segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Robert Fuest | O Abominável Dr. Phibes (The Abominable Dr. Phibes, 1971)


Terrir cult

Um gênio musical, que ficou desfigurado, inventa uma série de assassinatos terríveis, inspirados nas sete pragas do Egito, para cirurgiões que não conseguiram salvar sua mulher. 



o cinema fantástico tem seus adeptos. Eu sou um deles. Amo o gênero. E cá entre nós, somos brindados desde o início dos tempos, passando pelo Expressionismo Alemão, indo para os Estúdios da Universal em Hollywood e de volta à Europa com os ingleses da Hammer. Há vários exemplares que exploram sem "medo" comédia e horror. Este filme traz o que se tinha de melhor dos filmes americanos para drive-ins, e que fornecia aos jovens o gostinho de produções baratas, com os mais criativos filmes de terror, de sexo e ficção-científica, só que curiosamente, esta fita foi produzida para a família! Assim sendo, " O Abominável Dr. Phibes", por ser produzido pela American Internacional, dominante à época neste mercado, é o melhor exemplo deste período. E certamente o filme mais cult no assunto. 

Foi a AIP que fez os filmes  com motoqueiros, com a turma da praia (com Frank Avalon e Annette Funnicello) e com os quickies de Roger Corman, aliás, mestre em produções do tipo. Além de distribuir as produções de monstros japoneses a até russos. Foi através dela que chegou este cult de horror, tão bom que fez pensar numa espécie de "ressuscitação" do gênero. Em "Dr, Phibes", cria-se um personagem original, interpretado pelo indefectível VINCENT PRICE (1911-1993), que era ainda o último astro vivo do seguimento. Antes de tudo, Phibes é um exercício camp, ou seja, o kitsch, o cafona, usado intencionalmente. 

Tenho uma admiração pelos cenários. Tudo é em art-déco, como nos anos 20 e 30, com a utilização de músicas de época (clássicos tocados por uma orquestra de bonecos) todas apresentadas nos momentos apropriados para acentuar a ironia ou a gozação livre. 



[SPOILERS] 

Dr. Phibes reserva-nos várias surpresas. O protagonista é um organista internacionalmente famoso que, acredita-se, morreu carbonizado num acidente. O filme começa com um assassinato provocado por Phibes e sua assistente (Virginia North - conhecida pela sua participação num dos filmes de James Bond: A Serviço Secreto de Sua Majestade, 1969), a estranha Vulnavia, com requintes de sutileza. Esta primeira vítima será morta por morcegos. E assim por diante: Terry-Thomas no papel do Dr. Longstreet, terá todo o sangue de seu corpo retirado em vários frascos, uma enfermeira morrerá devorada por gafanhotos e outro por uma chuva de granizo dentro de seu carro. A polícia, desorientada, descobrirá finalmente o plano de Phibes - ele comete os assassinatos seguindo uma ordem determinada, igual às sete pragas do Egito. Isso para castigar aqueles que, segundo ele, mataram sua esposa, justamente uma equipe de médicos que nada pôde fazer para salvá-la. Os planos diabólicos de Phibes serão perfeitos. É o maior mestre desde Fu Manchu, mas muito mais sofisticado porque é lógico, trata-se da persona de Vincet Price. 
Em sua mansão, ele executa concertos de órgão e cria toda a mise-en-scène para os crimes e depois de cada um deles um boneco de cera é queimado. 

O promissor diretor Robert Fuest (1927-2012) nunca fez mais nada importante. Somente neste filme é que sua direção consegue o tom certo: o humor sutil (bem britânico por sinal), que não leva nada a sério mas que usa originalidade e mau gosto proposital para provocar horror. Mas ele é fiel aos temas clássicos, Phibes não deixa de ser uma variação do Fantasma da Ópera (sim, a premissa semelhante citada acima não era mera coincidência) e, no fundo, uma sensacional comédia (Price conclui o filme depois dos letreiros, dando uma risada sarcástica. Sua marca registrada só que menos alta, diferente da famosa risada ouvida no videoclipe de Michael Jackson, Thriller). 

Price, continuaria trabalhando ativamente depois deste filme e com sucessos até sua morte sendo que seu último grande trabalho foi no memorável filme de Tim Burton em Edward Mãos de Tesoura (1990). O diretor, no entanto, depois do sucesso merecido do primeiro, realizou uma continuação lamentavelmente inferior: A CÂMARA DE HORRORES DO ABOMINÁVEL DR. PHIBES (Dr. Phibes Rises Again, 1972) também com Price adicionando outro nome importante, o ator Peter Cushing



Inglaterra
Comédia – Terror
1h 34 min
★★★☆☆

JAMES H. NICHOLSON & SAMUEL ARKOFF 
Apresentam

VINCENT PRICE

JOSEPH COTTEN

IN

T H E  A B O M I N A B L E
DR. PHIBES
© 1971 American Internacional Productions (England) Limited. All Rights Reserverd

TAMBÉM ESTRELANDO
HUGH GRIFFITH
E
TERRY-THOMAS

COM PETER JEFFREY  AUDREY WOODS

E APRESENTANDO
VIRGINIA NORTH como Vulnavia

Diretor de Fotografia NORMAN WARNICK

Música de BASIL KIRCHEN & JACK NATHAN

Desenho de Produção BRIAN EATWELL

Roteiro JAMES WHITON & WILLIAM GOLDSTEIN

Produzido por
LOUIS M. HEYWARD
&
RONALD S. DUNAS

Direção
 ROBERT FUEST


3 comentários:

Hugo disse...

É um clássico do terror B.

Fazendo um comparação maluca, diria que além do "Fantasma da Ópera", o Dr. Phibes lembra o Jigsaw de "Jogos Mortais" na criatividade dos assassinatos.

Legal a citação a Terry Thomas, comediante inglês famoso nos anos sessenta por filmes como "Os Perigos de Paulina" e reconhecido pelo sorriso de vilão cínico.

Abraço

Rodrigo Mendes disse...

"Jogos Mortais" sadicamente, de fato, faz ressoar Dr. Phibes. diferença é que Vincent Price é mais elegante que Jigsaw. rs

Abraço.

Bússola do Terror disse...

Realmente, o nível de humor é bastante sutil. Não é aquela coisa feita pra gente rir escancaradamente.rs Mas principalmente a forma como as coisas acontecem (você vê que na vida real aquilo nunca poderia acontecer da forma como é mostrado no filme) dão esse toque de humor sutil.