sexta-feira, 11 de abril de 2014

SOLDADO DE LARANJA

ALIADOS E INIMIGOS

Segunda Guerra Mundial retratada na Holanda sob a perspectiva de vários estudantes desde seu início, a ocupação nazista e a libertação.

“Uma guerrinha não cairia de todo o mal.”

O blogue fará uma retrospectiva do início da carreira do diretor holandês PAUL VERHOEVEN (Robocop,O Vingador Do Futuro, Instinto Selvagem, Tropas Estelares) que revelou RUTGER HAUER (O replicante de Blade Runner) e também JEROEN KRABBÉ (007 – Marcado Para a Morte/O Fugitivo) como astros, também com carreira de sucesso em Hollywood e protagonistas em quase todos os primeiros filmes do diretor. Antes de estrear nos Estados Unidos em 1985 com CONQUISTA SANGRENTA, Verhoeven já trabalhava com temas polêmicos como identidade, homossexualismo, sempre com um estilo característico, geralmente direto e sem rodeios ou retoques. Nu e cru. Apesar de apreciar praticamente todos os seus projetos na fase holandesa e que são eles: o ótimo filme sobre motocros SEM CONTROLE, Spetters, 1980 , o drama romântico LOUCA PAIXÃO, Turks Fruit, 1973, indicado ao Oscar para Filme Estrangeiro, O AMANTE DE KATHY TIPPEL, Keetje Tippel, 1975 e o primeiro longa-metragem, a comédia; NEGÓCIO É NEGÓCIO, Wat Zien Ik, 1971, devo concordar que SOLDADO DE LARANJA (Soldaat Van Oranje, 1977), é, de fato, o seu filme mais elaborado (até porque foi o mais caro já rodado naquele país até então). Em parceria com o roteirista GERARD SOETEMAN (e que também escreveu o ótimo O ATAQUE, De Aanslag, 1986, de Fons Rademakers e que também se trata da 2ª Guerra!), colaborador de longa data, Verhoeven transforma “Soldado” em um prenúncio, com as características e personalidade que também utilizaria em sua carreira hollywoodiana e até mesmo nas fitas de ficção-científica, certamente uma grande mudança de gênero. No entanto, nessa época, Verhoeven se interessava mais por filmes de guerra, thrillers, romances e dramas executados de uma forma nada piegas e menos ainda “enfeitados”. E é por isso que sou fã do cineasta, e que, aliás, é ainda muito subestimado.

Nos próximos posts tratarei de filmes como O QUARTO HOMEM (O Instinto Selvagem holandês, de 1983) e A ESPIà(2006), que foi o grande retorno dele em sua terra natal, e que também retrata o nazismo.


Indicado ao Globo de Ouro como Melhor Filme Estrangeiro, a audaciosa produção falada em três idiomas: holandês, inglês e alemão, não teve as premiações e maior arrecadamento de bilheteria como merecia, mas, por fim, alavancou Verhoeven para os holofotes da indústria, que mesmo assim, faria ainda mais duas produções em seu país para depois zarpar de vez quando o cinema americano o chamou para superproduções.

A produção é de ROB HOUWER, produtor veterano (e que esteve com Verhoeven nessa fase desde o início) de alguns filmes como o interessante “Mestre Na Arte Do Amor”, de 1968, esta uma produção alemã. É um dos poucos filmes que produziu onde o orçamento acabou saindo do controle e, para terminar o filme, fez associações. Primeiramente com uma empresa de cinema da Grã Bretanha e com uma rede de TV holandesa local. Um apoio financeiro adicional sob a condição de que o material também fosse adaptado em uma mini-série de quatro capítulos. Então, a obra foi renomeada de: “For Queen and Fatherland”/ “For Koningin em Vaderland.”

Originalmente o ator Derek De Lint (também vindo da Holanda e que já estrelou várias produções americanas como; Impacto Profundo e A Insustentável Leveza Do Ser) faria o papel principal. Hauer não seria uma escolha lógica já que havia trabalhado com Verhoeven diversas vezes incluindo na série de televisão FLORIS (1969), mas, depois de uma leitura muito profunda de Erick Lanshof, Hauer acabou ficando com o papel.

Alguns guest stars internacionais participariam do filme. Haviam anunciado Alec Guinness, David Niven, Julie Christie, Henry Fonda e Charlotte Rampling, mas, devido à quebra e cortes no orçamento já por um triz, apenas EDWARD FOX, como o coronel Rafelli e SUSAN PENHALIGON permaneceram como as únicas personalidades estrangeiras.

Na cena de abertura é recriado de modo fidedigno um noticiário que mostra a Rainha Wilhelmina da Holanda (interpretada por ANDREA DOMBURG) e seu ajudante, no caso o personagem principal, Lanshof (Hauer) chegando aos Países Baixos após a libertação do país no final da Segunda Guerra. Verhoeven e a montadora JANE SPERR, fazem perfeitamente intercalações com imagens reais. Ou seja, materiais genuínos filmados por cinegrafistas americanos e holandeses onde a rainha acompanhava Erik H. Roelfzema (na vida real e autor do livro na qual o filme é baseado). Querendo ser ainda mais autêntico, Verhoeven chama para fazer a narração o homem que tinha feito o trabalho de oratória original durante o pós-guerra nesses noticiários. Até mesmo um aeroporto situado localmente em Apeldoorn que ainda esta em uso, aparece para dar um pano de fundo realista.

As explosões neste filme não foram fornecidas por técnicos de efeitos especiais, mas pelos fuzileiros navais holandeses. Em seu comentário sobre o filme no DVD, o diretor Paul Verhoeven afirma que as cargas explosivas foram realizadas no local com metal. Quando uma das cargas foi detonada, voaram pedaços de metal. Um dos fragmentos quase matou Rutger Hauer!

Foi inteiramente rodado em locações reais, com exceção da sequência no bombardeiro da RAF.

A trama esboça as aventuras de um grupo de estudantes holandeses no período da Segunda Guerra e, como de costume em grandes acontecimentos históricos, inicialmente ninguém leva muito a sério. Achavam que não iria chegar a lugar nenhum e recebem a informação da guerra com certo desdém. Não demora muito para que todos eles se vejam forçados a tomar decisões maduras. E, como muitos não sabiam da proporção que a guerra tomaria (e podemos, sem julgamentos, acreditar numa possível ingenuidade), ou você se uniria aos alemães ou a resistência rebelde. Mas, pior ainda, era se você escolhesse ser um clandestino sem rumo. A estória focaliza em Erik Lanshot (Hauer), sempre no centro dos acontecimentos e enquanto isso, ao seu redor, os demais são compelidos a escolher diferentes caminhos, mas Erik deixa que o destino tome por ele decisões importantes. Assim, vive sua “liberdade”. Verhoeven traça elementos sociais interessantes na Holanda naquele período e cada um de seus personagens representa um microcosmo da sociedade da época. O ponto alto é fazer refletir sobre as mudanças de personalidade de indivíduos em meio ao caos da guerra. Isto é, não cabe ao espectador fazer julgamentos, porém, compreender as situações-limite de ambos os lados. Aliados ou inimigos, todos acabam por ter que escolher: trair ou sobreviver. 

Soldado de Laranja é um grande filme. Retratado com veemência por um cineasta de primeira linha.

Holanda/Bélgica/152 Min. Cor/P&B/Continental
Drama/Guerra/Suspense
SOLDADO DE LARANJA (1977)
“SOLDAAT VAN ORANJE”
           
Dir.: PAUL VERHOEVEN
Roteiro: GERARD SOETEMAN 
PAUL VERHOEVENKEES HOLIERHOEK
Baseado no Livro Soldaat van Oranje 40-50 de:
Erick Hazelhoff Roelfzema
Produção: Rob Houwer
Fotografado por Jost Vacano
Música de: Rogier van Otterloo
Montagem: Jane Sperr
Direção de Arte: Roland de Groot
Figurinos: Elly Claus
Estrelando: Rutger Hauer, Jeroen Krabbé
Susan Penhanligon, Edward Fox, Lex van Delden
Derek de Lint, Huib Rooymans, Dolf de Vries
Eddy Habbema, Belinda Meuldijik, Peter Faber
Rijk de Gooyer, Paul Brandenburg, Wart de Ravet
Bert Struys, Andrea Domburg
Excelsior Films/Film Holland/The Rank Organisation/Rob Houwer Productions
©1977


Um comentário:

Anônimo disse...

pretty nice blog, following :)

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