sexta-feira, 4 de julho de 2014

DE ROBERT WISE | O DIA EM QUE A TERRA PAROU

EM MISSÃO DE PAZ

Ser de outro planeta aterrissa espaçonave na capital estadunidense em missão de paz alertando os povos de todo o mundo e aos líderes dos países para que acabem com as guerras, perigo este que preocupa outros planetas.


“GORT! KLAATU BARADA NIKTO!” Creio que muita gente já ouviu esta frase. Tanto que já foi reutilizada como homenagem em diversos filmes da cultura pop como Guerra Nas Estrelas, de George Lucas (os guardas do palácio do gangster Jabba chaman-se: Klaatu, Barada e Nikto), Contatos Imediatos do Terceiro Grau, do Spielberg, no filme Uma Noite Alucinante 3, de Sam Raimi, na qual a frase tem poderes especiais, em uma das canções do cultuado musical The Rocky Horror Picture Show, enfim, até mesmo o nosso querido maluco beleza, Raul Seixas, compôs uma maravilha chamada propriamente de “O Dia Em Que a Terra Parou”!



A nave era feita de madeira, arame e gesso vindos diretamente de Paris. Esta é uma das grandes composições de BERNARD HERRMANN que utilizou o antigo instrumento, teremim, para criar uma melodia terrificante, um agudo mais alto, outro mais baixo, tornando este um dos primeiros filmes a apresentar uma composição no estilo eletrônico, e que, aliás, influenciou DANNY ELFMAN, que anos mais tarde se tornaria um dos melhores de sua geração em longa parceria com Tim Burton (vide o tema de Marte Ataca! e comprovem). 

Na história original, o nome do robô era Gnut e o papel de Klaatu, o alienígena, seria interpretado por Claude Rains, mas também era cogitado o nome de Spencer Tracy. O dono do estúdio, a 20th Century Fox, Darryl F. Zanuck, foi quem primeiro sugeriu o nome de MICHAEL RENNIE (1909-1971) depois de tê-lo visto atuar nos palcos londrinos. Sem dúvida foi um personagem marcante para o ator, cujo rosto anguloso, cabelos perfeitamente arrumados (como era típico dos filmes antigos a aparência com a elegância levada as últimas consequências e  inverosímel nas situações mostradas, soa engraçado demais!) e temperamento calmo conferem uma ligeira e suave superioridade a Klaatu. Era um homem discreto e elegante e já o vi participar em diversas séries de TV e telefilmes, ora em alguns épicos como O MANTO SAGRADO (The Robe, 1953) e aventuras simpáticas como a versão de 1960 para O MUNDO PERDIDO (The Lost World), dirigida por Irwin Allen, baseado em obra de Conan Doyle

Neal e Rennie.
Bom senso e elegância.
As verdadeiras armas para pacificar o mundo
.
Figura presente desde os anos 1930, só chegou ao estrelato, de fato, com este filme antológico. Sua parceira de cena, PATRICIA NEAL (1926-2010), de grandes filmes como “O Indomado” e “Bonequinha de Luxo”, tornou-se um símbolo de bravura feminina e certamente é um de seus filmes mais queridos. Adoro o garotinho que é interpretado por BILLY GRAY, que representa a inocência, a criança de uma época dourada. Gosto também do papel de SAM JAFFE (1891-1984), como o professor Jacob Barnhardt, um físico que ajuda Klaatu reunindo uma conceituada comunidade científica internacional, para que eles sejam os portadores de sua mensagem. O robô gigante, Gort, o personagem mais chamativo de todo o filme, foi interpretado por um porteiro do famoso Teatro Chinês de Grauman, localizado na badalada Los Angeles, e que media 2,35m, LOCK MARTIN (1916-1959). Ele também participou de outro grande filme do gênero: O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU (The Incredible Shrinking Man, 1957), de Jack Arnold, mas, infelizmente, suas cenas como um gigante foram cortadas. Neste filme, Martin precisou de ajuda nas cenas em que tinha que segurar Neal em seus braços mecânicos e tanto que é possível, em algumas cenas, notar os cabos de aço que o sustentavam. Outro detalhe curioso de bastidores é a porta da espaçonave no que diz respeito à fenda que teve que ser vedada e pintada de prateado. No entanto, a vedação se rompia e fazia com que a porta surgisse de repente, sem aviso visual.

O DIA EM QUE A TERRA PAROU dirigido por ROBERT WISE (1914-2005) continua insuperável. A fita é uma das mais sensíveis neste seguimento em todos os tempos. Classificada como drama e sci-fi. Foi baseado no conto de HARRY BATES (1900-1981), “Adeus ao Mestre” e foi o primeiro filme sério da ficção-científica que somente seria superado por 2001: UMA ODISSEIA NO ESPAÇO (1968, de Kubrick). É também uma clara mensagem antibélica (e novamente só seria superada por filmes do Stanley). O povo, cansado da corrida armamentista e farto de ouvir falar de guerra nuclear e toda aquela paranoia da Guerra Fria  - e que depois se estenderia na época em que Eisenhower foi o Presidente dos Estados Unidos naqueles tempos - queria um alívio. Hoje, eu consigo compreender e me surpreendo mais com a mensagem anti-guerra através de efeitos especiais espetaculares em vista de sua época e caracterizações das quais são todas memoráveis. Quando eu era criança apenas tenho vagas lembranças de gostar do robô e da nave, mas nunca que o filme tem o mesmo ritmo de outras ficções-científicas com aliens, robôs e discos voadores. É um filme que dialoga com alguns momentos de suspense e longe de ser um “A Guerra dos Mundos”.


É sobre um mensageiro de outro planeta de nome Klaatu (Rennie) que causa pânico e curiosidade quando aterrissa em Washington, capital americana, para transmitir uma mensagem. Mas, até ele conseguir explicar que veio em missão de paz, a raça humana (terráqueos se preferirem) já hostiliza burramente com sua patética tecnologia. É o belicismo e todo o seu poder. Pacífico, ele não veio colonizar, destruir e ou/ escravizar humanos. Na verdade, veio dar um ultimato – longe de ser uma lição de moral – de que a guerra em nosso mundo tem que parar. Depois que a sua nave é cercada pelos militares, Klaatu é ferido e enviado para o hospital local, deixando apenas Gort (Martin), um robô de mais de dois metros fazendo plantão de frente da nave a fim de protegê-la. Ele é esquisito e nem um pouco “humano” como seu mestre, afinal, não tem um rosto, é mudo e possui um raio laser mortífero. Em poucas palavras, o “segurança” é invencível! E a única maneira de impedi-lo de proteger a espaçonave é dizendo: “Gort, Klaatu barada nikto.”


Depois, ele escapa do hospital e conhece algumas pessoas numa pensão. Helen (Neal), é uma mulher belíssima e de inteligência excepcional, do velho e bom senso, mãe solteira, mas que namora um homem um tanto insensível (interpretado por HUGH MARLOWE), tem um filho, Bobby (Gray), que passa a ter uma afeição e predileção por Klaatu. Na verdade, o garoto carece de ausência paterna. Quando é descoberto, Helen passa a ajudar Klaatu e é ela quem deve desarmar Gort. Em meio a tudo isso, Klaatu, querendo provar aos humanos seu poder e dar ênfase na mensagem que almejou em transmitir, cria um plano para interromper todos os sistemas mecânicos do mundo, com exceção de hospitais e aeronaves. Mas isso já é o suficiente para fazer a “Terra parar” por algum momento. Pra mim, um castigo e um símbolo de dependência. O que somos sem energia elétrica? Se já era terrível que isso ocorresse nos anos 1950 com o que já existia da chamada Extensão do Homem, do teórico da comunicação Marshall McLuhan, imagine nos dias atuais?

Amo de paixão este clássico absoluto da ficção-científica. E a nova versão estrelada por Keanu Reeves e o filho do Wil Smith é melhor ignorarmos! O filme B adulto mais aclamado a transmitir uma mensagem real sobre a humanidade. Um dos melhores finais da história do cinema.

Ganhou um Globo de Ouro Especial por melhor filme a promover o entendimento internacional.


EUA/92 min.
PRETO E BRANCO/ FOX
DRAMA/FICÇÃO-CIENTÍFICA/SUSPENSE
       





TWENTIETH CENTURY FOX Apresenta
THE DAY THE EARTH
STOOD STILL
Estrelando: MICHAEL RENNIE    PATRICIA NEAL
Com:  HUGH MARLOWE    SAM JAFFE    BILLY GRAY   
FRANCES BAVIER    LOCK MARTIN
MÚSICA DE BERNARD HERRMANN
Diretor de Fotografia........ LEO TOVER  
Montagem........ WILLIAM REYNOLDS
Direção de Arte ......... ADDISON HEHR     LYLE WHEELER
Maquiagens ........ BEN NYE
Efeitos Especiais ...... Melbourne A. Arnold (robô) / Fred Sersen (fotografia)
PRODUZIDO POR JULIAN BLAUSTEIN
ESCRITO POR EDMUND H. NORTH Baseado num conto de HARRY BATES
DIRIGIDO POR ROBERT WISE
©1951 20th Century Fox

5 comentários:

Paulo Telles disse...

Saudações nobre Rodrigo!

Li sua matéria e vejo que vc deu um banho na minha, pois já dei palpite do mesmo no meu espaço FILMES ANTIGOS CLUB, rsrsrs. Brincadeira!

Rodrigo, este filme foi uma revolução nos anos de 1950, não só pelo seu fator tecnológico como também pela temática da fita, pois Hollywood nunca havia tratado o assunto da Guerra Armamentista. Este filme foi um divisor de águas, pois as opiniões de diversificaram e estávamos em Plena Guerra Fria, aliás, os EUA estavam em situação ainda mais crítica, pois não demoraria muito o seu Joseph McCarthy já iria iniciar sua caça nefasta às bruxas.

O elenco, hoje não muito conhecidos a não ser por nós que andamos a acompanhar seus vastos trabalhos, deram brilho a trama. Michael Rennie, como vc bem disse, fez diversos trabalhos em séries televisivas posteriormente e foi ator inglês contratado pela Fox. Um ator de classe e envergadura que não se tem hoje no cinema moderno.

Patricia Neal uma atriz de categoria e de vida particularmente sofrida, que mesmo ganho o Oscar nunca foi reconhecida. Aqueles de língua de cobra sempre falam que era amante de Gary Cooper, mas não vejo desta forma: ela foi mais mulher e esposa de Gary do que Veronica Balfe e o galã só não assumiu Patrícia pelas inconveniências da época. Mas eles se amaram e, por estas coisas do destino, Patricia se tornou amiga de Maria Cooper, filha de Gary.

A Refilmagem com Keanu Reeves foi dos atos mais absurdos que se pôde conceber nas telas, já que a fita original de Robert Wise tinha uma mensagem única e se firmou como clássico absoluto. Ignorável e dispensável o Remake.

Grande abraço!

Paulo Telles
Blog Filmes Antigos Club
http://www.articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/

Hugo disse...

É um clássico absoluta da ficção científica, com uma belíssima mensagem pacifista.

Robert Wise comandou outra ficção clássica que merece destaque, o ótimo "O Enigma de Andrômeda".

Abraço

Anônimo disse...

Adoro esse filme. Vi antes do remake com K. Reeves. A estética dele, em P&B, ficou perfeita. Demais!

ANTONIO NAHUD disse...

Olá, amigo, O FALCÃO MALTÊS está de volta ao antigo espaço/ blog.
Vamos voltar a trocar ideias cinéfilas?
Abraços
http://ofalcaomaltes.blogspot.com.br/

ANTONIO NAHUD disse...

Gosto desse filme. De longe muito superior ao remake.

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