarar quase
totalmente sua hábil análise de expectativas de gênero, sexista e do casamento
na década de 1930. Por isso, admiro a coragem de Grant por não ter preconceito
em parecer afetado e maricas quando mergulha em seu humor típico, marca registrada do
ator. Por exemplo, a censura à época suspeitou de maneira curiosa a ponto de
identificar possíveis discursos sexuais do roteiro (brilhantemente escrito por Hagar Wilde e Dudley Nichols) quando Huxley procurava loucamente pelo seu “osso
perdido” e se tal procura não faria referência à perda da masculinidade. E
Grant provoca (risos), por exemplo, na cena em que ele veste um roupão feminino
emplumado, o que não ajudou a afastar a ideia ao conter, também, uma das primeiras citações da palavra gay. E
com outro significado que não o de “simplesmente feliz”.
Baixa crítica. Ignorância da platéia.
Despercebido pelo Oscar. De qualquer forma, “Levada Da Breca” deu a última
risada. É um cult clássico
imperdível. Uma obra-prima cheia de achados em celuloide. A perfeita comédia
romântica “adulta” de Hollywood.
EUA
1938
COMÉDIA/ROMANCE
P&B
102 min.
Cinemax/Versátil (Edição de Colecionador)
★ ★ ★ ★ ★
BRINGING
UP BABY
Dirigido por HOWARD HAWKS
Produzido por HOWARD HAWKS, CLIFF REID
Roteiro HUGAR WILDE, DUDLEY NICHOLS
Fotografia RUSSELL METTY
Música ROY WEBB
Estrelando: KATHARINE HEPBURN, CARY GRANT
CHARLES RUGGLES, WALTER CATLETT, BARRY FITZGERALD
MAY ROBSON, FRITZ FELD, LEONA ROBERTS, GEORGE IRVING
TALA BIRELL, VIRGINIA WALKER, JOHN KELLY
© 1938 RKO Radio Pictures, Inc.





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