sábado, 24 de dezembro de 2016

ESPECIAL ANUAL: LISTAS

FILMES E SERIADOS DE 2016

É chegada a hora de fazer a tão tradicional lista de melhores e piores do ano. Foram muitas obras audiovisuais ao longo de 2016. Um ano difícil, mas na qual o escapismo da sétima arte sempre se faz presente e necessário. Foi um ano também de muitas alegrias, afinal, sempre existe o lado bom da vida (sem trocadilhos com a fita de David O. Russell). Desta vez resolvi incluir também algumas séries, seja feita originalmente para a televisão ou streaming. É bom ressaltar que muitos dos filmes que poderiam constar na lista só não estão pelo fato de não ter tido tempo para conferi-los, o que é claro, não seja também uma justificativa. Talvez poderia ter apreciado (ou odiado) o novo filme do Woody Allen, Café Society, ou até mesmo o coreano "Invasão Zumbi", um gênero pelo qual tenho predileção.

Felizmente, a lista é abrangente  com os melhores e não com os piores. Não existe preferência se um filme é o primeiro listado e o outro o último. É apenas uma lista constando uma revisão geral do que assisti. Filmes e séries que me chamaram mais atenção pelos seus próprios motivos. Algumas surpresas, decepções, expectativas cumpridas e até mesmo descumpridas. Então, vamos lá?

Os Melhores:

#1.  Elle 
Diretor: Paul Verhoeven
★★★★★

Não apenas sou fã assumido do cineasta Paul Verhoeven (vide aqui) como também "Elle", que significa Ela em francês, era um dos filmes que mais aguardava para 2016. Assisti numa sessão especial na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e fiquei boquiaberto com tamanha coragem e maestria de sua protagonista, Isabelle Huppert em um filme provocador e que toca na ferida da tão falada cultura do estupro. Um filme questionador: o que é violência, desejo? Onde começa um e termina o outro? Instigante e sensitivo. Elle é arrebatador! 

#2. A Chegada
(Arrival )
Diretor: Denis Villeneuve
★★★★★

Eis um dos filmes mais inesperados na minha avaliação. A pouco tempo acompanho a carreira do cineasta Denis Villeneuve e desde "Sicario" e depois "Suspeitos" é que as suspeitas se confirmam: ele é bom mesmo! E tem ainda o mirabolante "Enemy" (da obra de Saramago) em sua filmografia, o glacê deste bolo. No entanto, a cereja é certamente "Arrival" uma experiência que, em matéria de ficção-científica, apresenta várias camadas. Igualmente corajosa, inteligente, misteriosa e emocionante. Um filme que estava em falta no gênero. Felizmente Villeneuve acabou com a carência e entrega algo para ser revisto muitas vezes. O novo Blade Runner está em boas mãos. É chegada a hora de pegar um cineminha se ainda não foi.


                                           #3. Aquarius 
 Diretor: Kleber Mendonça Filho
★★★★★


Polêmico. Sócio-político. Orgulho de ser um produto nacional. O diretor Kleber Mendonça Filho já vinha discutindo tudo isso em seu igualmente genial "O Som ao Redor".  Com personagens recifenses, característica que o cineasta traz de berço, seus filmes são na verdade um alerta de como o mundo é em cada canto do planeta. A mesquinharia, a desigualdade, enfim, coisas que ele gosta de abordar. O diferencial deste se volta para as memórias. Sonia Braga (palmas para ela) despida de corpo e alma e no auge da carreira aos 66 anos em plena forma emocionando a cada palavra terna proferida por sua Clara. Seus belíssimos cabelos (marca registrada da atriz) e toda uma luz que a mesma consegue extrair de sua personagem lindamente. Aquarius é ainda muito mais Cinéma Pur do que "Som". Temos aqui um cinema de autor.

#4.  A 13ª Emenda 
(13th – Documentário) 
Diretora: Ava DuVernay
★★★★★

Outro exemplo dos bons é este documentário. Classifico como o melhor doc. do ano. Não há dúvidas. Ava DuVernay, diretora do aclamado Selma, em parceria com a Netflix,  faz um registro de suma importância. O mundo precisa assistir a este filme urgentemente. Eis "um olhar profundo sobre o sistema prisional nos Estados Unidos e como ele revela a história de desigualdade racial do país".


#5. Anomalisa 
(Idem, 2015 )
Estreou no Brasil: 28 de Janeiro de 2016   
Diretores : Charlie Kaufman e Duke Johnson 
★★★★★

Corajosa e autêntica animação. Baseada numa peça escrita por Francis Fregoli que é na verdade o próprio Charlie Kaufman! Tudo feito em stop-motion, mas parece coisa de outro mundo já que os dramas são muito bem humanizados. É sobre este cara, Michael, que é um palestrante motivacional em crise existencial. Todos ao seu redor têm a mesma voz e isso o incomoda profundamente. Quando conhece Lisa, uma mulher misteriosa, com a voz impactante e sensual de Jennifer Jason Leigh, o faz pensar seriamente em abandonar a esposa. Com apenas três atores no elenco, os protagonistas são vividos, na voz, por David Thewlis e  Leigh, mas todos os demais, incluindo mulheres, é a voz do ator Tom Noonan! Kaufman é de fato um roteirista, autor, exótico. Este trabalho é muito além do que pessoalmente poderia imaginar. Por vezes esqueço de que estou assistindo a uma animação de tão realista. Moralmente, apaixonadamente, demasiada humana, é esta obra chamada “Anomalisa”. Um primor. Com direito a cenas de sexo, nudez frontal e palavras de baixo calão. Uma graça. Recomendado para adultos.


#6. Capitão América: Guerra Civil
(Captain America: Civil War )  
Diretores: 
Anthony e Joe Russo
★★★★


Gostaria de ter tido tempo para conferir Doutor Estranho, mas este ano a Marvel compensou com "Guerra Civil", terceiro filme do Capitão América que é mais um Vingadores 3.1. Muito divertido ao estilo familiar de matiné. Com uma das participações mais felizes dos últimos anos, obviamente refiro-me ao Homem-Aranha, agora vivido pelo ótimo Tom Holland. A Marvel só ganha mais e mais estrelas no meu conceito.  


#7. Rogue One: Uma História Star Wars 
(Rogue One)
Diretor: Gareth Edwards
★★★★


Leia a crítica aqui. Um fã é sempre suspeito. Não irei me alongar e já falo tudo o que penso a respeito na crítica. Rogue One traz de volta toda a nostalgia. É um filme dedicado aos fãs e uma dolorosa história de sacrifício. Nem preciso dizer o quanto aguardava por ele em 2016... "A força está comigo e eu estou com a força". 


#8. Os Oito Odiados 
(The Hateful Eight, 2015 )
Estreou no Brasil: 7 de Janeiro de 2016   
Diretor: Quentin Tarantino
★★★★


Não é correto dizer que este filme é apenas um faroeste e ponto. É um misto de comédia e suspense macabro Tarantinesco do início ao fim para os adoradores e pacientes (o filme é longo). Personagens brilhantes e seus codinomes (e seus verdadeiros nomes), banho de sangue a gosto do freguês, monólogos fantásticos, trilha genial do mestre Ennio Morricone, claustrofobia e paisagens belíssimas filmadas em 70mm. O Inverno chegou, fellas! 

A oitava fita de Tarantino foi um brinde à parte.  Crítica completa aqui

#9. Dois Caras Legais
(The Nice Guys)  
Diretor: Shane Black
★★★★

Este aqui é uma grata surpresa. Saudades de um bom filme policial com toques de humor negro. E o roteirista e cineasta Shane Black é especialista nisto. É dele a autoria da série Máquina Mortífera, dirigida por Richard Donner. Altas risadas! Não somente pela sutileza de certos momentos, mas também por ser assumidamente explícita e escrachada. Fez-me rir alto e não somente uma vez. Me lembrou a série "Starsky e Hutch" só que muito mais criativa. Crowe e Gosling provando que podem ser legais. Esses caras clamam por continuações e já quero!


                                            #10.  Julieta 
 Diretor: Pedro Almodóvar
★★★★★


O 20º Filme de Almodóvar só poderia ser sobre mulheres (leia a crítica completa aqui). O diferencial de “Julieta” é que dentre todas as fitas de sua obra é um filme mais distante, frio e doloroso. A paleta de cores continua lá, mas não senti ser um filme vibrante, tampouco evita o humor mesclado ao melodrama. No entanto, eis um roteiro bem escrito e uma trama muito bem dirigida, embora tenha sacrificado demais o final em minha opinião justamente no momento em que gostaria de saber mais. É também um filme de narrativa mais lenta. Um Almodóvar para os impacientes. Mas, há detalhes que fazem dele um diretor especial quando vemos um close em um objeto envolto a um saco bolha e já nota-se que através daquele item existe muita história e uma analogia ao grande amor da protagonista (interpretado pelo galante Daniel Grao) ...assim como nos livros, nas cartas e nas fotografias rasgadas. É um filme sobre a incomunicabilidade e as consequências que podem tragicamente ocorrer entre mãe e filha. Agora eu entendo porque o título anteriormente se chamaria “Silêncio” um dos contos escritos por Alice Munro (os demais são “Destino” e “Logo”). Mas, “Julieta” é um título que tem mais características Almodóvar e Adriana Ugarte assim como Emma Suárez fazem lindamente essa mulher depressiva e angustiada. Adoro, por exemplo, a mudança da passagem do tempo...quando as atrizes trocam de cena debaixo de uma toalha de banho. Um legítimo (e diferente) Almodóvar.

#11. O Regresso 
(The Revenant, 2015 )
Estreou no Brasil: 4 de Fevereiro de 2016 
Diretor: Alejandro G. Iñárritu
★★★★

Visualmente delirante e visceral. Iñárritu, Di Caprio e a tarefa hercúlea que merece ovação. Uma selvageria sem fim... em um século onde a exploração de terras e a caça era a principal fonte de renda. Leonardo DiCaprio é um destes exploradores que comanda uma ação frenética pelo rio Missouri. No local ele acaba sendo atacado por um urso numa das cenas mais memoráveis. Completamente “morto”, seus colegas, em vez de o ajudarem, o deixam à própria sorte nas mãos de um homem inescrupuloso interpretado por Tom Hardy. Mas, é claro que Leo sobrevive e tem uma nova chance. Um novo respiro. E pretende realizar a sua vingança. Sim é um drama sobre sobrevivência e a clássica premissa de vingança com digressão em meio à ação principal que denota a perda da família (sonhos e delírios) e com ares de aventura e cenas repletas de suspense. Nada de novo em termos de roteiro, mas excepcionalmente envolvente em sua concepção cênica e técnica. O trabalho de câmera é algo que enobrece o filme. Além do mais, é bastante sensorial e a trilha musical de Ryûichi Sakamoto e Alva Noto é algo que não ouvia há tempos. Recomendo. Para ser visto numa tela gigante!

#12. Star Trek: Sem Fronteiras 
(Star Trek Beyond )
 Diretor: Justin Lin
★★★★★


"Espaço: a fronteira final. Estas são as viagens da nave estelar Enterprise. Em sua missão de cinco anos... para explorar novos mundos... para pesquisar novas vidas... novas civilizações... audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.” Graciosamente, eis um filme que faz um daqueles serviços ao fã. “Sem Fronteiras” é de longe o mais divertido, episódico e eletrizante filme da franquia desde o seu retorno pelas lentes de J. J. Abrams que sabiamente assumiu o posto de produtor e deixou trekkers assumirem o posto. A direção é de Justin Lin, de sucessos como “Velozes e Furiosos” e o roteiro é do maior nerd que conheço nos últimos tempos, Simon Pegg.

As cenas de ação são épicas, em grande escala, o vilão Krall de Idris Elba não é o típico personagem com remorso (já basta ser um trágico por natureza, aqui não tem vilão traumatizado) e Sofia Boutella, que já foi vilã no sucesso “Kingsman: Serviço Secreto” (lembram daquela mocinha com pernas de aço?) entra para a tripulação e me faz lembrar de Illia (Percis Khambatta). 


Há diversas referências, mas o final chega a ser emocionante. Sim e não vou contar... Um brinde aos ausentes da tripulação (os saudosos Leonard Nimoy e Anton Yelchin) e obrigado, Paramount, por fazer parte de tempos tão nerds!



#13. Deadpool 
 Diretor: Tim Miller
★★★★


Com ótimas tiradas cômicas politicamente incorretas, passando por piadas gays, sexistas, machistas e escatológicas, mas que fique bem claro: palavrão é feio em boca de gente feia! O filme é uma delícia. Muita ação, comédia desmedida, referências ligeiras, passando por filmes como "Curtindo A Vida Adoidado", “X-Men”, enfim, nem mesmo Seth MacFarlane faria tão bem as inúmeras gracinhas e citações do universo pop dos anos de 1980. Olha, este “Deadpool” do Ryan Reynolds e do diretor Tim Miller é um achado diferente em meio a tantos filmes de super-heróis. Um pouco na linha de "Kick-Ass". Uma bem humorada diversão pipoca. Reynolds é tão de boa neste papel. Caiu para o ator como uma luva. Sem dúvida a salvação de sua carreira e o mesmo tira sarro de si referindo-se em alguns momentos o mico que foi aquele “Lanterna Verde”. Este filme é do caralho! Pode voltar a fita!

#14.  Creed: Nascido Para Lutar 
(Creed )
Estreou no Brasil: 14 de Janeiro de 2016 
Diretor: Ryan Coogler
★★★★★


Um ajuda o outro a lutar. Emocionante. Entendo o motivo das pessoas irem as lágrimas com este filme. Stallone, quando interpreta Rocky Balboa, se transforma. Sutilmente um baita ator. A direção, também, merecia uma indicação ao Oscar. Ryan Coogler faz a mesma coisa que J.J. Abrams em "Star Wars - O Despertar da Força", ou seja, contextualiza uma franquia de sucesso para os dias atuais, aliás, faz algo ainda mais interessante, traz o boxe ao negro. Aliás, o esporte sempre teve grandes protagonistas negros. Ele faz isso de maneira exemplar reutilizando a trilha sonora original de Rocky no momento certo e brincando com ela. Longe do piegas e do lugar comum, "Creed" voa alto. Uma pena que não teve mais indicações, inclusive de Melhor Filme, também. Assim como, ator principal para Michael B. Jordan e Trilha Musical. As cenas no rinque são um verdadeiro exercício de direção de cinema. É um filme que, em suas sutilezas, entrega algo muito especial, nostálgico e ao mesmo tempo, inteligente.


#15. O Convite 
(The Invitation, 2015 )
Disponível Online: Março de 2016  
Diretora: Karyn Kusama
★★★★★

Se for um suspense que almeja, este filme lhe faz um convite. Tudo parece normal e a primeira hora de filme é chato. Apenas um jantar de confraternização para espantar fantasmas do passado, mas a diretora Karyn Kusama dos ótimos "Garota Infernal" e "Boa de Briga", faz dos 20 e poucos minutos finais o motivo do filme ganhar cinco estrelas em minha avaliação. Não vou dizer mais nada para não estragar a surpresa. É ver para crer. Bom jantar.


#16. Ave, César!
(Hail, Caesar! )
Diretores: Ethan Coen e  Joel Coen 
★★★★


Comédia rasgada, inteligente, deliciosa, dos Irmãos Coen. Hollywood por Hollywood, segundo os Coen! Não tem jeito, sou um apreciador de filmes sobre filmes...mas esta misteriosa comédia tem algo a mais. Participações de superastros ligeiramente brilhantes. Nunca ri tanto numa sessão!


SÉRIES

#1. História de Horror Americana: Roanoke

(American Horror Story: Roanoke – 6ª Temporada)  
Criadores: Ryan Murphy e Brad Falchuk
★★★★★


“O pesadelo deles foi o nosso sonho”. Eis que Brad Falchuk e Ryan Murphy recriam a própria criação. Com um número de episódios reduzidos nesta temporada, felizmente “AHS Roanoke” se estabelece como a temporada mais envolvente e assustadoramente recíproca comparada com as anteriores. O mais acertado é justamente a sua inteligente metalinguagem que articula o medo num outro patamar. Tudo fica mais “real” com a hibridização de gênero e mídia. É reality show com duas temporadas, falsos documentários para TV, internet (redes sociais e participação de fãs) e ficção, com a maldita câmera nervosa à la Dogma 95! Desta vez eles saíram de sua zona de conforto na qual a série já vinha se perdendo. Por ter se renovado e conseguido com maestria, AHS merece estar na minha lista. 


#2.  The Get Down 

(Idem – 1ª Temporada)  
Criadores: Baz Luhrmann  e Stephen Adly Guirgis
★★★★★

Em algum momento da série é dito que o Bronx tem a melhor visão de Manhattan diferente dos bairros nobres que não conseguem ter a mesma visão da cidade de Nova York. Isto mexeu comigo. Foi aí que “The Get Down” me pegou de jeito. Mais uma maravilhosa série produzida pela Netflix ambientada durante a bomba relógio da década de 1970 que foi precisamente o ano de 1977. Uma comunidade à beira do caos, da falência, dos traficantes, dos grafiteiros correndo da polícia e é claro dos políticos oportunistas. Uma época que não tinha internet (estreava “Guerra Nas Estrelas”) e que o movimento negro e do Hip-hop estava em plena ascensão deixando a era da Disco no passado. Finalmente Baz Luhrmann deixa de lado sua direção desvairada e realiza um primeiro episódio que foi continuado lindamente por outros diretores e criado também pelo ator e roteirista Stephen Adly Guirgis (de “Big Apple” e “Nova York Contra o Crime”). O elenco é maravilhoso e vale muito a pena conferir mais uma emocionante, e agora dançante, produção Netflix. Não sou bom em rimas. Só sei que The Get Down transporta você no tempo em que o vinil e a fita K7 valiam mais do que o seu medíocre pen-drive com trocentas músicas baixadas de efeito.

#3 Westworld
(1ª Temporada ) 
Criadores: Jonathan Nolan e Lisa Joy
★★★★★


 Baseado no filme Cult de 1973 escrito e dirigido por Michael Crichton, autor de “Jurassic Park”, esta é mais uma boa surpresa do ano. Outra produção classe A da HBO. Se o filme tratava de um futuro distópico daquele ponto de vista, afinal foi produzida na década de 70, a série desenvolvida pelo irmão do cineasta Christopher Nolan (e que numa brincadeira dos fãs se revelou o Nolan certo) e por Lisa Joy (esposa de Jonathan e roteirista de séries como “Burn Notice”, mas sendo esta sua grande estreia) é ainda mais genialmente pensada no quesito roteiro. É impressionante a desconstrução de personagens, os plot twist, cada arco, cada núcleo, quebra de expectativas, surpresas. Por mais que a série te faça crer na obviedade e que, de fato, algumas peças do quebra-cabeça soem não muito “inteligentes”, aparece uma nova revelação. Minha cabeça ficou um caos, mas valeu a pena. Certamente nas revisões, sobretudo quanto aos primeiros episódios, a trama se apresente de outra forma: “Nossa! É verdade, olha lá... como não pensei nisso antes”. Westworld tem a mágica de deixar o espectador atento, fitado na tela. E não precisa ser propriamente um fã de western e ou/ de ficção-científica. Os dramas são envolventes e milimetricamente pensados nos mínimos detalhes. É basicamente uma história parente de obras como: “1984”, “Alphaville”, “Blade Runner”, “Brazil”, “Fuga de Nova York” e com o terço da loucura de “Clube da Luta”. Nada é o que parece. Mergulha fundo no assunto Simulacros e Simulação, de Baudrillard, já visto na trilogia “Matrix”. O parque tem uma pegada de “Jurassic Park” na qual Crichton coloca seres humanos em um ambiente aparentemente controlado, simulando suas experiências, só que ao invés de se divertirem observando animais pré-históricos vivos num safári futurista, os convidados interagem com robôs de inteligência artificial, chamados de anfitriões, para viverem narrativas reais de aventura, violência e sexo (e parece que ser roteirista no futuro não seja necessário ter um bloco de anotações ou computadores). Lembrou-me um pouco de outra obra igualmente bizarra; “A Ilha do Dr. Moreau”, de H. G. Wells, afinal de contas, com o passar dos episódios, a trama caminha para um gênero terrificante. Outro ponto é de como nós somos capazes de estendermos nossas características humanas imperfeitas em tudo que criamos. É evidente como não existe tecnologia suficiente para deter seres artificiais tão complicados, por dentro e por fora, e que é certo de que alguma hora o cérebro entra em pane. Os anfitriões são bem parecidos com os replicantes de Blade Runner neste aspecto. Em instância, Westworld é uma das obras mais bem escritas na história da televisão nos últimos anos. Abuso de poder, liberdade, ilusões. O que somos capazes de fazer para sustentar a fantasia de um mundo imaginário? E é aí que se destaca o mais fodástico do elenco: Anthony Hopkins, que está soberbo. “Dubito, ergo cogito, ergo sum”. É imprescindível que você não perca Westworld!

#4. Stranger Things 
Idem – 1ª Temporada)
Criadores: Matt Duffer e Ross Duffer
★★★★★
   
E, de repente, a Netflix se lembra do meu aniversário e me presenteia com esta belezinha. Sucesso unânime da rede segundo aqueles, assim como eu, curtiram e se emocionaram com as lembranças de sua infância. Um elenco infantil extraordinário. Foi uma série que instigou a imaginação do garotinho que continua vivendo dentro de mim. Envolvente, assustadora e criativa. Coisas estranhas aconteceram e nunca fui tão feliz. Ainda recomendo a todos. De Poltergeist à E. T. O Extraterrestre, passando por ITConta ComigoOs Goonies e The Thing. Diversão garantida. Seria como se estivéssemos brincando de RPG e cubo mágico. 


#5. Game of Thrones 
(6ª Temporada) 
Criadores: David Benioff  e  D. B. Weiss 
da obra de: George R. R. Martin
★★★★★


Grande retorno da série. Depois de alguns episódios enfadonhos da temporada passada, a HBO resolveu de vez concluir arcos que pareciam inacabados e completamente esquecidos (alguns deixados até mesmo lá na Terceira Temporada). Foi um verdadeiro fan service com aquele gostinho de vinho sabor vingança...okay, ela deve ser servida fria, mas GoT é como vinho tinto e a violência nunca explodiu tanto na telinha. George R. R. Martin mostra a verdadeira natureza humana com essa série e todos os limites possíveis dos jogos pelo poder na política e na religião. Os dois últimos episódios dirigidos por Miguel Sapochnik me deixaram sem sono. O que foi aquela sequência maravilhosa da Guerra dos Bastardos e todo o desfecho em Porto Real? Sem contar no já emocionante “hodor” que acabou comigo! Excelente. Não mudaria nada em nenhum episódio... Kit Harington (Jon Snow) finalmente se mostra um bom ator e Maisie Williams, a nossa querida Ayra Stark, me representa. Aguardo ansiosamente pela sétima temporada, óbvio.


#6. Black Mirror 
Idem – 3ª Temporada) 
Criador: Charlie Brooker
★★★★★

Confesso que conheci a série neste ano de 2016 e devorei as duas primeiras temporadas fazendo uma maratona daquelas! Embasbacado com as tramas em formato de contos de cada um dos episódios, não poderia deixar de listar a Terceira Temporada desta sensacional saga da relação humana vs. tecnologia. Nem tudo que reluz é ouro e o futuro é "luminoso".


#7. Demolidor 
(Daredevil – 2ª Temporada) 
Criador: Drew Goddard
★★★★★

 A Marvel é mesmo um bolo de chocolate. Uni duni tê a melhor série do ano foi você! O diabo veste vermelho novamente e retorna a vigilar Hell´s Kitchen nesta empolgante segunda temporada. Charlie Cox como Matt Murdock/Daredevil é uma das escolhas mais acertadas Ainda com mais ação e personagens, a temporada não sai da linha. Existem duas grandes premissas paralelas; a jornada de vingança de Frank Castle, “O Justiceiro” e o destino de Elektra Natchios, uma misteriosa mulher que tem laço romântico no passado do herói. Grato e satisfeito por testemunhar tamanha qualidade dramática e técnica em nível épico nas séries e filmes que abordam o universo tão rico e criativo dos super-heróis das histórias em quadrinhos. É A ERA NERD dominando!

#8. Narcos
(2ª Temporada) 
Criadores: Carlo Bernard, Chris Brancato e Doug Miro
★★★★


Finalmente o arco de Pablo Escobar é concluído com episódios mais sanguinolentos e também repletos de suspense em meio ao caos terrorista nas favelas de Medellin com a suntuosa guerra entre os cartéis colombianos. Wagner Moura (inclusive com um espanhol impecável e jeito bonachão perfeito, por mais que seja um psicopata irremediável) entrega um homem não apenas soberbo e violento, mas alguém encurralado vendo seu poder se esvaindo e seus homens em menor número. É também um Escobar que ama a família incondicionalmente. Há momentos em que a série vai num ápice, principalmente quando a facção “Los Pepes” entra em cena deixando um rastro de pavor. É cobra comendo cobra. O exército e polícia em conchavo com traficante. O sofrimento de um povo, porque na história da humanidade, a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco. É uma temporada de caçada humana. No geral, não me ‘pegou’ tanto como a Primeira Temporada, mas nada que também tenha me desagradado e pela qualidade evidente, merece listar aqui. 

Senti, talvez, a mão de José Padilha na direção. Pra mim daria um ótimo filme policial de 2 horas. Nas palavras de Escobar: "Gostaria de morrer de pé, no ano de 3047". Só sei que; “Quem tudo quer nada tem”. A lei da vida.




AGORA É HORA DE LAVAR A ALMA COM OS MAIORES ERROS AUDIOVISUAIS DO ANO!!!

Os Piores:

#1. Esquadrão Suicida 
(Suicide Squad)
 Diretor: David Ayer
☆☆☆☆

O maior embuste do ano. A DC deveria ser a sigla atual de Desgraça Comics.  Passado o boom dos trailers, eis que se confimou um dos piores trabalhos da DC-Warner em muitos anos. Na verdade, “Esquadrão Suicida” acaba sendo uma imensa decepção não somente pelos erros técnicos visuais e de roteiro, mas por ser um filme que covardemente procura se equiparar ao seu rival Marvel (qualquer filme em especial). Apaga sua personalidade fúnebre e sombria num filme esquemático que desesperadamente almeja ser sarcástico a todo o momento. Até quando a DC irá ficar a sombra da Marvel? Ou eles seguem a risca e apostam fielmente em seu estilo – que é completamente oposto – ou continuarão atolados na merda com filmes irregulares como “Batman VS Superman” - este último que já tinha sido a gota d'água e que está logo mais abaixo na lista.  

O roteiro é desastroso no que se propõe como tramas de origens com uma infinidade de personagens apáticos, cenas de ação excessivas e uso abusivo de uma maravilhosa, diga-se, porém mal utilizada trilha musical que tenta tapar os buracos. O lance é que o diretor David Ayer, de filmes sérios e com grandes pesos dramáticos, acabou sendo obrigado a mudar completamente o tom de seu filme devido ordens da gerência. Isso é extremamente visível e a fita nunca irá cicatrizar a falha. Ele não tem o estilo “alívio cômico” em seu trabalho, aliás, seu último filme antes desse, o ótimo “Corações de Ferro”, exemplifica o que digo (além de ter escrito o roteiro de um dos filmes mais sombrios com Denzel; “Dia de Treinamento”, de Fuqua). Portanto, obrigá-lo a massacrar um filme que já tinha sido concluído, mudando cenas, reeditando, criando versão estendida, enfim, foi a ruína! E quanto ao Joker? Totalmente desnecessário e uma das interpretações mais preguiçosas de Jared Leto. Olha, desculpem o trocadilho, mas esse filme não deu liga! Rogue One é o esquadrão suicida que deu certo.

#2. Batman vs Superman: A Origem da Justiça
(BvS: Dawn of Justice)
 Diretor: Zack Snyder
★★☆☆☆

Um pouco de decepção faz parte da vida. Um dos filmes mais esperados do universo dos heróis das HQ´s é na verdade um filme esquecível. Compreendo que é um desafio realizar em live action uma trama convincente com duas figuras antagônicas e das mais populares entre os personagens da DC comics que pode funcionar nos desenhos animados (o clássico de minha infância, por exemplo, era a série animada "Super Amigos") e nos quadrinhos. Um projeto que necessitava de um cineasta mais cerebral, cuidadoso, experiente, dinâmico, perfeccionista. Novamente, e não foi uma surpresa, Zack Snyder repete os mesmos efeitos de slow motion e outros cacoetes que ao menos para mim nunca funcionaram em sua obra (exceto na sequência de créditos de " Watchmen - O Filme"), mas, de novo? Sim. De novo e de novo ele cansa a minha beleza e pratica a mesma coisa, sempre! Ô saco! Snyder e seus sestros! Tais vícios de linguagem de um diretor que não me apetece. Não veria problemas, por exemplo, em “linkar” o Batman (Trilogia dirigida por Christopher Nolan) com este ambicioso universo cinematográfico DC que ainda carece de melhor qualidade no roteiro. 

Vou fazer uma confissão do que gostei, embora não ajudem tanto a salvar o filme: não é culpa do elenco e nem dos efeitos especiais e sonoros, diga-se (pelo menos a trilha musical do mestre Hans Zimmer com Junkie XL valem o ingresso) que são bem feitos e satisfazem os adoradores das explosões frequentes do bom cinema pipoca. Jesse Eisenberg é o que tem de melhor no filme e rouba todas as cenas como o adolescente gênio Lex Luthor criador da LexCorp a ponto de reintroduzir com maestria o que parecia impossível superar o talento clássico de Gene Hackman dos filmes originais. E, a aparição especial da Mulher-Maravilha (que poderia ser um segredo do estúdio até a exibição do filme) é um charme a parte. Não vejo problemas de o Ben Affleck assumir o papel de Batman/Bruce Wayne - mesmo se a intenção fosse fazer a união com os filmes de Nolan e que infelizmente não aconteceu – ele o faz lindamente e, desculpem, supera Christian Bale. Tampouco, Henry Cavill que nunca decepciona como O Homem de Aço. E, finalmente, sendo tratado como um Deus, detalhe importante que ainda não tinha visto com tamanha seriedade nos filmes e seriados do “capa vermelha”.O problema maior, e que eu já temia, era ser uma continuação direta de “O Homem de Aço - Man of Steel”, 2013 (não que este filme seja totalmente irregular, e ainda recebe uma nota regular) a ponto de fazer uma reapresentação ligeira do Batman. O resultado é um tanto aborrecido. Outro aborrecimento é a sensualidade descabida de Cavill com Amy Adams ,Lois Lane, mesmo que em poucas cenas (a da banheira é constrangedora ). A participação de Alfred (Jeremy Irons) é estranha e certamente de todo o elenco é o mais deslocado. Felizmente, Holly Hunter, faz um belo trabalho como a Senadora Finch que ousa desafiar Luthor (com os melhores planos diabólicos que mentes inferiores não são capazes de entender). E a batalha final, assim como o esperado embate de B e S não é tão horrorosa assim. Só que ainda temo pelos filmes da "Liga da Justiça" que continuam com a batuta de Snyder que se submete a fazer meros escapismos sem uma linguagem apropriada e inteligente. 

Um filme de ação e aventura não necessita apenas da grandiloquência dos efeitos especiais e das repetições de belas imagens criadas unicamente para impressionar o público e, assim, preenchendo lacunas vazias e resultando em digressões que prejudicam uma boa ideia da premissa principal. Não. O roteiro e principalmente o discernimento de um diretor são a base que equilibra o todo. Ou seja, neste caso, a escala de um filme épico. Alguém tem que ir até os estúdios Warner, tocar a campainha e dizer para ele: “Zack, amigão, convenhamos, você adora impressionar os impressionáveis, né não? Será que você dá mesmo o sangue para fazer um filme? Aliás, Zack, você sangra?”




#3. Independence Day: O Ressurgimento
(ID: Resurgence)
 Diretor: Roland Emmerich
☆☆☆☆


Infelizmente “ID:R” não entra na minha lista dos filmes “Guilty Pleasures” (Prazer Culposo – aquele filme que é ruim mas é gostoso de assistir várias e várias vezes). O primeiro filme de 1996 que já é um clássico da diversão do cine pipoca não era exatamente uma obra-prima e apesar dos mesmos furos de roteiro e piadinhas gratuitas como nessa continuação, ao menos se concentrava em manter o suspense de um ataque alienígena nunca antes visto. Também pelo fato de ter sido inédito e os criativos efeitos especiais na época serem atrativos resultando em um enorme sucesso de bilheteria... 

O que ficou claro para mim é que o diretor Roland Emmerich e mais quatro roteiristas esperaram 20 anos para fazer um filme pelas coxas. Decepcionante destino de alguns personagens centrais da fita anterior como o ex- presidente de Bill Pullman totalmente fora da caixinha dessa vez e por vezes piegas, e da interessante heroína, Jasmine, a ótima Vivica A. Fox (de "Kill Bill") numa pontinha ridícula. Pior é o “Dr. Gay” da Área 51 (aliás, nem lembrava da orientação sexual do personagem) que desperta de um coma (pensava que tinha morrido) vivido por Brent Spiner, irregular e caricato ao extremo. Constrangedor assistir Charlotte Gainsbourg como uma cientista francesa sem brilho e desnecessária na trama, uma peça de decoração que nem serve para ser um interesse romântico. Tem muito personagem e pouco desenvolvimento além de uma piada atrás da outra que chegam a forçar até mesmo quando o filme precisa de tensão ou drama. Por mais que o novo elenco seja interessante com liderança de Liam Hemsworth e Jessie T. Usher, Emmerich escorrega feio e parece que a falta de inspiração se voltou contra ele mesmo (um defeito recorrente dos Aliens de ID). E, sinceramente, odiei tanto esse script que nem mesmo os efeitos de destruição em grande escala me impressionaram e olha que hoje em dia com tamanha tecnologia e vendo um filme pipoca atrás do outro eu ainda me surpreendo, mas obviamente quando os efeitos alinham-se a direção e roteiro o que não é o caso aqui. Lamentável saber que não emplacou como "Star Wars" e "Mad Max', franquias que também retornaram com melhorias servindo a fãs e a novos espectadores. Emmerich sugere mais filmes. Agora, vou esperar mais uns 20 anos pra conferir...

#4. Xoxo: A Vida é uma Festa
(xoxo)
 Diretor: Christopher Louie
☆☆☆☆

Pois é, a Netflix também erra. E aqui errou feio. O subtítulo deveria ser " A vida é uma festa chata!" Encabeçado por um elenco jovem burguês sem graça e ainda desconhecido, não foi dessa vez que um filme original Netflix me convenceu. Chatice do início ao fim. Tramas que não envolvem e ou/ emocionam. A premissa é até interessante e talvez se feita com a mesma garra de um Doug Liman ("Vamos Nessa") ou um Danny Boyle, quem sabe, né? Okay, admito que a fotografia nos ambientes em neon são bonitas, até porque são realmente de encher os olhos em uma TV de alta definição de 50' polegadas como a minha, mas só imagens deslumbrantes não são suficientes. Faltou criatividade nesse roteiro chinfrim. A direção é um estopo. Nada de novo mesmo.


#5. A 5ª Onda
(The 5th Wave)
 Diretor: J. Blakeson
☆☆☆☆

Já podem separar alguns prêmios Framboesas de Ouro. Este é certamente um dos piores do ano. Nunca pensei que a carreira de Chloë Grace Moretz fosse descarrilhar assim. Não vejo mais aquela menina inteligente e talentosa do fantástico (e primeiro) "Kick-Ass". Só quando alguém como Martin Scorsese resolver chamá-la para um novo filme (trabalhou com o mestre em “Hugo”). O filme é uma bobagem sem tamanha, mas poderia ser melhor desenvolvido já que o tema é interessante e muito explorado pelo cinemão da década de 1950. Não há dúvidas que se inspira em clássicos do gênero como "Invasion of the Body Snatchers", obra de Jack Finney que já foi revisitada em inúmeros remakes. Terror e Sci-fi sempre me agradaram, mas esta "Onda" de pegar Best-sellers juvenis e transformá-los em séries tem sido bastante discursiva desde "Harry Potter" (que tem qualidade, felizmente) e depois passando por algumas pérolas como "A Saga Crepúsculo" e recentes como "Jogos Vorazes" e "Divergente". Curiosamente, este filme consegue ser pior que Crepúsculo. A direção é sem imaginação e feita por um amador, a montagem não traz nada de inovador e o roteiro, apesar de ter sido desenvolvido por três seres humanos capazes (um deles o veterano Akiva Goldsman e que inclusive já ganhou um Oscar) é uma lástima! Não tem um final e isso pode frustrar os desavisados. A premissa é parte de uma trilogia: "The Infinite Sea" e " The Last Star", de Rick Yancey. Uma pena. O material é interessante e certamente o livro pode ser um bom entretenimento. Não li nenhuma informação de que a Sony irá concretizar a trilogia. Recebeu notas tão baixas, foi tão mal de bilheteria, que pode permanecer o fiasco em questão sem um final.

#6. O Tigre e o Dragão: A Espada do Destino
(Crounching Tiger, Hidden Dragon: Sword of Destiny)
Diretor: Woo-Ping Yuen
★★☆☆☆

Baseado na obra de Du Lu Wang (1909–1977), que também é autor do livro que inspirou o primeiro "O Tigre e o Dragão" - Wo hu cang long - épico de Ang Lee vencedor de 4 Oscars. Infelizmente, esta continuação não passa de uma pasteurização hollywoodiana. Sem atrativos, enredo fraco e personagens esquecíveis. Mesmo com a presença da ótima Michelle Yeoh reprisando sua personagem, a mestre Yu Shu Lien e sendo dirigida pelo mestre das coreografias de ação e filmes do gênero, Woo-Ping Yuen (Matrix, Kill Bill), ainda assim, nada se salva! Aqui, precisamente, me incomoda o elenco falar em inglês. Assim sendo, pelo óbvio, ficou difícil entender mais uma vez aquele universo que fora tão poético e lírico na fita de Ang Lee. Uma continuação surpresa e que, ao menos pra mim, foi uma grande decepção. Entre um bocejo e outro o pior filme da temporada exibido na Netflix.


#7. Joy: O Nome do Sucesso
(Joy, 2015 )
Estreou no Brasil: 21 de Janeiro de 2016
Diretor: David O. Russell
☆☆☆☆

Deveria chamar-se " Failure: O Nome do Fracasso". É mais um filme sem personalidade de David O. Russell com a turminha de sempre. Superestimado. J. Lawrence indicada a porra do Oscar, como sempre! Quem diria que o homem que dirigiu um dia um filme chamado "Três Reis" teria uma carreira tão estupidamente aclamada por filmes que não sei a razão de existir.


#8. O Bom Dinossauro
(The Good Dinosaur, 2015 )
Estreou no Brasil: 7 de Janeiro de 2016
Diretor: Peter Sohn
★★☆☆☆

A Pixar cria um celeuma quando lança uma animação abaixo da média. O estúdio de animação mais bem sucedido e incrível do século XX e do novo século, que abriu portas para uma nova frente de possibilidades no âmbito da animação e que sempre priorizou os roteiros com tramas inteligentes e personagens humanizados, mimou demais o seu público que têm todo o direito de ser exigente. Como assim? “Divertida Mente”, recentemente indicado ao Oscar é um primor. Assim como tantas outras obras. Vide “Toy Story” e “Procurando Nemo”, citando alguns. Pessoalmente, não quero assistir outro “Carros”. Certamente agrada mais ao público infantil, mas, nós, adultos, não somos devidamente servidos. Não me emocionei como deveria. E, embora a cena final indique isso, este filme não teve a devida cereja no bolo. A ideia é muito boa e até criativa, mas o andar da carruagem, quer dizer, do dinossauro, a aventura em si, a descoberta de um novo mundo e temas como coragem e apego, ao menos pra mim, ficou devendo um melhor desenvolvimento. Uma pena. A bem da verdade, O Bom Dinossauro tem semelhanças com O Rei Leão. Um tanto incômodo.


#9. Alice Através do Espelho
(Alice Through the Looking Glass)
                                      Diretor: James Bobin
                   ★☆☆☆☆

Não bastou aquele primeiro dirigido por Tim Burton..."Não siga o coelho branco" leia aqui. Conseguiram estragar ainda mais a obra de Lewis Carroll, A priori, utilizando parte da trama do segundo livro no primeiro filme e agora, tentando recontar a premissa de Através do Espelho numa versão carnavalesca Disney. Atores apáticos e nota-se que não estão fazendo seus papéis sem notar aquele constrangimento. Johnny Depp, de todas suas parceria com Burton, a mais horrível é certamente o seu Chapeleiro Maluco. Com ou sem a dancinha, é um horror extremo do exagero da história da maquiagem! Pior é Anne Hathaway reprisando o papel mais retardado que a atriz nunca deveria ter aceito e a protagonista, Mia Wasikowska fazendo a mesma Alice e que agora faz uma louca viagem no tempo através do espelho ao mundo das Maravilhas...pode funcionar para algumas crianças, mas no geral, e creio para a maioria dos adultos de bom gosto, é um embuste caça níquel. Uma continuação desnecessário de um primeiro sucesso (mesmo ruim fez boa bilheteria) superestimado. Burton pode fazer melhor a gente já sabe. 


                                                                       SÉRIES


#Menção a única decepção do ano 
3% 
(1ª Temporada) 
Criador: Pedro Aguilera
★★☆☆☆


Não foi má vontade, tampouco excesso de expectativas. Aliás, se a série apresentasse quebra de expectativa proposital já sairia no lucro. Sou fã de ficção-científica sobre distopia e ambientes apocalípticos. E a nossa primeira série produzida pela Netflix tinha a faca e o queijo na mão para tratar bem sobre desigualdade e meritocracia. Infelizmente, mesmo sob direção geral do excelente César Charlone, que também é diretor de fotografia e tem feito no passado obras-primas com Fernando Meirelles (co-dirigiu “O Banheiro do Papa” que é simplesmente sensacional), “3 por cento” não ousa e anda em círculos narrativamente. E, trata o tema de maneira primária e artificial, embora tenha uma boa direção de arte. Há momentos de irritação com João Miguel mergulhando a cara na pia (eu particularmente me senti um avestruz com a cara debaixo da terra) ou outras interpretações longe da perfeição. No geral, não é um “Branco Sai, preto fica” que também bebe da fonte “sci-fi” e que é uma baita produção brasuca! Nem irei comparar com obras estrangeiras para não ficar chovendo no molhado. O fato é que esperava muito mais de uma série comprada pela Netflix falada em português e com elenco nacional. Não digo que odiei tudo, ao menos eles criam momentos interessantes, como na prova das moedas, mas é aquela coisa, nada avança para um desfecho inteligente. A season finale sugere continuação, o que já me deixa apreensivo. Conclusão, estou no lado de cá, o da decepção. Gostaria de ter passado no processo para ir para o lado de lá, o da satisfação. Não rolou. Talvez tenham sido os cubos.

É isso. Desejo a todos boas festas. Até no ano que vem...



3 comentários:

Hugo disse...

Boas Festas para vc tb!

Abraço

Bússola do Terror disse...

Legal!
Bom, feliz 2017!
Tudo de bom!

Amanda Aouad disse...

Boas listas.

Dos melhores filmes não vi Dois Caras Legais e O Convite. E não colocaria Star Trek: Sem Fronteiras na lista, rs. No resto, são ótimos filmes e a maioria está na minha lista também.

Das melhores séries, só não vi ainda American Horror Story, tá na lista. Ótimas escolhas.

Já dos piores não vi alguns (ainda bem rs) mas discordo de Joy e O Bom Dinossauro, rs. Acho que ambos tem potencial e ficam ali nos filmes inofensivos.


Feliz 2017, Rodrigo.

bjs