O
PONTO DE VISTA DO PSICOPATA
☠OUTUBRO
DAS BRUXAS 2ª TEMPORADA ☠
Um jovem documentarista se revela um frio e
assustador assassino de mulheres e presa à sua câmera está uma estaca de metal
que ele utiliza para matar enquanto filma.
O
filme mais polêmico em todos os tempos. O mais discutido nas rodinhas
cinéfilas. O mais cult. Não é exagero
afirmar de que A Tortura Do Medo (Peeping Tom, 1960) é um dos maiores Thriller de horror já realizados. A
fita fez tanto escândalo que chegou a arruinar a brilhante carreira do cineasta
inglês Michael Powell (1905-1990) que
realizou clássicos esplêndidos, filmaços, como Os Sapatinhos Vermelhos –
o meu predileto – (The Red Shoes, 1948), estrelando a sua
favorita Moira Shearer (1926-2006) e também o incrível Narciso
Negro (Black
Narcissus, 1947) sempre co-dirigido pelo austríaco Emeric
Pressburger (1902-1988). Este terror é o seu melhor feito e o
dirigiu sozinho. A escolha inicial para o papel central do maníaco Mark Lewis incluía o ator Dirk Bogarde,
mas o personagem acabou ficando com o ótimo Karlheinz Böhm,
creditado como Carl Boehm. Certamente
é o seu filme mais reconhecido, mas o ator já tinha uma longa carreira tendo
atuado em fitas como: Sissi
(1955 de Ernst Marischka) com a estonteante Romy Schneider e em suas
continuações: Sissi, A Imperatriz (1956)
e Sissi...
(1957 – sem subtítulo traduzido), uma interessante trilogia sobre Elisabeth
“Sissi” da Áustria.
Pepping Tom chegou a ser votado como
um dos 25 filmes mais perigosos! Powell havia revelado em suas memórias outras
candidatas para o papel de Vivian,
como Joan Plowright, que foi rejeitada por ser muito cordial e doce e a estrela
em ascensão Julie Andrews, não aceita por este motivo. No final o papel acabou
mesmo com Moira, apesar de Powell sempre descrevê-la como uma das mulheres mais
glamorosas do mundo. A ótima Anna Massey, que morreu recentemente, conhecida pelo papel
coadjuvante em um dos últimos suspenses de Hitchcock: Frenesi (Frenzy, 1972 - fazia a Babs) tem excelente interpretação
como uma das vítimas, Helen Stephens.
Vivendo a senhora cega, Maxine Audley (1923-1992) ainda me emociona. A fita, obviamente
foi censurada. Em conseqüência disso e antes mesmo de seu lançamento, muita das
cenas do filme ficam um tanto destoadas. Considerado extremamente áspero para
os padrões da época, certamente da para sentir durante a projeção algumas
inconveniências na premissa, por exemplo, com relação aos assassinatos de
Vivian e Dora (a ótima Brenda Bruce) que acabaram sendo diminuídas. Powell havia
incluído à trama fotos de nudez, até mesmo de menores, que tiveram o descarte
na película e até mesmo o suicídio do vilão teve que ser encurtado. O final
entre os policias também tiveram o diálogo cortado, o que explica o resultado
abrupto. Mesmo assim, o filme foi relançado e posteriormente restaurado, mas
muitas das imagens retiradas da versão final, infelizmente estão perdidas.
Nunca
fiquei tão impressionado. O cinema inglês quiçá é melhor que o de Hollywood em alguns
aspectos ou em todos eles. Peeping Tom
ainda me causa calafrios, pena e angústia. Já no início somos testemunhas de um
assassinato cruel capturado pelo visor da câmera e Boehm sabe lindamente
competir com Anthony Perkins com o seu Norman Bates de Psicose.
Ambos fazem o psicopata perfeito, mas o filme de Powell, lançado no mesmo ano
(e antes) da fita de Hitch, ainda é precursor.
Não
há dúvidas de que Mark é um monstro, apesar de sua aparência. E o velho ditado
já dizia que as aparências enganam. Só que em meio a tanta crueldade parece ter
uma explicação ou o velho clichê de uma infância perturbada revelado em
fragmentos. Ainda assim, não consigo achá-lo um personagem simpático. O filme
mostra que o pai fazia torturas no filho enquanto o filmava em suas
experiências psicanalíticas (jogava luz direta em seus olhos o cegando ou
colocando bichos em sua cama). Com tanto trauma reunido, Mark usa a sua câmera
para fundir sexo, morte, vingança, rancor, enfim... emoções transitórias que só
duram um rolo de celulóide para depois – como todo psicopata que adora um
ritual – repetir novas experiências.
A
rejeição do filme em vários espectadores, alguns críticos, à época é plausível,
num filme tão difícil e com um personagem tão assustador que afugenta qualquer
um. Também é preciso explicar que Powell até então fazia filmes surpreendentes,
mas não tão diretamente chocantes (embora eu ache Sapatinhos Vermelhos
tão psicológico e pulsante quanto este). O que deve ter (também) perturbado a
plateia pode ter sido o fato de o voyeurismo ser absolutamente
explícito e discursivo. Um efeito tão atual ao pensar no avanço da tecnologia,
nas máquinas fotográficas híbridas que fazem captações tão inesperadas, a
internet, o “Big Brother” que espia a vida alheia sem o menor bom senso. Não
estamos a salvo na Era Das Imagens!
Powell
foi realmente um exímio cineasta e em seu filme menos inocente, conseguiu
manter todo o fôlego de suas habilidades técnicas. Estava em vigor criativo.
Cores vivas nas cenas mais mortíferas, A
Tortura do Medo nos permite entrar na mente aterradora de um homem frio e
calculista, um louco que não permite atalhos. É o seu ponto de vista em um dos
melhores filmes de terror em anos. “Look
Out!”
INGLATERRA – 1960
TERROR/SUSPENSE
WIDESCREEN
101 min.
COR
18 ANOS
SILVER SCREEN
✩✩✩✩✩ EXCELENTE
Uma produção de MICHAEL POWELL
Carl Boehm Moira Shearer Anna Massey
Maxine Audley Brenda
Bruce Miles Malleson
Esmond Knight Martin
Miller Bartlett Mullins
Michael Goodiffe Nigel
Davenport Jack Marson
Shirley Anne Fieldm Pamela
Green Brian Wallace
Música Original BRIAN EASDALE
Direção de Fotografia OTTO HELLER
Montagem NOREEN ACKLAND Direção de Arte ARTHUR LAWSON
Produtor Associado ALBERT FENNELL
Argumento e Roteiro LEO MARKS
Produzido & Dirigido por
MICHAEL POWELL










5 comentários:
Olha, já me disseram que esse filme do Powell é fabuloso. Assisti a maioria de seu filmes com Pressburger, com destaque para Red Shoes que é uma obra-prima sensacional. Colocarei esse nas minha prioridades, assim que arrumar uma cópia boa. abraço!
Um dos grandes filmes da história do cinema. Sensacional! Assustador!
O Falcão Maltês
Ótimo texto, e o filme é uma obra-prima do suspense. Merece ser mais conhecido, embora eu desconfie que mesmo as plateias modernas ainda possam considerá-lo perturbador...
Ótimo texto, e o filme é uma obra-prima do suspense. Merece ser mais conhecido, embora eu desconfie que mesmo as plateias modernas ainda possam considerá-lo perturbador...
Celo: Tem uma cópia boa do filme, procure o DVD pela Silver Screen, pelo menos eu gostei desta edição, claro que não é uma Warner Bros, ou Paramount, mas pelo menos o filme esta em boa qualidade.
Abs.
Antonio: Fiquei mais assustado do que quando assisti pela primeira vez "Psicose"!
Ivanildo: De fato, ainda hoje o filme perturba. Mostrei o filme aqui em casa para algumas pessoas que se impressionaram. Realmente é muito forte, mas Powell sabe utilizar lindamente os artifícios cinematográficos para a sessão não ser insuportavelmente gratuita e barata.
Abs.
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