ESCONDERIJO
Carlitos
(O Vagabundo) encontra trabalho e a garota de seus sonhos em um circo.
Como hoje é o Dia
do Circo, uma
singela homenagem não apenas ao espetáculo e a magia do picadeiro, mas, também,
ao grande palhaço brasileiro Abelardo
Pinto, O
Piolin, que
nasceu neste dia no ano de 1897. Portanto, pensei, não seria apropriado
escrever sobre uma das mais divertidas e grandes comédias do rei da pantomima, CHARLES CHAPLIN (1889-1977)? Já faz um
tempinho que não dou uma boa revisada no filme, confesso, no caso obviamente me
refiro ao “O CIRCO” (THE CIRCUS, 1928). Mesmo assim, por ter
assistido inúmeras vezes (a última em 2010) e pelo fato da película ser tão
inesquecível (até revi algumas cenas na internet e antes no filme CHAPLIN,
1992, com Robert Downey Jr. que já revi este ano!), é possível escrever algumas
linhas sobre a obra. É complicado dizer qual é o meu favorito do diretor, ator,
músico, roteirista, produtor, palhaço, Chaplin... e se alguma vez eu disse, me
arrependo. Injúria. No entanto, The
Circus é provavelmente o mais cômico. Com maiores cenas de fuga,
trapalhadas e aventuras. Se TEMPOS
MODERNOS (MODERN TIMES, 1936)
e O GRANDE DITADOR (THE
GREAT DICTATOR, 1940),
são os mais polêmicos e políticos, O
GAROTO (THE KID, 1921)
e LUZES DA CIDADE (CITY
LIGHTS, 1931), os
mais emocionantes, nos fazendo derramar lágrimas, “Circo” e EM BUSCA DO OURO (THE GOLD RUSH,
1925), são os que
eu acho dos mais engraçados. Gargalhadas mesmo. Mas é claro, ainda com o toque
romântico de seu artista, sobretudo “Circo”. Não é apenas uma homenagem ao
palhaço e ao picadeiro, mas, de fato, uma Love
story.
Nesta ocasião, mais uma vez,
Carlitos e ou/ The Tramp, acaba sendo confundido pela polícia por ter batido
uma carteira, assim, acaba se refugiando em um Circo local. E, sem querer,
acaba entrando no meio do espetáculo (parece que os desenhos do Pica-Pau, se me recordo bem, faz
referências ao filme. Acho que Walter Lantz
era um fã) e fazendo grande sucesso com o público. Carlitos, com seu dom
natural de se meter em encrencas, faz as coisas de improviso para escapar dos
malvados. Injustiças à parte, e “como a ocasião faz o ladrão”, devido ao
encantamento das crianças assistindo-o no picadeiro, o dono do Circo, querendo
lucrar, lhe oferece um contrato de emprego. No meio tempo, nos bastidores, Carlitos
ainda arranja um tempinho para cortejar uma linda acrobata, filha deste
proprietário aproveitador, interpretada por MERNA KENNEDY
(1908-1944), que morreu jovem aos 36 anos devido a um ataque cardíaco e que por
isso apareceu em poucos filmes da época. Na verdade, a estrutura clássica da
narrativa é um típico filme do Vagabundo. Sempre perseguido e escorraçado pela
polícia.
Num extra do DVD lançado em
2010, sobre um documentário da première do filme em 1928 uma mulher misteriosa aparece com um sobretudo segurando algo suspeito
próximo do ouvido e conversando sozinha. Tal fato culminou num falatório nas
redes sociais depois que a cena foi publicada na internet por um aspirante a
diretor – de filmes independentes - chamado George Clarke. São tantas especulações para decifrar a misteriosa
aparição. A mais falaciosa era sobre uma possível viagem no tempo e que a pessoa em questão estava falando no
celular! O mais provável, mas também não se chegou a uma conclusão, era de que
tratava-se de um aparelho auditivo em formato de funil, muito utilizado no
século XIX e início do século XX. Mas, como a pessoa falava sozinha não tinha a
necessidade de usar o aparelho misterioso. Ou será que ela era matusquela?!
Abaixo segue o vídeo publicado
por Clarke em 2010:
Outro fato curioso é que numa
reedição do filme lançada em 1969 e Chaplin com 80 anos de idade, canta uma
versão da canção título, aliás, muito bonitinha (na época todos sabem
que ele era contra em dar uma voz ao vagabundo e quebrou a regra apenas em Tempos Modernos). O filme é também uma
despedida da grande era silenciosa de Chaplin, por mais que ainda iriam surgir
mais dois filmes no seguimento, contrariando a tendência do som, no entanto, já
em Luzes da Cidade e em “Tempos”, ele
iria começar um compromisso significativo para incorporar o som de maneira
criativa.
O estúdio de Chaplin pegou fogo
durante a produção e atrasou as filmagens por um mês. Ele passou um tempo em
Nova York se recuperando do fato após ter tido um colapso nervoso (também
estava em processo de divórcio com Lita
Grey).
Outra curiosidade. Chaplin
havia praticado para andar na corda bamba por semanas, pouco antes de começar a
rodar. Ele havia feito a apresentação suspenso no ar por quarenta metros, mas,
infelizmente, essa foi uma das cenas que acabou sendo danificada em outro
acidente em seu estúdio durante um processamento que acabou riscando o negativo.
Obviamente aconteceu o “re-shot” para ajustar as imagens incluídas no filme,
mas na opinião do diretor o resultado não era tão bom em comparação com o que
havia sido perdido.
O filme competia nas
bilheterias com o sucesso estrondoso de O CANTOR DE JAZZ (THE JAZZ SINGER, da Warner Brothers).
Chaplin acabou ganhando um Oscar Especial em 1929 por este filme numa
categoria honorária, aliás, seu primeiro Oscar, antes de ser indicado apenas
por O Grande Ditador e Monsieur Verdoux e ganhar aquele
outro prêmio honorário (creio que mais especial) pelo conjunto da obra e por
sua realização cinematográfica em 1972, e, como Melhor Trilha Musical em 1973 pelo seu filme de 52: LIMELIGHT
– LUZES DA RIBALTA,
curiosamente reconhecido pela Academia 21 anos depois. Enfim, nos anos 1970 os
EUA fizeram de tudo para demonstrar seu pedido de desculpas ao perseguido
Chaplin!
Muitas risadas e momentos
antológicos como aquela fuga nos espelhos (Mirror Maze) e quando Carlitos se
disfarça de boneco numa das apresentações locais. É um marco do cinema e um dos
mais queridos filmes do eterno vagabundo.
EUA, 71 min. P&B WARNER
(COLEÇÃO CHAPLIN)
CINEMAX/VERSÁTIL (COLEÇÃO: A Obra Completa)/MK2
COMÉDIA/ROMANCE - Mudo
O CIRCO (1928)
“THE CIRCUS ”
“THE CIRCUS ”
★ ★ ★ ★ ★
Direção: CHARLES CHAPLIN
Roteiro: CHARLES CHAPLIN
Produção: Charles Chaplin
Música de: Charles Chaplin
Fotografia ROLAND TOTHEROH
Direção de Arte CHARLES D. HALL
Estrelando:
ALLAN GARCIA MERNA KENNEDY
HARRY CROCKER GEORGE DAVIS
HENRY BERGMAN TINY SANDFORD
JOHN RAND STEVE MURPHY
E CHARLES CHAPLIN ……. Um Vagabundo
Charles Chaplin Productions ©1928/ United
Artists










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3 comentários:
Um das mais belas postagens que já vi sobre Chaplin. Genial.
Obrigado querida!
Bjs.
Ótimo texto, Rodrigo, parabéns. E uma linda e mais que merecida homenagem a esse grande artista.
bjs
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