OUTUBRO DAS BRUXAS
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HOMENZINHO
Quando Scott Carey começa a diminuir por causa da exposição a uma combinação de radiação e inseticida, a ciência médica é impotente para ajudá-lo.
Favor não confundir com QUERIDA, ENCOLHI AS CRIANÇAS (que certamente se inspirou neste clássico na criação dos efeitos especiais) como não é uma produção Disney e sim da Universal Pictures, O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU a primeira versão de 1957 - (depois houve uma nova adaptação em 1981 bem tola dirigida por JOEL SCHUMACHER que mistura sic-fi e comédia estrelada por Lily Tomlin (A Mulher que Encolheu), Charles Grodin e Ned Beatty e outras versões para TV que bebem da mesma fonte) entrou para a minha lista deste ano do especial Outubro das Bruxas. Embora tenha elementos do cinema de aventura fantástico o Horror- Sci-fi da fita é evidente. A magia dos efeitos especiais não envelhecem e continua a transcender o tempo. Quando assisti pela primeira vez ainda menino tive pesadelos. Eis que o responsável pelos meus sonhos terríveis de infância é o mestre deste seguimento, o diretor e produtor americano JACK ARNOLD (1916-1992). Ex-ator e documentarista, foi para a Universal, onde se tornou responsável por um renascimento do estúdio (que nos anos primeiros anos pertencia a Carl Laemmle) no setor do filme fantástico propriamente. Assim, criou O MONSTRO DA LAGOA NEGRA, enfrentou A AMEAÇA QUE VEIO DO ESPAÇO, lutou com a TARÂNTULA, mas conseguiu sua obra-prima, esta que vos falo, com a ajuda do roteirista RICHARD MATHESON o mesmo de Encurralado (1971), Em Algum Lugar do Passado (1980), Eu Sou A Lenda (2007 - antes adaptado como The Omega Man - A Última Esperança da Terra, 71) baseado na obra literária do mesmo. Depois de uma fase na qual se dedicou exclusivamente à TV, Arnold retornou à ativa, em filmes de pouca qualidade e repercussão, mas é inegável a sua importância no gênero ciclo de filmes TERROR e ou/ Aventuras ATÔMICA!
Arnold não almejava criar apenas filmes meramente comerciais. Sempre existiu a intenção de criar subtexto. Por exemplo, em O Monstro da Lagoa Negra, o elo perdido da natureza e todo o ecossistema de seu habitat natural fora invadido e poluído pela ação dos homens. Quando Julia Adams está fumando um cigarro e joga a bituca no lago, Arnold faz com que acompanhemos esse objeto afundando indo de encontro com a criatura que a observa de forma ameaçadora. O cigarro é o ligamento mais forte do homem vs. natureza. Aqui, em sua primeira metade, Arnold faz uma representação curiosa do herói como um problema alternadamente médico, doméstico e socioeconômico. Por mais que a película não seja considerada uma obra-prima pela maioria dos críticos, essa associação com O Incrível Homem que Encolheu é bastante pertinente, tanto que não vejo problemas em compará-lo com, digamos, filmes como Palavras ao Vento (1956), de Douglas Sirk e por mais que não seja um melodrama classe A e seja mais um típico filme B das matinês. Mesmo porque, Arnold não exita em recriar um retrato irônico e aterrorizante da vida da classe média norte-americana basicamente virada do avesso.
Na premissa, Scott Carey, interpretado por GRANT WILLIAMS (1931-1985) e que naquele ano atuou também em outra pérola: Rastros do Espaço (1957), de John Sherwood, é exposto a uma espécie de nuvem enigmática, certamente radioativa, enquanto estava em um cruzeiro e, com isso, acaba encolhendo aos poucos. E a medida em que encolhe o filme começa a ficar realmente interessante e aterrador. O que mais me fascina no filme é a simplicidade visual, porém criativa, de Arnold que combina sabiamente o caráter absurdo e ambíguo da premissa de Matheson para depois, em seu segundo ato, a fita realmente instigar o espectador...
Scott, então menor do que o salto de um sapato, é abandonado a própria sorte em seu porão e precisa enfrentar várias ameaças naturais - de repente o lar se transforma numa verdadeira natureza selvagem e é aí que o filme deslancha, tornando-se uma aventura de ficção científica emocionante e por que não dizer até mesmo poética?! Mas há terror, Rodrigo? Sim, ele existe, além daquela antecipação que nos causa calafrios e muito nervoso quando tudo que aparece no caminho de Scott se apresenta como monstros: um gatinho que deu o que fazer e uma aranha que é acordada em sua teia e sai para fazer um lanchinho...
O desfecho é inspirador ("Para Deus, não existe zero"). Arnold faz o que poucos cineastas conseguiram, talvez somente Lucas e Spielberg que seguiram sua trilha, ou seja, fez algo raro neste tipo de cinema popular conseguindo lidar de forma clara e objetiva com temas sociais, naturais e metafísicos.
Grande parte da aura deste filme, do porque ele é especial, vem da sua agudeza psicológica e do uso vívido e preciso dos objetos que em um filme "normal" são meros adereços de cena, mas aqui, tornam-se cenários gigantescos! Sua arquitetura de escadas, caixotes, caixas de fósforos e latas de tintas, citando alguns, são de encher os olhos. E fizeram tudo isso em 57!
Para Arnold e Matheson, Scott é um típico homem da era atômica: sua aventura é uma lição sobre a hostilidade do espaço urbano e da propensão indestrutível da humanidade de tomar a si mesma como medida de todas as coisas. Tenho a mesma predileção por ele como tenho por O Monstro da Lagoa Negra.
O pesadelo no mundo dos gigantes. Olha onde pisa, ou melhor, cuidado onde anda para não ser pisado!
★★★★★
Arnold não almejava criar apenas filmes meramente comerciais. Sempre existiu a intenção de criar subtexto. Por exemplo, em O Monstro da Lagoa Negra, o elo perdido da natureza e todo o ecossistema de seu habitat natural fora invadido e poluído pela ação dos homens. Quando Julia Adams está fumando um cigarro e joga a bituca no lago, Arnold faz com que acompanhemos esse objeto afundando indo de encontro com a criatura que a observa de forma ameaçadora. O cigarro é o ligamento mais forte do homem vs. natureza. Aqui, em sua primeira metade, Arnold faz uma representação curiosa do herói como um problema alternadamente médico, doméstico e socioeconômico. Por mais que a película não seja considerada uma obra-prima pela maioria dos críticos, essa associação com O Incrível Homem que Encolheu é bastante pertinente, tanto que não vejo problemas em compará-lo com, digamos, filmes como Palavras ao Vento (1956), de Douglas Sirk e por mais que não seja um melodrama classe A e seja mais um típico filme B das matinês. Mesmo porque, Arnold não exita em recriar um retrato irônico e aterrorizante da vida da classe média norte-americana basicamente virada do avesso.
Na premissa, Scott Carey, interpretado por GRANT WILLIAMS (1931-1985) e que naquele ano atuou também em outra pérola: Rastros do Espaço (1957), de John Sherwood, é exposto a uma espécie de nuvem enigmática, certamente radioativa, enquanto estava em um cruzeiro e, com isso, acaba encolhendo aos poucos. E a medida em que encolhe o filme começa a ficar realmente interessante e aterrador. O que mais me fascina no filme é a simplicidade visual, porém criativa, de Arnold que combina sabiamente o caráter absurdo e ambíguo da premissa de Matheson para depois, em seu segundo ato, a fita realmente instigar o espectador...
Scott, então menor do que o salto de um sapato, é abandonado a própria sorte em seu porão e precisa enfrentar várias ameaças naturais - de repente o lar se transforma numa verdadeira natureza selvagem e é aí que o filme deslancha, tornando-se uma aventura de ficção científica emocionante e por que não dizer até mesmo poética?! Mas há terror, Rodrigo? Sim, ele existe, além daquela antecipação que nos causa calafrios e muito nervoso quando tudo que aparece no caminho de Scott se apresenta como monstros: um gatinho que deu o que fazer e uma aranha que é acordada em sua teia e sai para fazer um lanchinho...
O desfecho é inspirador ("Para Deus, não existe zero"). Arnold faz o que poucos cineastas conseguiram, talvez somente Lucas e Spielberg que seguiram sua trilha, ou seja, fez algo raro neste tipo de cinema popular conseguindo lidar de forma clara e objetiva com temas sociais, naturais e metafísicos.
Grande parte da aura deste filme, do porque ele é especial, vem da sua agudeza psicológica e do uso vívido e preciso dos objetos que em um filme "normal" são meros adereços de cena, mas aqui, tornam-se cenários gigantescos! Sua arquitetura de escadas, caixotes, caixas de fósforos e latas de tintas, citando alguns, são de encher os olhos. E fizeram tudo isso em 57!
Para Arnold e Matheson, Scott é um típico homem da era atômica: sua aventura é uma lição sobre a hostilidade do espaço urbano e da propensão indestrutível da humanidade de tomar a si mesma como medida de todas as coisas. Tenho a mesma predileção por ele como tenho por O Monstro da Lagoa Negra.
O pesadelo no mundo dos gigantes. Olha onde pisa, ou melhor, cuidado onde anda para não ser pisado!
Eua
Ficção-científica/Terror
1h 21min.★★★★★
THE INCREDIBLE
SHRINKING MAN
Roteiro
de
RICHARD MATHESON Baseado em seu livro
Produzido
por
ALBERT ZUGSMITH
Fotografado
por
ELLIS W. CARTER
Música
de
FOSTER CARLING . EARL E. LAWRENCE
ESTRELANDO:
GRANT WILLIAMS ... Scott Carey
RANDY STUART ... Louise Carey
APRIL KENT ... Clarice Bruce
PAUL LANGTON ... Charlie Carey
RAYMOND
BAILEY ... Doctor Thomas Silver
WILLIAM
SCHALLERT ... Doctor Arthur Bramson
FRANK J.
SCANNELL ... Barker (as Frank Scannell)
HELENE
MARSHALL ... Nurse
DIANA DARRIN ... Nurse 2
BILLY CURTIS ... Midget









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