ABÓBORAS E GUIRLANDAS
Jack Skellington, rei da Cidade do Halloween, descobre a Cidade do Natal, mas suas tentativas de levar o Natal para seu mundo causam confusão.
Tim Burton concebeu o grande marco da minha infância. Um filme que sempre levo comigo e tradicionalmente, pós Halloween e pré Natal, assisto todos os anos. Numa deliciosa Edição de Colecionador lançada pela Disney em DVD (tirando a logomarca da Touchstone), guardo com carinho essa façanha realizada em 1993 que trás vários materiais extras e curiosidades. Mas antes de tudo, é preciso destacar o nome do diretor deste longa, Henry Selick que comandou a direção desta suntuosa produção e que acabou ficando nas sombras já que os maiores créditos acabou sendo direcionado a Burton (que na época não pode dirigir porque rodava Batman: O Retorno). Na verdade, Selick é um especialista na criação de filmes diferentes, utilizando basicamente animação de bonecos. Estreou no longa com este filme, uma animação sombria, feita em stop-motion (com massinhas de modelar fotografadas quadro-a-quadro), produzida e promovida por Tim Burton, que ficou injustamente com a maior parte do crédito, em minha opinião. Em seguida, também usando a mesma técnica, revolucionou em um filme que até hoje é subestimado, uma adaptação da obra infantil de
ROALD DAHL ( autor de A Fantástica Fábrica de Chocolates, Matilda e O Bom Gigante Amigo), JAMES E O PÊSSEGO GIGANTE (James and the Giant Peach, 1996), também para Disney. Só que desta vez, mesclando com atores reais em várias cenas em live action. O Resultado? Novamente semelhanças com o universo de Tim Burton (que também assina a produção desta fita, só que sem maiores destaques). Mera coincidência, já que Selick colaborou nesse tempo com Burton justamente por ambos partilharem da mesma visão, mas, verdade seja dita, Selick foi um protégé de Burton, mas nem por isso menos talentoso, aliás, provou novamente a que veio com outra animação ainda fiel a antiga técnica frame by frame com o espetacular infanto-juvenil Coraline e o Mundo Secreto (2009), filme baseado em universo paralelo de Neil Gaiman. Mais uma vez misturando desenho com filme, realizou ainda o curioso e esquisito Monkeybone, no Limite da Imaginação (2001), com Brendan Fraser, Bridget Fonda, John Turturro, Whoopi Goldberg, Bob Odenkirk e grande elenco, sobre um cartunista que, em coma, se vê preso dentro de seu próprio quintal e encontra uma maneira de voltar, enquanto corre contra seu personagem popular, mas traiçoeiro, Monkeybone. Fracasso de bilheteria e crítica. Mas o seu começo foi promissor quando realizou alguns curtas para a televisão, em destaque a aventura animada Slow Bob in the Lower Dimensions (1991), passado em um pesadelo sobre Robert Potemkin, um homem de costas deformadas, que vive no sótão da casa de sua família. Certa noite, suas irmãs siamesas planejam brincar com ele, mas sentem que os lagartos o mandam para um mundo paralelo para salvar as pessoas da foto. Um trabalho surrealista com a aura de Dalí.
ROALD DAHL ( autor de A Fantástica Fábrica de Chocolates, Matilda e O Bom Gigante Amigo), JAMES E O PÊSSEGO GIGANTE (James and the Giant Peach, 1996), também para Disney. Só que desta vez, mesclando com atores reais em várias cenas em live action. O Resultado? Novamente semelhanças com o universo de Tim Burton (que também assina a produção desta fita, só que sem maiores destaques). Mera coincidência, já que Selick colaborou nesse tempo com Burton justamente por ambos partilharem da mesma visão, mas, verdade seja dita, Selick foi um protégé de Burton, mas nem por isso menos talentoso, aliás, provou novamente a que veio com outra animação ainda fiel a antiga técnica frame by frame com o espetacular infanto-juvenil Coraline e o Mundo Secreto (2009), filme baseado em universo paralelo de Neil Gaiman. Mais uma vez misturando desenho com filme, realizou ainda o curioso e esquisito Monkeybone, no Limite da Imaginação (2001), com Brendan Fraser, Bridget Fonda, John Turturro, Whoopi Goldberg, Bob Odenkirk e grande elenco, sobre um cartunista que, em coma, se vê preso dentro de seu próprio quintal e encontra uma maneira de voltar, enquanto corre contra seu personagem popular, mas traiçoeiro, Monkeybone. Fracasso de bilheteria e crítica. Mas o seu começo foi promissor quando realizou alguns curtas para a televisão, em destaque a aventura animada Slow Bob in the Lower Dimensions (1991), passado em um pesadelo sobre Robert Potemkin, um homem de costas deformadas, que vive no sótão da casa de sua família. Certa noite, suas irmãs siamesas planejam brincar com ele, mas sentem que os lagartos o mandam para um mundo paralelo para salvar as pessoas da foto. Um trabalho surrealista com a aura de Dalí.
Quanto a Jack, que é basicamente uma estória infantil baseada em um poema do próprio Burton e que apresenta universos mágicos de todas as datas festivas (Natal, Páscoa, Ação de Graças [feriado propriamente norte-americano], Halloween) portais escondidos em diversos troncos das árvores, que nos transporta até o mundo mostrengo de Jack Skellington (que na versão dublada em inglês tem vozes originais do compositor DANNY ELFMAN, nas cenas musicadas e do ator CHRIS SARANDON [ o vampiro Jerry de A HORA DO ESPANTO ] nas cenas faladas), o rei da cidade do Halloween, que resolve ingenuamente modificar os festejos natalinos transformando tudo numa festa parecida com o Dia das Bruxas que evidentemente não irá agradar os cristãos e as criancinhas que esperam ansiosamente pelo Papai Noel no meio da noite descendo pela chaminé e depositando gifts em meias e árvores de natal. Com lembranças terrificantes como uma anaconda que devora uma árvore e outros brinquedos aterrorizantes que ganham vida, Jack não se deu conta da confusão que arranjou com o cúmulo de ser impedido por canhões que atingem as suas "renas" fazendo-o cair em um cemitério local. É o senso de humor negro e nenhum pouco ortodoxo do mundo sombrio de Tim Burton com a técnica artesanal criativa de Selick. Mas não se espante, você que é mãe e pai, afinal de conta, a fita é uma festa e as crianças normalmente adoram (e esses temas de fantasmas e morte ainda fazem sucesso, vide o recente "Viva - A Vida é uma Festa" da Pixar). Me impressiona o fato do filme ter sido produzido um pouco antes da era digital, basicamente um musical de terror para crianças. Como brasileiro não é familiarizado com a mitologia do Halloween igual o americano (embora saibamos da data, mas culturalmente não se comemora aqui da maneira devida), muita coisa se perde, ao menos para os mais desavisados ou espectadores que não assistiram aos vários filmes de horror descaradamente homenageados aqui. Mas a trilha sensacional e genial de Elfman que merecia ganhar o Oscar na categoria, é o ponto de partida principal para fazer com que a fita ganhe todo o tipo de público alvo (hoje em dia é mais do que comum animações infantis, mesmo as que não são da Disney, terem números e enredos musicais, uma tradição americana que nunca morrerá), assim sendo, é excelente e gratificante acompanhar a narrativa através das canções. Cada frame, personagens, cenários, enfim, são extremamente originais. A iluminação dos ambientes fotorealísticos por maquetes e modelagens é a perfeição numa fotografia assinada por Pete Kozachik, técnico de efeitos visuais, e que trabalhou em clássicos como Viagem Insólita (1987), de Joe Dante. A única indicação ao Oscar que Jack obteve foi justamente pela façanha dos Efeitos Visuais.
O DVD que consegui obter com uma edição dupla traz comentários de Burton, Selick e Elfman. Nos bastidores, é mostrado todos os detalhes em features como "O Que é isto?", um passeio com Jack pela Mansão Mal Assombrada na Disneyland. Além do magnífico poema original de Burton apresentado em animação (praticamente um resumo do filme) com narração da maior lenda do cinema, SIR. CHRISTOPHER LEE (adoro!), e, obviamente, cenas inéditas por trás das câmeras de algumas sequências animadas e o trampo que é fazer um filme em stop-motion. Mas, o maior presente para os fãs do cineasta é o segundo curta-metragem (que mais parece média-metragem) que o mesmo realizou em 1984 e que transformaria em animação anos mais tarde... FRANKENWEENIE, com Shelley Duvall (de "O Iluminado"), Daniel Stern (de "Esqueceram de Mim"), o menino Barret Olivier (de "A História Sem Fim") e Paul Bartel, uma simpática homenagem ao clássico de James Whale "Frankenstein", em preto e branco, mostrando como um garoto consegue ressuscitar seu cãozinho de estimação, e tudo isso com uma nova apresentação de Burton. Em "Cidade do Halloween", o DVD mostra testes de animação com comentários de Selick e comparações entre storyboards e filme.
O Estranho Mundo de Jack continua sendo o único filme infantil capaz de unir celebrações tão opostas como o Halloween e o Natal. Longe de ser maniqueísta em sua execução, Selick e Burton conseguem criar um mundo de cores pasteis e sombrias...é Noir e ao mesmo tempo cheio de luzes. Personagens bizarros dos mais agradáveis, em destaque o malvado Oogie Boogie ("Bicho Papão") que sempre me deu agonia, na voz de KEN PAGE num núcleo fascinante, um híbrido do Jazz com blaxploitation.
Jack deseja um Feliz/Assustador Natal de Todos os Santos à todas as crianças obedientes.
EUA
AVENTURA/MUSICAL/INFANTIL/ANIMAÇÃO/FANTASIA
1h 16 min.
★★★★★
Walt
Disney Pictures
Apresenta
Apresenta
TIM BURTON´S
THE
NIGHMARE
BEFORE
CHRISTMAS Estrelando as vozes originais de:
Danny Elfman Chris
Sarandon Catherine O´Hara
William Hickey Paul Reubens Ken Page
Música de Danny
Elfman História e personagens de Tim Burton
Adaptado por Michael McDowell Roteiro de Caroline
Thompson
Produzido por
Tim Burton Denise Di Novi








3 comentários:
É uma animação bem interessante, com boa história e personagens carismáticos.
A união de Natal e Halloween que você citou é outra boa sacada.
Abraço
Olá Rodrigo
Simplesmente amei essa temática Halloween/Natal!
Um dos meus favoritos da vida.
É se não o primeiro, um dos, essa mistura de fantástico e gótico que encanta pelas camadas com as quais é construído.
Como não se encantar com esse esqueleto de postura elegante??????
Que queria encontrar (e encontra) algo que preenche o coração?????
Que promove uma integração social de elementos culturais!
Esse post é sensa, um presente de 25 anos da obra, aniversário perfeito.
Ótima semana pra ti
https:cafecomleituranarede.blogspot.vom.br
Hugo, Luli, obrigado pelos comentários.
Além da união Halloween e Natal terem sido uma ótima sacada, foi também trabalhado num ritimo e dinâmica exemplares. Burton sempre soube trabalhar com a escuridão e a luz em toda sua obra, não paralelamente, mas ao mesmo tempo.
Abraço!
Postar um comentário