LOUCO?
Um quarentão bem de vida, que gosta de beber e conversar, garante para todos que é acompanhado por Harvey, um coelho gigante de um metro e noventa de altura. Por isso, sua família quer interná-lo como louco.
Na onda dos filmes cult, eis mais um ótimo exemplar de minha coleção pessoal e que finalmente foi lançado em uma edição caprichada pela Universal Pictures e que por muitos anos não disponibilizava este que é mais um clássico estrelado por James Stewart (1908-1997) numa das mais brilhantes atuações de sua carreira também indicado ao Oscar em papel principal. Dirigido pelo artesão da era de ouro do cinema americano Henry Koster (1905-1988), e que, apesar de pouco conhecido (vem do cinema alemão até radicar-se em Hollywood), teve uma indicação ao Oscar de diretor por Um Anjo Caiu do Céu ( The Bishop´s Wife, 1947 - estrelado por Cary Grant).
O roteiro é realmente brilhante. O texto original ganhou o prêmio Pulitzer e foi interpretado em Londres por Stewart. E, além de ter sido indicado ao Oscar, Josephine Hull (1884-1957), que havia criado o papel da irmã na Broadway, levou o Oscar de coadjuvante. Stewart considerava este um de seus papéis preferidos. Em 1997, foi refilmado para a televisão também como "Harvey", lançado em vídeo cassete no Brasil, dirigido por George Schaefer e estrelado por Leslie Nielsen.
O que você diria de um homem de meia-idade que frequenta bares e nunca aparece alcoolizado propriamente e que adora apresentar para todo mundo seu companheiro inseparável: um coelho gigante e invisível? Há uma explicação, ele seria um pooka, personagem do folclore celta que representa uma espécie de espírito brincalhão que pode tomar diversas formas. Obviamente, todo mundo acha que ele é louco, porém inofensivo. Só que a irmã, no fundo uma boa alma, pensa em interná-lo num sanatório - numa confusão, ela é que acaba internada! - e o próprio diretor do lugar, o bonachão e querido ator característico Cecil Kelaway, é que fica acompanhado por Harvey.
Esta é a história simples, e, por isso, mesmo ainda tão eficiente, de um herói invisível, que não é visto nem sequer em sombra. O máximo que se aprecia de Harvey é um retrato que pintaram dele com Stewart. Talvez, por isso, ainda resista tão bem esta encantadora comédia, que transcende o mero teatro filmado por causa da presença magnética e até bonachona de Stewart; realmente em seu melhor momento (por mais que tenha tido excelentes experiências com Hitchcock e Frank Capra, em filmes icônicos). Com menos tiques por assim dizer, mais humanizado, dizendo tudo com a maior sinceridade é que o próprio Jimmy o considera seu melhor papel. Okay, depois de revê-lo em Blu-ray fiquei pensando que a sua estrutura teatral pode ter envelhecido um pouco, mas a fita é divertida, alegre e o melhor já feito sobre amigos secretos imaginários. E, assim sendo, "Meu Amigo Harvey" acaba se demonstrando como um filme libertário e sem moralismos - com final particularmente bonito - de tal maneira que a gente fica realmente até com a impressão de que não só Harvey existe como até a de que o vemos.
Comédia –Drama
1h 44 min.
Universal
★★★★☆
Universal
- International
Apresenta
Harvey
Estrelando
James
Stewart
Com
Josephine
Hull
Peggy
Dow
Charles
Drake
Cecil
Kellaway
Baseado
no Texto Ganhador Do Prêmio Pulitzer
De
Mary
Chase
Roteiro
de
Mary
Chase Oscar Brodney
Diretor
de Fotografia
William
Daniels
a.s.c.
Música
de
Frank
Skinner
Produzido
por
John
Beck
Dirigido
por
Henry
Koster
Harvey ©1950 UM FILME
UNIVERSAL





2 comentários:
Concordo que seja uma história simples e que os realizadores encontraram algumas boas soluções ao transpô-la à telona, mas sinceramente, os personagens de Stewart e Hull me irritaram até a alma e não consegui achar graça, nem me emocionar. Uma opinião impopular, mas enfim...
Cumps.
Respeito sua opinião.
Pra mim o filme consegue me envolver. Um clássico gostoso de assistir.
Abraço.
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