sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Gareth Edwards | Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One, 2016)

REBELADOS

A rebelião envia espiões por toda a galáxia em várias tentativas arriscadas e desesperadas para roubar os planos de uma Estação Bélica (Estrela da Morte), culminando nos eventos decisivos da saga épica de George Lucas.

A esperança é a última que morre e para os fãs (como este que escreve) assistir a um filme de Guera Nas Estrelas todos os anos é um sonho realizado. A Lucas Film cumpriu e continua a surpreender expandindo o universo idealizado por Lucas e criando tramas muito melhores. Este é igualmente brilhante e ROGUE ONE  se mantêm no posto de o melhor filme da saga. Pau a pau com o primeiro Star Wars (1977) que se estabelece depois dos eventos desta fita, e O IMPÉRIO CONTRA-ATACA (1980), que fora dirigido por Irvin Kershner ( e que provou que Lucas sempre foi melhor visionário do que diretor propriamente).  Ah, e para não esquecer... não quero estragar a surpresa, portanto o texto pode conter SPOILER, e para tanto, peço gentilmente que julgue se necessário,evitando continuar na leitura se ainda não assistiu a fita...

Embora há quem não pense que seja necessário e que os filmes podem ser uma diversão aos leigos...okay, creio cegamente que são ótimos entretenimentos, porém, é necessário conhecer todo o universo proposto. Creio obrigatório abrir o leque e assistir aos filmes originais (IV, V e VI), assim como o prólogo (I, II e III) e o recente O DESPERTAR DA FORÇA, episódio VII... para não ficar panguando durante a sessão, mesmo porque, Rogue One já é por si só um prólogo essencial do episódio IV: Uma Nova Esperança e não vai ficar dando indicações narrativas para fazer os desentendidos compreenderem as nuances. Aliás, o achado de todos os filmes da série é jogar o espectador direto naquele mundo como se o estivesse arremessando para o longínquo e uno espaço na velocidade da luz. Lembro como se fosse hoje a primeira vez que foi descobrir Star Wars (mesmo que na telinha porque a minha geração não teve o privilégio de apreciar na telona) e ficar boquiaberto com a nave imperial passando pela tela perseguindo a nave rebelde da Princesa Leia. Lucas, com a pegada Flash Gordon hibridizada com Buck Rogers, criou algo original e, com uma inteligente montagem, fez do filme algo apreciável a ponto de não usar métodos primários e óbvios (como uma narrativa off, por exemplo) para explicar o que as pessoas estavam vendo. A não ser pelos famosos letreiros iniciais (curiosamente foi o diretor Brian De Palma quem ajudou Lucas e escreveu o resumo do primeiro filme...) e, com isso, manteve-se nos filmes posteriores. O que não acontece com Rogue One, assumidamente um derivado (spin-off) e que, sabiamente, encontrou sua personalidade e individualidade dentro da saga, mas, na essência ainda é Star Wars. Com a presença do maléfico Darth Vader (graças a Deus James Earl Jones ainda está vivo para dublá-lo), mas que, pela primeira vez, não é uma premissa com os cavaleiros Jedi e família Skywalker (mesmo que o tema pais e filhos retorne). Importante ressaltar que não apresenta os famosos efeitos de "cortinas" nas passagens de cena e tampouco tem o característico opening crawl. 

A trama não terá futuro com os mesmos protagonistas, portanto é o primeiro Star Wars sem uma continuação oficial. O filme é, na verdade, uma história de sacrifício. É o que mais define o significado guerra, com cenas mais mano a mano, soldados de ambos os lados, com a ode fundamental das armas blaster e, numa escala que lembra combates à la Vietnã

 Com clima de espionagem, o filme se concentra em um grupo de guerreiros assassinos, os rebeldes, que são contra a ditadura Imperial Galáctica, que passam a viver nas sombras, sejam como informantes, guerreiros, piloto de frota ou mesmo políticos e monarcas que não se curvaram diante o Imperador Palpatine, vulgo Sidious,que tomou a Galáxia após a ordem 66 que exterminou a ordem Jedi. Assim sendo, a trama de Rogue 1 é simples: depois que o Império se formou com poderosas linhas de intimidação: naves espaciais, legiões de Stormtroopers, walkers (máquinas gigantes guiadas por militares imperiais para combate de terra) e robôs de inteligência artificial, eis que surge uma linha de defesa: A Aliança Rebelde e para tanto eles precisam da ajuda de uma criminosa que vive em fuga e presa, Jyn Erso (Felicity Jones, do premiado "A Teoria de Tudo", 2014) que é filha de um engenheiro recrutado pelo Império, Galen Erso (o sempre ótimo Mads Mikkelsen, de filmes como "A Caça", 2012, de Vinterberg ), o único homem capaz de liderar a construção de uma poderosa arma capaz de destruir planetas...a temida Death Star. Só que, a vida tumultuada dos rebeldes (e como eles são seres que não possuem influência da Força, mas alguns acreditam nela religiosamente), acabam por descobrir nas últimas horas a existência desta Estação Bélica. O que eram rumores, se confirma. Sem poder de fogo suficiente para impedir tamanha desgraça, precisam se infiltrar e arriscar suas vidas para obterem informações valiosas. Eles capturam Jyn e a convencem de unir forças a um dos principais espiões da causa, Cassian Andor (Diego Luna com sua notável carinha de adolescente), um herói que não tem os defeitos de um Han Solo, mas que é capaz de ser indiferente se for necessário tirar uma vida. Ele, além de piloto, reprogramou um robô imperial, K-2 SO (na voz de Alan Tudyk, que já dublou personagens em "Frozen", 2013 e "Detona Ralph", 2012, outros sucessos Disney). E, devo dizer que ele é, de longe, o ponto alto do filme. Funciona como alívio cômico, mas diferente de C3PO, seu humor é negro e seu programa não tem protocolo de etiqueta. Ele mata e não acata ordens diretas facilmente. É preciso convencê-lo, já que não é de sua natureza ser um servo dos humanos. 


É ao lado desta dupla que nossa heroína parte para a missão de roubar os planos secretos que seriam o ponto fraco da Estrela da Morte. Informações que seu pai deixou arquivadas exclusivamente para os Rebeldes. O mais curioso foi descobrir que a Estrela foi propositalmente construída para ser destruída! Existe uma "falha" e eles precisam descobrir qual é para então utilizá-la. 



O restante do elenco é lindamente escalado. É preciso frisar a importância do fator étnico e de gênero. Felicity Jones, assim como Daisy Ridley, Carrie Fisher e Natalie Portman, faz jus ao personificar a protagonista do núcleo feminino. Todas são inquietas e guerreiras corajosas e, mesmo quando estão indefesas, solucionam uma saída. Erso é mais "casca-grossa" porque teve que crescer em um mundo extremamente hostil. Existem flertes sutis com o mocinho mesmo sem a confiança mútua , mas a intensidade romântica e, ainda que sutil, é mostrada na cena final de sacrifício. Aliás, um dos momentos mais tensos com cargas emotivas dentre os exemplares da saga. 

Riz Ahmed ("O Abutre", 2014), apesar de inglês, não esconde suas raízes de descendência paquistanesa. Ótimo ator, vive com grandeza um desertor do Império, Bohdi Rook (meio que repetindo a ideia de O Despertar da Força com o Finn de John Boyega), um piloto que mesmo volátil, tem grandes habilidades técnicas. E, acrescentando a força deste elenco híbrido, os excelentes Donnie Yen e Wen Jiang, Chirrut Imwe e Baze Malbus, respectivamente, trazem o lado oriental à saga de uma maneira fantástica. Talvez um contraponto por não ter Jedi, Chirrute é uma figura que traz  a tona a mitologia da força. "Eu estou com a força e a força está comigo". Já virou frase importante como a famosa: "Que a força esteja com você".  E, como é um guerreiro dotado de habilidades sensoriais (já que é cego), é pra mim o mais interessante. Por outro lado, Malbus é o oposto. Não tem crenças espirituais acreditando apenas em suas armas e dando cobertura ao amigo nas horas do vamos ver! O interessante é perceber o quanto eles se assemelham a Don Quixote e Sancho Pança. 

De todos, talvez o mais interessante, mas que me decepcionou por não ser mais aproveitado é Saw Guerrera, personificado por Forest Whitaker que, como ninguém, abraça mais um personagem conturbado. Ele é extremo e, embora esteja do lado da Aliança (mesmo com sua aparência bizarra meio homem e máquina), trabalha melhor sendo independente. 

Quanto a vilania, além da aparição de Vader (quem vestiu a armadura foi Spencer Wilding, que além de ator trabalha como stunt) finalmente temos o Almirante Orson Krennic e não tem outro cara para fazê-lo com afinco do que Ben Mendelsohn, que em matéria de vilão covarde, já foi Daggett em "Batman: O Cavaleiro Das Trevas Ressurge", 2012. Embora aparente ser uma figura ameaçadora, a priori alguém que não teria remorso de assassinar ou fazer refém uma criança, como toda trama clássica, não passa de um homem com intenções de chegar ao poder, mas que perde o controle da situação e foge quando seu lado engrossa. A posteriori, revi aquela cena de Ben e Tom Hardy(como Bane) em Batman, no momento em que sua presença é solicitada pelo Lord Vader e o mesmo o faz tremer pelas tampas, uma alusão aquela sua famosa quote:"You're pure evil!" Diferente de Tarkin. E por falar em Grand Moff Tarkin (!) para meu espanto, eis que Peter Cushing (1913-1994) do primeiro Guerra Nas Estrelas, ressuscita da tumba (sem trocadilhos com a Hammer Films) numa impressionante recriação digital. Sua voz e face são monstruosamente mescladas em todas as cenas em que aparece. E não são poucas. Embora seja o ator Guy Henry no set de filmagem, Cushing parece vivo e seu legado trazido de volta às telas. É a primeira vez que vi algo assim numa tela de cinema. Ficou um misto de estranheza com o que  Spock expressaria como "Fascinante"! O mesmo acontece com a Leia na última cena! 

O filme explica em titulagens, que surgem nas passagens de ação, o mundo na qual a trama se passará. O planeta Jedah, por exemplo, um dos mundos mais importantes da galáxia é uma espécie de território sagrado à la Jerusalém para aqueles que procuram honrar a força e a filosofia Jedi. Mas, infelizmente, está sitiada pelas forças imperiais e é lá mesmo que eles buscam o item mais importante que seria o "combustível" da Estrela da Morte, um cristal poderoso de nome Kyber, o mesmo poder que alimenta os sabres-de-luz, tanto dos Jedi quanto dos Sith. É interessante mencionar o Kyber como um elemento real, diferente do que é hipotético e discutível ao falar da força por vários prismas. Se em nosso mundo existe cobre, ferro, citando exemplos, no mundo deles há o kyber!

Toda a direção de arte  é caprichada, amei cada detalhe e da escala de todas as coisas (sem contar o fan service desmedido). O 3 D é bem empregado, mesmo que não seja algo fundamental narrativamente. A trilha musical honra o trabalho criado por John Williams. Inicialmente escalaram Alexandre Desplat para compor, mas devido a reorganização do cronograma durante a pós-produção deixando Desplat indisponível, logo, ele foi substituído por Michael Giacchino, aliás, gostei da mudança. Ele é conhecedor deste seguimento tendo trabalhado inúmeras vezes em obras de J. J. Abrams, a começar nos novos filmes de Star Trek

Gareth Edwards, que já trabalhou em departamento de Efeitos Visuais, entende do assunto e tomou as decisões corretas como diretor. Seu trabalho já havia me impressionado no recente Godzilla (2014), um filme que não tinha criado expectativas, de repente foi um blockbuster digno. Ele é também o diretor do curioso drama de suspense que traz a ficção-científica como sub-gênero: Monstros (lançado em 2010). É importante que o cara seja um fã para honrar o legado de Lucas. Segundo Edwards: "A ideia foi fazer um filme de Star Wars que não fale tanto sobre a força (mas ela é onipresente) . Se você olhar para o que George Lucas fez, foi ótimo. Ele tem uma história sobre uma coisa  implicando em várias outras coisas em segundo plano e, obviamente, nosso filme está abusando disso, e contando uma história dentro dessas outras coisas".  Seu trabalho é eficiente ao quase descaracterizar o estilo da série fazendo um recorte inteligente provando a riqueza de detalhes e os caminhos para se contar mais histórias deste universo, afirmando o que poderia ter dado certo quando Lucas projetava lançar uma série de TV em live action de sua franquia. Ideia estupidamente rejeitada na época. 

Em matéria de curiosidade, o filme foi captado com lentes Ultra Panavision 70, o que justifica a grandiosidade ao curtir o filme numa tela IMAX ou XD (uma resposta da rede Cinemark). 

ROGUE ONE é uma história Star Wars na essência, mas um filme com a ávida missão de ter algo próprio. O resultado não é infeliz. A força está com eles e missão dada é missão cumprida. Rebele-se e divirta-se. 

EUA
AÇÃO-AVENTURA-FICÇÃO-CIENTÍFICA
Em Exibição Nos Cinemas
2h 14 min
★★★★

Uma Produção LUCAS FILM LTD.   Um Filme de GARETH EDWARDS
ROGUE ONE
Estrelando: FELICITY JONES  DIEGO LUNA  ALAN TUDYK
DONNIE YEN  WEN JIANG  BEN MENDELSOHN
FOREST WHITAKER  RIZ AHMED  MADS MIKKELSEN
JIMMY SMITHS  ALISTAIR PETRIE  GENEVIEVE O´REILLY  BEN DANIELS
JAMES EARL JONES como a voz de Darth Vader
Música de MICHAEL GIACCHINO   Música tema de Star Wars JOHN WILLIAMS
Direção de Fotografia GREIG FRASER
Edição JOHN GILROY  COLIN GOUDIE  JABEZ OLSSEN
Direção de Arte DOUG CHIANG  NEIL LAMONT
Produzido por
KATHLEEN KENNEDY
SIMON EMANUEL  ALLISON SHEARMUR
                                                               p.g.a.
Produtores Executivos JOHN KNOLL  JASON D. McGATLIN
Roteiro CHRIS WEITZ  TONY GILROY
Argumento JOHN KNOLL & GARY WHITTA
Baseado nos personagens e universo criado por GEORGE LUCAS
Direção GARETH EDWARDS
LUCAS FILM LTD – WALT DISNEY ©2016

3 comentários:

Amanda Aouad disse...

É um belo filme de sacrifício mesmo, como você define. Só não concordo tanto quanto a protagonista, acho frágil, mas a obra funciona bem para o que se propõe e é ótimo acompanhar cada referência e cada nova investida.

bjs

Rodrigo Mendes disse...

Oi Amanda. Ao menos para mim, Jyn Erso é mais frágil com relação ao pai, mas é sim uma heroína forte tanto quanto as demais protagonistas da linha do tempo da saga. Cada uma tem um perfil, Erso é mais humana comparada as outras porque não se dispõe da força. Ela tem um lado sombrio devido a dor e trauma da perda. A ideia era não fazer dos personagens algo que necessitasse de background mais intrínseco. O mote do filme era mesmo a missão rebelde. Rogue One acaba sendo um filme mais para os fãs. É fan service do início ao fim.

Beijos

jose carlos Neves disse...


Maquete que construí do Super Star Destroyer Executor,a nave de Vader (Guerra nas Estrelas-Star Wars) -veja na minha pagina que até Carta da ILM eu recebi.. ALÉM de Esculturas, replicas de armamentos, outras naves e veiculos espaciais do cinema etc ( querendo trocar ideias sobre desenho,modelismo,maquetes, arte em geral,cinema..me adicione) -my scratchbuilded Super Star Destroyer Executor model

vejam mais em :(see more in)
https://www.facebook.com/navesespaciaisdocinema


meus desenhos,maquetes,esculturas,replicas de armamentos.. https://www.facebook.com/ARTE-Fant%C3%A1stica-193897540981420/