segunda-feira, 13 de agosto de 2018

🎬 CineMagia: A História das Videolocadoras de São Paulo (2017) 🎥 Alan Oliveira

   SESSÃO SURPRESA   
 PARTE X   ðŸ“¼


A história das locadoras de vídeo em São Paulo.



A videolocadora é o pilar da cinefilia. Maravilhoso documentário sobre um tempo gostoso que me traz recordações, nostalgia, enfim, um sentimento que não consigo explicar em palavras. Minha memória afetiva em videolocadoras  é igual a dos meus amigos e colegas cinéfilos e profissionais da área. Um ambiente onde fiz amigos. Um lugar onde também trabalhei por um tempo. Âmbito em que passei os melhores momentos de minha educação cinéfila. Recebendo indicações de filmes e indicando. O ritual que era um barato. Pegar em mãos a capa do filme, ler o aviso: “após o uso favor rebobinar”, ler a sinopse e ficha técnica, ter a opção de pagar na volta ou deixar pago. Sai de casa, ir aos finais de semana (ou qualquer dia da semana na época das férias escolares), faça chuva ou faça sol e permanecer horas escolhendo filmes e games...

... me perdia entre aquelas prateleiras empoeiradas, para depois voltar lá para a devolução do aluguel só para alugar outros títulos e recomeçar o mesmo ritual. São tantas recordações que Alan Oliveira resgata neste documentário que já é o suficiente para fazer meus olhos lacrimejarem.

As lojas de bairro, as grandes lojas do centro de São Paulo, a maioria hoje extintas, “2001(“Uma Odisseia em Vídeo” como era chamado inicialmente) e a Blockbuster Inc. (1985-2014), que mesmo tendo ferido os seus concorrentes brasileiros, foi uma das mais importantes videolocadoras do mundo e onde comecei a comprar o meu acervo pessoal. 

Brilhantemente capitulado, Oliveira faz um trabalho de pesquisa monstruoso e volta lá nos primórdios do home vídeo. E, eis um nome de suma importância para os cinéfilos brasileiros, Adelino Dos Santos Abreu, o “Ghaba” um pioneiro que merece ser ovacionado. Aliás, poucos frequentadores e admiradores mais jovens certamente nem sequer sabiam de sua história. Não vou dizer aqui, deixo para você que ainda não assistiu o doc. o descubra. 

Eu gostei bastante, mesmo porque, Oliveira não apenas aborda a paixão que todos nós temos pelo cinema, mas da realidade do próprio mercado, isto é, desde o início no final dos anos 70 e início dos 80 até o seu derradeiro final. Os prós e os contras. O surgimento das primeiras distribuidoras nacionais em parceria para lançar títulos de grandes estúdios e também filmes cults e de produtoras pequenas. Momentos marcantes através de obras como “Evil Dead” de Sam Raimi, citando alguns, passando pela fase da CIC Video que tenho até hoje grande predileção inclusive pelas famosas vinhetas deles e lançamentos importantes com o selo de qualidade Paramount/Universal, afinal, tenho até hoje as minhas fitas VHS do “Indiana Jones”, quer dizer, Oliveira procurou abordar todas elas. No entanto, senti falta mesmo da Abril Vídeo que lançava produtos da Disney, certamente o único “bola fora” do documentário, embora, no final dos créditos, Oliveira se “justifique” pela omissão de algumas empresas. Mas, okay, nada que atrapalhe a magia do documentário com depoimento de grandes profissionais da área, gente que entende do assunto e tem muita história pra contar. Talvez o grande momento de gratidão seja ver pessoas que já partiram e que contribuíram muito para o meio, como o saudoso crítico de cinema Christian Petermann (1966-2016) que deixou registrado as suas experiências. Gostava do trabalho dele e assistia sua participação no programa da Gazeta “Todo Seu” apresentado por Ronnie Von

Outra pauta de suma importância em “Cinemagia” é a história da pirataria e, como toda e irônica situação em que o cinema está envolvido, ela existe para o bem e para o mal. E fico pensando; se fitas como O Nascimento de uma Nação” (1915), obra-prima estadunidense realizado por D. W. Griffith é considerado o primeiro filme que estabeleceu a base da linguagem cinematográfica que conhecemos até hoje sendo ao mesmo tempo um filme racista, mas, importante mesmo assim e, segundo o próprio Eisenstein em “A Forma do Filme”; onde ele compara a técnica fílmica de Griffith com a do escritor Dickens. Portanto, mesmo com inovações técnicas pioneiras que são de suma importância para o cinema, fez surgir também, infelizmente, movimentos como a Ku Klux Klan. Eis a ironia. Comparo isso a pirataria. No começo, a única forma que os primeiros comerciantes obtinham para conseguir “a fita” para o cliente quando não havia selos de qualidade e garantias de proteção. Da mesma forma que a pirataria mudou a vida dos cinéfilos na era da internet onde podemos baixar filmes de todos os tipos e datas de lançamento com facilidade e qualidade, mas que fez sangrar as próprias videolocadoras, lembra-se delas? Aquele lugar mágico... é o que também de certa forma se fez repensar o mercado com o crescimento de serviços de aluguel de filmes online como iTunes e Netflix, que, mesmo trazendo algo maravilhoso quanto a  comodidade para todos nós (ou pelo menos para a grande maioria, mas nunca será unanimidade), foram um dos fatores apontados no filme como causa dos prejuízos e da inevitável falência das queridas videolocadoras. Oliveira é um cineasta que com esse documentário  certamente fez algo de grande relevância e ressonância para nós e as futuras gerações (há um depoimento emocionante de um garoto de treze anos) ou seja, para  verem e compreenderem o começo de tudo e, quem sabe, saber se adequar, afinal, o retrô está sempre na moda, não é mesmo? Não por acaso, o cartaz do filme é arcaico que remete as capinhas das fitas que alugávamos. 


“Cinemagia” faz lindamente ao captar a extinção triste das maiores videolocadoras de São Paulo, os últimos suspiros de algumas lojas, colhendo depoimentos de pioneiros e, por fim, fala de nossas experiências “menos humanas” se pararmos para pensar um pouquinho. Estamos em nossa zona de conforto e consumindo vorazmente o que a internet nos oferece com prontidão. Acredito que se ignorássemos e nos uníssemos com força, talvez, as videolocadoras ainda pudessem estar de pé e nos recebendo de portas abertas com o mesmo carinho de outrora. Não foi como no passado, quando se dizia que o videocassete iria acabar com as salas de exibição. O cinema é e sempre será uma diversão mágica, mas, no conforto de nossos lares, é mais fácil GANHAR TEMPO ficando no sofá consumindo um catálogo de filmes virtuais com apenas um clique do que sair para alugar e depois sair de novo para devolver. Esse é o ponto de reflexão do filme. Faço parte dessa geração, mas não irei negar o sentimento arrepiante de entrar numa loja e segurar em mãos aquele filme. É isso, éramos felizes e só sabemos disso hoje em dia. O tempo que ficava escolhendo fitas para alugar não alugava o meu tempo de forma alguma.

Brasil
Documentário
1h 40min.
★★★★★

UM FILME DE ALAN OLIVEIRA
CineMagia:
A História das Videolocadoras de São Paulo

Com: MARIA APARECIDA OLIVEIRA 
HELENA CUNHA BUENO
SONIA ABREU
ODAIR TAÚ
GILBERTO PETRUCHE
RONALD SUPLICY
RUBENS EWALD FILHO
MARCOS ROSSET
OCEANO VIEIRA
MIRTES LAGUZZI
PAULO GUSTAVO PEREIRA
TÂNIA LIMA
RUBENS PEREIRA JR.
CARLOS CARDOSO
MARCELO DATOGUÊA
FERNANDO BRITO
ANDRÉ STURM
PAULO PEREIRA
ROBERTO DE ANDRADE
CHRISTIAN PETERMANN

E COM AS VIDEOLOCADORAS MAIS FAMOSAS DA CIDADE:

OMNI VÍDEO   2001 VÍDEO   REAL VÍDEO  
VÍDEO NORTE   HOBBY VÍDEO    CHARADA VIDEOLOCADORA 
HM HOME VÍDEO   CLEMENTE´S VÍDEO   STAR VÍDEO CULTURA
FIREFOX VÍDEO   VERÃO 42 VIDEOLOCADORA  PREMIERE VÍDEO 
RENATA VÍDEO   ROMA VÍDEO   CINEMAGIA VIDEOLOCADORA
SPACE VIDEOLOCADORA   SPLASH VÍDEO   TOP CINE VÍDEO  
VÍDEO CONNECTION   VÍDEO PARAÍSO  VIRTUAL VÍDEO  


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Um comentário:

Hugo disse...

Ainda não tive chance de ver o documentário.

Eu acompanhei todo o ciclo de vida das videolocadoras, desde o início em meados dos anos oitenta quando o mercado não tinha regulamentação e as fitas piratas eram chamadas de "alternativas", até a morte lenta após a virada do século. Lembro de ter visto "Duro de Matar" numa destas fitas com uma imagem horrorosa.

Para quem viveu fica a saudade e a nostalgia de escolher o filme em meio a tantas fitas, ler a sinopse, curtir o momento "físico". Mas desde que a tv a cabo começou a se popularizar, ficou claro que as locadoras morreriam. A chegada do streaming em suas várias formas foi a pá de cal.

Abraço

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