CASTIGO SABÁTICO
Cinco estudantes do ensino médio se encontram na detenção de sábado e descobrem como eles têm muito mais em comum do que pensavam.
Saudades das minhas SESSÕES DA TARDE. Chegava da escola, almoçava e esperava começar o filme e na maioria das vezes era alguma produção do JOHN HUGHES (1950-2009) a menta criativa por trás de CURTINDO A VIDA ADOIDADO (1986), certamente o seu filme mais lembrado inclusive pelas inúmeras vezes que passou na própria Sessão da Tarde. Ainda hoje, Hughes é considerado, digamos, o Spielberg das comédias sobre jovens. E não adianta aparecerem imitadores, ele é o cineasta do gênero que foi responsável por grandes obras-primas adolescentes, embora fique taxado pelo cinema mainstream. Ele foi a base fundamental desse tipo de comédia e drama na qual os adolescentes eram os narradores de suas próprias experiências. E devo dizer que Hughes sempre foi respeitado pela crítica com sucesso popular nos Estados Unidos. Não é lenda, mas ele era capaz de escrever um roteiro em uma semana!
Produziu pouco como diretor (apenas 8 filmes), seus créditos de produtor e roteirista também deixaram marcas. E, como muitos colegas de sua geração, alguns mais velhos como Ivan Reitman, John Landis e Harold Ramis, começou escrevendo nos anos 70 para a NATIONAL LAMPOON´S MAGAZINE, a famosa revista de humor norte-americana de grande circulação entre as décadas de 1970-1990 na qual foram extraídas várias estórias de sucesso adaptadas para o cinema como FÉRIAS FRUSTRADAS que ele escreveu e que foi dirigida (o primeiro da série) por Ramis (National Lampoon's Vacation, 1983) e CLUBE DOS CAFAJESTES, "Animal House" (1978), sucesso de Landis e Ramis. Quando passou a dirigir, descobriu MOLLY RINGWALD e a transformou em estrela teen dos anos 80 principalmente com o primeiro sucesso GATINHAS E GATÕES (Sixteen Candles, 1984) e depois numa série de fitas de sucesso, além de MACAULAY CULKIN, primeiro em QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO, (Uncle Buck) que dirigiu em 1989 (seu penúltimo filme como diretor) e depois como roteirista e produtor no megassucesso ESQUECERAM DE MIM de Chris Columbus.
A maior qualidade que posso dizer sobre Hughes é o dom para o diálogo realista e natural, retratando com perfeição as angústias do adolescente americano ( e acho que todo adolescente do mundo) dos anos 80 (e que certamente continua a atrair o público jovem atual). Com tino comercial à la Spielberg/ Lucas, ele também produziu fitas infantis de sucesso: além dos três Esqueceram de Mim (1990-1997); também lançou adaptações como; DENNIS, O PIMENTINHA (1993) da obra de Hank Ketcham (e importante por ter sido o meu primeiro filme, a primeira vez que fui ao cinema!!!!!) e assinando com pseudônimo, Edmond Dantès (estranhamente ele fez com frequência no final da carreira), escreveu o sucesso do cão São Bernardo BEETHOVEN 1 E 2 (1992-1993), produzido e apresentado por Reitman.
Produziu pouco como diretor (apenas 8 filmes), seus créditos de produtor e roteirista também deixaram marcas. E, como muitos colegas de sua geração, alguns mais velhos como Ivan Reitman, John Landis e Harold Ramis, começou escrevendo nos anos 70 para a NATIONAL LAMPOON´S MAGAZINE, a famosa revista de humor norte-americana de grande circulação entre as décadas de 1970-1990 na qual foram extraídas várias estórias de sucesso adaptadas para o cinema como FÉRIAS FRUSTRADAS que ele escreveu e que foi dirigida (o primeiro da série) por Ramis (National Lampoon's Vacation, 1983) e CLUBE DOS CAFAJESTES, "Animal House" (1978), sucesso de Landis e Ramis. Quando passou a dirigir, descobriu MOLLY RINGWALD e a transformou em estrela teen dos anos 80 principalmente com o primeiro sucesso GATINHAS E GATÕES (Sixteen Candles, 1984) e depois numa série de fitas de sucesso, além de MACAULAY CULKIN, primeiro em QUEM VÊ CARA NÃO VÊ CORAÇÃO, (Uncle Buck) que dirigiu em 1989 (seu penúltimo filme como diretor) e depois como roteirista e produtor no megassucesso ESQUECERAM DE MIM de Chris Columbus.
A maior qualidade que posso dizer sobre Hughes é o dom para o diálogo realista e natural, retratando com perfeição as angústias do adolescente americano ( e acho que todo adolescente do mundo) dos anos 80 (e que certamente continua a atrair o público jovem atual). Com tino comercial à la Spielberg/ Lucas, ele também produziu fitas infantis de sucesso: além dos três Esqueceram de Mim (1990-1997); também lançou adaptações como; DENNIS, O PIMENTINHA (1993) da obra de Hank Ketcham (e importante por ter sido o meu primeiro filme, a primeira vez que fui ao cinema!!!!!) e assinando com pseudônimo, Edmond Dantès (estranhamente ele fez com frequência no final da carreira), escreveu o sucesso do cão São Bernardo BEETHOVEN 1 E 2 (1992-1993), produzido e apresentado por Reitman.
Agora, em comparação com tudo que realizou, certamente O CLUBE DOS CINCO é o seu melhor feito. E aquilo que havia dito acima quanto ao seu dom para o diálogo realista e natural é aonde ele acerta mais nesse retrato do castigo sabático de um grupo de adolescentes em detenção. O filme é tão ressonante em nosso imaginário quanto as aventuras de Ferris Bueller. Pois é, enquanto Ferris se divertia fora da escola, esses cinco jovens de personalidades distintas terão que "se divertir" dentro da instituição. Na minha cabeça, de algum modo, CURTINDO A VIDA ADOIDADO e CLUBE DOS CINCO se completam. Com uma belíssima trilha sonora dos anos 80, que faz todos transportarem para aquela época num piscar de olhos graças a maestria de incluir no filme a querida canção DON´T YOU FORGET ABOUT ME, do Simple Minds, e que, aliás, foi composta exclusivamente para o filme, Hughes já ganhou de imediato o meu respeito.
Com inteligência e agilidade, tanto na sua escrita quanto na mise-en-scène, Hughes é capaz de construir tiradas intelectuais (sim, porque adolescente não é tão burro e alienado quanto parece) na qual os atores, todos eles sem exceção, ganham o seu momento pessoal (monólogo) enquanto riem e se emocionam contando as histórias de suas vidas difíceis, também uma crítica ao American Way of Life (Hollywood adora escrever cartas de amor para si ou contar a sociedade americana em alfinetadas ácidas), mas, além do problema regional/ cultural, Hughes consegue expor o adolescente comum de todos os lugares, por isso, sempre me identifiquei com cada um deles. É incrível como as horas passam depressa. O filme não tem cenas de ação ou nudez ao estilo "Porky's - A Casa do Amor e do Riso" e Animal House, mas funciona lindamente em grande parte por conta das caracterizações de Molly, Emilio, Anthony, Ally e Judd à medida que as verdades são reveladas, ressentimentos são verbalizados com fúria e o motivo do filme ser genial porque cada um tem a sua vez de brilhar. Parece mais uma terapia de confronto em grupo.
Fica claro que Clube é o filme definitivo e realista sobre adolescentes, Hughes criou um novo gênero aqui e na fita anterior Gatinhas e Gatões. Nas décadas passadas os jovens eram motivos de chacotas e rótulos e na maioria das vezes eram interpretados no cinema por jovens adultos em musicais e filmes de terror. "Grease - Nos Tempos da Brilhantina", por exemplo, lançado em 1978 e dirigido por Randal Kleiser, apesar do enorme sucesso considerando a bilheteria que John Travolta fazia naquela época, apresentou os adolescente mais velhos do cinema. Eu odeio o filme, apesar de gostar de sua trilha sonora , mas aquelas coreografias sempre foram bregas, enfim, tudo muito exagerado e overacting, que no teatro pode ter outro efeito, mas na tela de cinema, não. Aqui, finalmente, Hughes deu a oportunidade aos adolescentes de falarem e pensarem como realmente se sentiam. E, obviamente, com um elenco formado pelos mesmos. É claro que, considerando o ano em que o filme foi produzido, os mais jovens do elenco, com apenas 16 anos,eram mesmo a Molly e o Anthony, enquanto Emilio e Ally; com 22 anos e o mais velho, porém repetente aluno-problema, Judd Nelson (um ator fantástico aqui), com 25 anos. Mas, a Olivia Newton-John já tinha 30 e a Stockard Channing; 34 nas rodagens de Grease, com exceção de Travolta, a maioria beirava ao término dos 30 e poucos e não convenciam naquele âmbito estudantil. John Hughes ficou atento aos detalhes que fariam toda a diferença em seus filmes. Não existem adolescentes em abstinência sexual e que só ficam ouvindo música agitada e muito menos psicopatas os trucidando em filmes de horror o tempo inteiro (outra crítica ao pecado carnal, lei dos filmes de terror teen).
Fica claro que Clube é o filme definitivo e realista sobre adolescentes, Hughes criou um novo gênero aqui e na fita anterior Gatinhas e Gatões. Nas décadas passadas os jovens eram motivos de chacotas e rótulos e na maioria das vezes eram interpretados no cinema por jovens adultos em musicais e filmes de terror. "Grease - Nos Tempos da Brilhantina", por exemplo, lançado em 1978 e dirigido por Randal Kleiser, apesar do enorme sucesso considerando a bilheteria que John Travolta fazia naquela época, apresentou os adolescente mais velhos do cinema. Eu odeio o filme, apesar de gostar de sua trilha sonora , mas aquelas coreografias sempre foram bregas, enfim, tudo muito exagerado e overacting, que no teatro pode ter outro efeito, mas na tela de cinema, não. Aqui, finalmente, Hughes deu a oportunidade aos adolescentes de falarem e pensarem como realmente se sentiam. E, obviamente, com um elenco formado pelos mesmos. É claro que, considerando o ano em que o filme foi produzido, os mais jovens do elenco, com apenas 16 anos,eram mesmo a Molly e o Anthony, enquanto Emilio e Ally; com 22 anos e o mais velho, porém repetente aluno-problema, Judd Nelson (um ator fantástico aqui), com 25 anos. Mas, a Olivia Newton-John já tinha 30 e a Stockard Channing; 34 nas rodagens de Grease, com exceção de Travolta, a maioria beirava ao término dos 30 e poucos e não convenciam naquele âmbito estudantil. John Hughes ficou atento aos detalhes que fariam toda a diferença em seus filmes. Não existem adolescentes em abstinência sexual e que só ficam ouvindo música agitada e muito menos psicopatas os trucidando em filmes de horror o tempo inteiro (outra crítica ao pecado carnal, lei dos filmes de terror teen).
Na verdade, Hughes provavelmente queria seguir os passos de Francis Ford Coppola quando o mestre rodou VIDAS SEM RUMO (The Outsiders) no mesmo ano em que "RUMBLE FISH "(ambos de 1983) ganhavam fama cult por cinéfilos e críticos especializados. Queria ter a mesma aclamação? Creio que sim. Porque nesses filmes eram moleques mesmo! E, assim como Coppola, lançou também futuros jovens atores promissores.
Melhor ainda é saber que a premissa é bem simples e que a sagacidade está nos diálogos quando cinco adolescentes totalmente excêntricos e diferentes (mas sem rótulos exagerados) são suspensos e têm que cumprir a chatíssima detenção na escola em um lindo sábado (pesadelo de todo adolescente normal, diga-se). Por mais que mal tenham se falado durante os dias letivos, quando o dia começa, terminam criando um laço de fraternidade e, mesmo querendo ser realista, Hughes não escapa de alguns clichês, mas com a diferença de saber trabalhar bem com eles. Temos o famoso atleta de futebol americano encarnado com humanidade por EMILIO ESTEVEZ, a garota esquisita/gótica com excesso de delineador e com um apatite voraz criada pela fantástica ALLY SHEEDY, e que, aliás, lembra muito a minha mãe (risos!), a princesa pomposa e popular, a garota dos sonhos de todo rapaz de boa família e que tem uma fila de pretendentes para convidá-la ao baile, MOLLY RINGWALD no papel de sua vida. Musa inspiradora do diretor e ídolo de uma geração, o nerd tímido (e virgem) do ANTHONY MICHAEL HALL e que faria outros adolescentes ao longo dessa fase em outras fitas de Hughes, no anterior Gatinhas esteve fantástico e depois na ficção-científica teen: MULHER NOTA MIL (Weird Science, também de 85) e co-estrelado por Ilan Mitchell-Smith e Kelly LeBrock e que ganhou fama pelo tema musical de Danny Elfman e de sua extinta banda; "Oingo Boingo". Hall faria outro jovem (vilão) em EDWARD MÃOS DE TESOURA (1990, de Burton - leia AQUI). E finalmente o rebelde que se mete em encrencas, com fama de delinquente incorrigível e irrefreável já que ele é o único com peito para encarar o professor, vivido por JUDD NELSON emulando um James Dean oitentista no filme de sua vida.
À maneira que cada um se conhece e, unindo forças para que o sabático dia de castigo não se torne entediante, eles se entretêm sabiamente, mas sempre alertas para escapar alguns minutos da vigilância do complexado Teacher Sr. Vernon, interpretado pelo ótimo PAUL GLEASON (1939–2006), famoso por participar de outro clássico, DURO DE MATAR (Die Hard, 1988 de McTiernan) como o vice-chefe de polícia Dwayne T. Robinson, mas que ficou mais marcado por aqui e principalmente na antológica cena em que discute com Judd Nelson que o enfrenta com gozação o que o faz aumentar o castigo cada vez mais. Certamente a cena que mais ficou no imaginário popular.
À maneira que cada um se conhece e, unindo forças para que o sabático dia de castigo não se torne entediante, eles se entretêm sabiamente, mas sempre alertas para escapar alguns minutos da vigilância do complexado Teacher Sr. Vernon, interpretado pelo ótimo PAUL GLEASON (1939–2006), famoso por participar de outro clássico, DURO DE MATAR (Die Hard, 1988 de McTiernan) como o vice-chefe de polícia Dwayne T. Robinson, mas que ficou mais marcado por aqui e principalmente na antológica cena em que discute com Judd Nelson que o enfrenta com gozação o que o faz aumentar o castigo cada vez mais. Certamente a cena que mais ficou no imaginário popular.
The Breakfast Club é um marco do cinema. Tem grande importância na minha vida. É um dos poucos filmes teen que dialogam com sinceridade. É como se iconoclastas juvenis se reunissem contra o santificado âmbito escolar. É o encontro marcante de suas vidas que começou naquele café da manhã...
EUA
DRAMA- COMÉDIA
1h 37 min.
🎥 John Hughes
★★★★★
★★★★★
UMA PRODUÇÃO
A & M FILMS
CHANNEL
UM FILME DE
JOHN HUGHES
THE
BREAKFAST
CLUB
(Estrelando em
ordem alfabética)
EMILIO
ESTEVEZ
PAUL
GLEASON
ANTHONY
MICHAEL HALL
JOHN
KAPELOS
JUDD
NELSON
MOLLY
RINGWALD
ALLY
SHEEDY
MÚSICA
KEITH FORSEY
EDIÇÃO DE
FILMAGEM
DEDE ALLEN
A.C.E.
DIREÇÃO DE ARTE
JOHN W. CORSO
DIRETOR DE
FOTOGRAFIA
THOMAS DEL RUTH
PRODUZIDO POR
NED TANEN
E
JOHN HUGHES
ESCRITO E
DIRIGIDO POR
JOHN HUGHES
©1985 A UNIVERSAL PICTURE






2 comentários:
Grande clássico adolescente dos anos oitenta.
John Hughes partiu cedo, mas deixou uma ótima filmografia como diretor e roteirista.
Gosto bastante tb de "Antes Só do que Mal Acompanhado", divertido filme como Steve Martin e John Candy.
Abraço
Adoro Antes Só do que Mal Acompanhado. Hughes dirigiu dois grandes comediantes. Candy também estrelou outro favorito meu; "Uncle Buck".
Abraço
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