segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Mel Brooks | O Jovem Frankenstein (1974)

Em memória de 
GENE WILDER (1933-2016)

Ele está vivo na memória dos cinéfilos. Uma magia que somente o cinema pode ofertar. Fiquei realmente arrasado ao saber que havia morrido no dia 29 do mês passado, aos 83 anos, este que é um dos atores que tenho em minha predileção. Ator, roteirista, diretor, enfim, um exímio artista a serviço da sétima arte.


Gene Wilder pode não ter tido grandes sucessos de bilheteria, mas era um rosto gentil e familiar. Um comediante astuto que interpretou grandes papéis. Como esquecer do seu imortal Willy Wonka? O primeiro filme que vi dele e o mágico de oz da minha geração: "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (Mel Stuart, 1971) ainda um filme cult e emblemático. Como diretor, certamente seu filme mais comentado seja de fato "A Dama de Vermelho" (The Woman in Red, 1984), co-estrelado pela mulher nota mil Kelly LeBrook e famoso pela canção vencedora do Oscar "I Just Called to Say I Love You", de Stevie Wonder. Também não posso esquecer de citar sua primeira grande participação no cinema já no clássico "Bonnie e Clyde - Uma Rajada de Balas (1967, filme de Arthur Penn) e sua outra parceria de sucesso ao lado do também saudoso Richard Pryor (1940-2005): ("Um Sem Juízo, Outro sem Razão" - Another You, 1991 e principalmente  "Cegos, Surdos e Loucos" - See No Evil, Hear No Evil, 1989). Mas é sua associação nas comédias de Mel Brooks: "Primavera Para Hilter" (The Producers, 1968), "Banzé no Oeste" (Blazing Saddles - uma sátira do western) e principalmente este que irei comentar; "O Jovem Frankenstein" (Young Frankenstein - uma sátira dos filmes de monstros clássicos), ambos de 1974, seu maior triunfo. Não apenas como ator, mas roteirista. 

O Filme

"Young Frank" tem todos os ingredientes para se fazer rir e que a princípio possa parecer óbvio e infantil. Mas esta paródia totalmente rodada em preto-e-branco e dirigida por Mel Brooks em plena forma e criatividade é a evidência em película de como se deve fazer uma comédia verdadeira. Brooks é certamente o mestre e professor neste seguimento e principal precursor de sátiras de cinema que depois seria revisitada em filmes como "Airplane!" e "Todo Mundo em Pânico", citando alguns de distintas épocas.  


Desta vez (e sem dó nem piedade quanto ao politicamente correto) o clássico de Mary Shelley (uma das obras  mais revisitadas no cinema perdendo apenas para Drácula de Bram Stoker e que Brooks faria com Leslie Nielsen aquele que é seu último longa como diretor: "Drácula - Morto Mas Feliz", 1995) se transforma numa verdadeira visão da loucura com uma premissa escrita em formato de comédia de muito bom gosto e equilibrada, do prolífico de Brooks dentre suas outras obras que, de fato, apesar de cômicas, algumas delas são exageradas e por vezes escatológicas. O enredo é hilário e muito criativo. Ainda tentando se adaptar ao fato de ser neto do famoso Victor Frankenstein, o jovem neurocirurgião (meio "neurótico", desculpem o trocadilho) contemporâneo, lindamente interpretado por Wilder, Dr. Frederick Frankenstein, (que se pronuncia "Fronkunshteen",segundo nos dizem, aliás, uma piada que milagrosamente não chega a exaustão porque a cada tentativa de explicar seu nome, as caras e bocas de Gene valem a pena!), retorna ao castelo da família na Transilvânia (pasmem!). Com a ajuda do fiel corcunda Igor, o ótimo Marty Feldman (1934-1982), com os seus olhos esbugalhados, da bela moça do vilarejo Inga (Teri Garr, de filmes como "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" e "Tootsie" que é engraçada sendo sem graça) e da governanta Frau Bleücher vivida por Cloris Leachman, tão gloriosamente sinistra que continuou desempenhando personagens semelhantes em mais dois filmes de Brooks (e nunca esqueço dela fazendo a Vovó cachaceira em "A Família Buscapé"!), ele pretende recriar o trabalho pioneiro de seu ancestral na reanimação humana. Quem seria capaz de prever a reação entre a exageradamente penteada (e consequentemente excitada) noiva de Frederick, Elizabeth (a ótima Madeline Kahn), e o Monstro (Peter Boyle, provavelmente o melhor intérprete depois do próprio Karloff)?

Gene Hackman faz uma pontinha em que rouba a cena como um cego solitário que cai no erro de oferecer sopa quente (creio que a cena mais engraçada de todas!) e um charuto à criatura não adestrada e com medo de fogo. Sátira exclusiva retirada da continuação: A Noiva de Frankenstein, 1935. E que é ainda mais querido do que o original. Uma sequência com toques originais extraídos da imaginação de James Whale, um dos diretores mais subestimados da indústria

Filmado no mesmo castelo e com equipamentos de laboratório originalmente usados no clássico de Whale (1931  - o primeiro filme), a atmosfera em geral reverencial da fita é quebrada - no sentido positivo - pela sequência de canto e dança com a música "Puttin on the Ritz", da qual participaram tanto o Monstro quanto o médico. Ao mesmo tempo uma grande tolice, convenhamos, e uma homenagem séria, O Jovem Frankenstein foi indicado até mesmo ao Oscar nas categorias de Melhor Som (criado por Gene S. Cantamessa) e Roteiro Adaptado para Brooks e Wilder. Por mim, poderia ter sido indicado (e vencedor) de Melhor Filme porque é simplesmente um deleite não somente visual, mas de intelecto humorístico como poucos na história do entretenimento. 

Eis uma singela homenagem ao grande e eterno Gene Wilder que agora descansa em paz (R.I.P.) 



Estados Unidos
Comédia
1h 46 min
Fox
★★★★★


Twentieth Century Fox Apresenta
UM FILME DE MEL BROOKS
YOUNG
FRANKENSTEIN
ESTRELANDO Gene Wilder
Peter Boyle  Marty Feldman
Cloris Leachman  Co-Estrelando:Teri Garr
Também Estrelando: Kenneth Mars
E Madeline Kahn Como Elizabeth
Produzido Por Michael Gruskoff
Roteiro e Adaptação Para a Tela Por Gene Wilder e Mel Brooks
Baseado em Personagens do Romance “Frankenstein” de Mary W. Shelley
Música de..... John Morris
Fotografia de..... Gerald Hirschfeld
Dirigido por
Mel Brooks
Uma Produção de Gruskoff/Venture Films, Crossbow Productions Inc E Joucer Limited © 1974


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