MISSION FAILED
Espião
francês é contratado por agente americano da CIA para se infiltrar na Cuba em
uma perigosa missão que consiste em verificar os rumores de que os cubanos
estariam envolvidos com espiões russos e outro agente duplo da OTAN, “Topázio”,
numa secreta conspiração internacional.
Fiquei por muito tempo tentando
apreciar e escrever sobre esta que é considerada a pior fita de HITCHCOCK.
Baseado em um famoso best-seller,
escrito por LEON URIS (1924-2003) que
eu nunca cheguei a ler. É basicamente um filme sobre espionagem, mas sem o
mesmo interesse pela maioria que admira INTRIGA INTERNACIONAL ou um dos
melhores filmes de sua fase britânica: Agente Secreto (Secret Agent, 1936). O crítico americano Leonard Maltin chega a fazer uma ótima releitura do filme em um
mini-documentário nos extras do DVD, ainda assim, TOPÁZIO
(Topaz, 69) continua sendo o único
exemplar de Hitch na qual tenho pouca predileção. Não o acho desinteressante,
totalmente, apenas um desperdício de idéias. Exemplificando, além de o filme
trazer um roteiro raso de SAMUEL TAYLOR
(1912-2000), que inclusive já assinou o script
sensacional de VERTIGO, Um Corpo Que Cai (1958), este é um daqueles
filmes que se perdem no meio do caminho tanto é que Hitchcock teve dificuldades
para conceber o final que acabou trazendo três alternativas conclusivas (Um Duelo/ No Aeroporto/
E o Suicídio) este último que acabou sendo utilizado.
A trama consiste em abordar o
auge da Guerra Fria, neste cenário, um francês estaria neutro, mas acaba se
infiltrando em território cubano a pedido do serviço secreto americano (e de um velho amigo
e ambos vivem trocando favores), a fim de investigar a atuação do governo russo
em terras de Fidel. Com isso, acaba por desmascarar um agente duplo dentre os
altos membros compatriotas da França. FREDERICK
STAFFORD (1928-1979), que de francês não tem nada e parece mais um James Bond devido a seu jeito refinado e
aparência elegante (mas nunca que ele entra em ação física. Chato), vive o
papel de Devereaux, o próprio francês
que é designado para a missão, já que os cubanos não suportam os americanos. No
papel do agente americano, Michael
Nordstrom que pede ajuda a Devereaux,
é JOHN FORSYTHE (1918-2010 - que
já trabalhou com Hitch no ótimo O Terceiro Tiro, The Trouble With Harry, 55) que desempenha com alguma dignidade,
mesmo sendo coadjuvante. Os demais do elenco são: DANY ROBIN, a loura e mulher do agente francês, Nicole, que acaba sendo uma peça
fundamental para revelar o misterioso “Topázio”, JOHN VERNON, tentando fazer um militar cubano malvado, Rico Parra, mas a tentativa é, no
entanto, desastrosa, KARIN DOR (já
foi vilã num filme de 007: Só se Vive Duas Vezes, You Only Live Twice, 67), como a viúva de um revolucionário, Juanita, péssimo desempenho aqui, que
tem um caso romântico com o herói e vive presa em Cuba (também é uma gente
dupla) e provavelmente o mais interessante do filme é a presença dos ilustres: MICHEL PICCOLI como Jacques Granville e PHILLIPPE NOIRET (O Alfredo de Cinema
Paradiso)
como Henri Jarre que acaba
assassinado, também!
Pois é meus camaradas cinéfilos, Topázio não é nem de longe um filme tão surpreendente, a pior fase de Hitch, certamente. Diferente do subestimado CORTINADA RASGADA (1966 – sua fita anterior), o filme não consegue tirar grandes momentos de brilhantismo do cineasta que não poupa em querer fazer um filme sério, frio, com nenhum humor e que acaba culminando em um entretenimento distante, acho que nem chega a ser! O resultado comercial é até explicável (foi o maior fracasso dele. Custou cerca de R $ 4.000.000 e recebeu apenas R $ 1.000.000, na bilheteria). O mais curioso é que o filme tinha ingredientes para ser ótimo: política, espionagem, traições (as cenas de sexo ainda nos moldes clássicos), suicídio e é claro, em um filme de Hitchcock, assassinato. Mas nenhum deles tem uma cena memorável.
O autor Leon Uris chegou a
trabalhar pessoalmente em um primeiro rascunho do roteiro que Hitch acabou
declarando como um trabalho insatisfatório e no último minuto, chamou Samuel
Taylor (antes Hitch havia convidado Arthur Laurents, que escreveu Rope-
Festim Diabólico,
para trabalhar no filme, mas ele recusou) que acabou acrescentando nada que
faça do filme um thriller dos bons.
Detalhe: Taylor teve que reescrever o roteiro do início novamente. O maior
problema é que existiram muitas dúvidas no formato da película desde o início,
raro acontecimento na carreira tão vasta e brilhante de Hitchcock. Todos
estavam em um péssimo momento criativo. Nenhum estalo.
Quanto à música? Super chata,
sem emoção, nada que se deva comparar com Bernard Herrmann, Dimitri Tiomkin,
Franz Waxman ou John Williams. Nada nela é operístico, chamativo o suficiente
para passar aquela sensação na antecipação (e o filme quase não tem muito
clímax ou reviravoltas excitantes, o que não ajuda). Um dos piores trabalhos do
compositor MAURICE JARRE (1924-2009)
conhecido por filmes de sucessos como Ghost – Do Outro Lado Da Vida e já ganhou Oscar três vezes (Lawrence
Da Arábia, Doutor Jivago e Passagem Para A Índia). Hitchcock nem sequer havia
ouvido a música para o filme e a utiliza mais em imagens de arquivo (parece ter
mais função nos créditos iniciais, apenas).
Segundo o diretor, este foi
outro de seus filmes experimentais. Além do diálogo, a trama é revelada através
do uso de cores, predominantemente vermelho, amarelo e branco. Ele admite que
isso acabou não funcionando.
A loja que os Kusenov visitam no início do filme, pouco antes da deserção de Boris (interpretado por PER-AXEL AROSENIUS) é Den Permanente, uma exposição permanente de Artes e Ofícios dinamarqueses. Foi fundada em 1931 como uma cooperativa por alguns artistas dinamarqueses e artesãos.
Este é o filme mais longo de Hitchcock originalmente com 143 minutos! A versão editada é um pouco mais suportável 126 min.! Hitch aparece depois que se passaram cerca de 30 minutos de filme, no aeroporto em uma cadeira de rodas.
É estranho afirmar que este filme é abaixo da média. Errar é humano e nem o mestre esta imune disso. Ainda bem que seus próximos filmes foram mais divertidos e de fácil compreensão para todo o público. Se tiverem curiosidade, assistam, mas é esquecível, infelizmente.
SUSPENSE
FULLSCREEN
COR
126
min.
16
ANOS
UNIVERSAL
– COLEÇÃO HITCHCOCK
✩✩
REGULAR
ALFRED HITCHCOCK´S
TOPAZ
DA OBRA DE LEON URIS
Estrelando: FREDERICK
STAFFORD
DANY ROBIN. JOHN
VERNON. KARIN DOR
Co-estrelando: MICHEL
PICCOLI. PHILIPPE NOIRET
CLAUDE JADE. MICHEL
SUBOR. PER-AXEL AROSENIUS
E JOHN FORSYTHE como “Michael
Nordstrom”
Música de MAURICE
JARRE Escrito por SAMUEL TAYLOR
Dirigido por
ALFRED HITCHCOCK
TOPAZ ©1969 A UNIVERSAL PICTURE










4 comentários:
Oi Rô,
tudo bem?
Esse ainda não vi :)
Lembro, de ter assistido um documentário sobre o Hitch; o qual citava este filme como a grande decepção dele,rs.
De toda forma, sua opinião (como sempre) muito bem elaborada.
besos
Grande Rodrigo...como vai cara?
Você acredita que eu tenho esse filme em casa há alguns anos e nunca consegui assistir mais que 10 minutos dele? Junto com O Terceiro Tiro, na minha opinião são os dois piores filmes de Hitch.Pode ser que esse ano, após ter estudado muito sobre CUBA na Universidade, eu consiga assisti-lo inteiro, vou procurar revê-lo com outros olhos após sua crítica.... Abração e parabéns pelo ótimo Post.
Pati: Depois me passe este documentário, por favor? Certamente Topázio é o filme mais distante de Hitch.
Besos!!
Olá Jefferson vou bem e vc? Obrigado!
Poxa man acho "O Terceiro Tiro" sensacional! Muito subestimado.
Abs.
Outro filme que esta na lista para ser vistos, obrigadao. ótimo post.
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