quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

ALFRED HITCHCOCK | TOPÁZIO


 MISSION FAILED


Espião francês é contratado por agente americano da CIA para se infiltrar na Cuba em uma perigosa missão que consiste em verificar os rumores de que os cubanos estariam envolvidos com espiões russos e outro agente duplo da OTAN, “Topázio”, numa secreta conspiração internacional.


Fiquei por muito tempo tentando apreciar e escrever sobre esta que é considerada a pior fita de HITCHCOCK. Baseado em um famoso best-seller, escrito por LEON URIS (1924-2003) que eu nunca cheguei a ler. É basicamente um filme sobre espionagem, mas sem o mesmo interesse pela maioria que admira INTRIGA INTERNACIONAL ou um dos melhores filmes de sua fase britânica: Agente Secreto (Secret Agent, 1936). O crítico americano Leonard Maltin chega a fazer uma ótima releitura do filme em um mini-documentário nos extras do DVD, ainda assim, TOPÁZIO (Topaz, 69) continua sendo o único exemplar de Hitch na qual tenho pouca predileção. Não o acho desinteressante, totalmente, apenas um desperdício de idéias. Exemplificando, além de o filme trazer um roteiro raso de SAMUEL TAYLOR (1912-2000), que inclusive já assinou o script sensacional de VERTIGO, Um Corpo Que Cai (1958), este é um daqueles filmes que se perdem no meio do caminho tanto é que Hitchcock teve dificuldades para conceber o final que acabou trazendo três alternativas conclusivas (Um Duelo/ No Aeroporto/ E o Suicídio) este último que acabou sendo utilizado.



A trama consiste em abordar o auge da Guerra Fria, neste cenário, um francês estaria neutro, mas acaba se infiltrando em território cubano a pedido do serviço secreto americano (e de um velho amigo e ambos vivem trocando favores), a fim de investigar a atuação do governo russo em terras de Fidel. Com isso, acaba por desmascarar um agente duplo dentre os altos membros compatriotas da França. FREDERICK STAFFORD (1928-1979), que de francês não tem nada e parece mais um James Bond devido a seu jeito refinado e aparência elegante (mas nunca que ele entra em ação física. Chato), vive o papel de Devereaux, o próprio francês que é designado para a missão, já que os cubanos não suportam os americanos. No papel do agente americano, Michael Nordstrom que pede ajuda a Devereaux, é JOHN FORSYTHE (1918-2010 - que já trabalhou com Hitch no ótimo O Terceiro Tiro, The Trouble With Harry, 55) que desempenha com alguma dignidade, mesmo sendo coadjuvante. Os demais do elenco são: DANY ROBIN, a loura e mulher do agente francês, Nicole, que acaba sendo uma peça fundamental para revelar o misterioso “Topázio”, JOHN VERNON, tentando fazer um militar cubano malvado, Rico Parra, mas a tentativa é, no entanto, desastrosa, KARIN DOR (já foi vilã num filme de 007: Só se Vive Duas Vezes, You Only Live Twice, 67), como a viúva de um revolucionário, Juanita, péssimo desempenho aqui, que tem um caso romântico com o herói e vive presa em Cuba (também é uma gente dupla) e provavelmente o mais interessante do filme é a presença dos ilustres: MICHEL PICCOLI como Jacques Granville e PHILLIPPE NOIRET (O Alfredo de Cinema Paradiso) como Henri Jarre que acaba assassinado, também!


Pois é meus camaradas cinéfilos, Topázio não é nem de longe um filme tão surpreendente, a pior fase de Hitch, certamente. Diferente do subestimado CORTINADA RASGADA (1966 – sua fita anterior), o filme não consegue tirar grandes momentos de brilhantismo do cineasta que não poupa em querer fazer um filme sério, frio, com nenhum humor e que acaba culminando em um entretenimento distante, acho que nem chega a ser! O resultado comercial é até explicável (foi o maior fracasso dele. Custou cerca de R $ 4.000.000 e recebeu apenas R $ 1.000.000, na bilheteria). O mais curioso é que o filme tinha ingredientes para ser ótimo: política, espionagem, traições (as cenas de sexo ainda nos moldes clássicos), suicídio e é claro, em um filme de Hitchcock, assassinato. Mas nenhum deles tem uma cena memorável.



O autor Leon Uris chegou a trabalhar pessoalmente em um primeiro rascunho do roteiro que Hitch acabou declarando como um trabalho insatisfatório e no último minuto, chamou Samuel Taylor (antes Hitch havia convidado Arthur Laurents, que escreveu Rope- Festim Diabólico, para trabalhar no filme, mas ele recusou) que acabou acrescentando nada que faça do filme um thriller dos bons. Detalhe: Taylor teve que reescrever o roteiro do início novamente. O maior problema é que existiram muitas dúvidas no formato da película desde o início, raro acontecimento na carreira tão vasta e brilhante de Hitchcock. Todos estavam em um péssimo momento criativo. Nenhum estalo.
 

Quanto à música? Super chata, sem emoção, nada que se deva comparar com Bernard Herrmann, Dimitri Tiomkin, Franz Waxman ou John Williams. Nada nela é operístico, chamativo o suficiente para passar aquela sensação na antecipação (e o filme quase não tem muito clímax ou reviravoltas excitantes, o que não ajuda). Um dos piores trabalhos do compositor MAURICE JARRE (1924-2009) conhecido por filmes de sucessos como Ghost – Do Outro Lado Da Vida e já ganhou Oscar três vezes (Lawrence Da Arábia, Doutor Jivago e Passagem Para A Índia). Hitchcock nem sequer havia ouvido a música para o filme e a utiliza mais em imagens de arquivo (parece ter mais função nos créditos iniciais, apenas).

Segundo o diretor, este foi outro de seus filmes experimentais. Além do diálogo, a trama é revelada através do uso de cores, predominantemente vermelho, amarelo e branco. Ele admite que isso acabou não funcionando.

A loja que os Kusenov visitam no início do filme, pouco antes da deserção de Boris (interpretado por PER-AXEL AROSENIUS) é Den Permanente, uma exposição permanente de Artes e Ofícios dinamarqueses. Foi fundada em 1931 como uma cooperativa por alguns artistas dinamarqueses e artesãos.


Este é o filme mais longo de Hitchcock originalmente com 143 minutos! A versão editada é um pouco mais suportável 126 min.! Hitch aparece depois que se passaram cerca de 30 minutos de filme, no aeroporto em uma cadeira de rodas.

É estranho afirmar que este filme é abaixo da média. Errar é humano e nem o mestre esta imune disso. Ainda bem que seus próximos filmes foram mais divertidos e de fácil compreensão para todo o público. Se tiverem curiosidade, assistam, mas é esquecível, infelizmente.




EUA – 1969
SUSPENSE
FULLSCREEN
COR
126 min.
16 ANOS
UNIVERSAL – COLEÇÃO HITCHCOCK
✩✩ REGULAR


ALFRED HITCHCOCK´S
TOPAZ
DA OBRA DE LEON URIS
Estrelando: FREDERICK STAFFORD
DANY ROBIN. JOHN VERNON. KARIN DOR
Co-estrelando: MICHEL PICCOLI. PHILIPPE NOIRET
CLAUDE JADE. MICHEL SUBOR. PER-AXEL AROSENIUS
E JOHN FORSYTHE como “Michael Nordstrom”
Música de MAURICE JARRE Escrito por SAMUEL TAYLOR
Dirigido por 
ALFRED HITCHCOCK
TOPAZ ©1969 A UNIVERSAL PICTURE

4 comentários:

Patt Baleeira disse...

Oi Rô,
tudo bem?
Esse ainda não vi :)
Lembro, de ter assistido um documentário sobre o Hitch; o qual citava este filme como a grande decepção dele,rs.
De toda forma, sua opinião (como sempre) muito bem elaborada.
besos

Jefferson C. Vendrame disse...

Grande Rodrigo...como vai cara?
Você acredita que eu tenho esse filme em casa há alguns anos e nunca consegui assistir mais que 10 minutos dele? Junto com O Terceiro Tiro, na minha opinião são os dois piores filmes de Hitch.Pode ser que esse ano, após ter estudado muito sobre CUBA na Universidade, eu consiga assisti-lo inteiro, vou procurar revê-lo com outros olhos após sua crítica.... Abração e parabéns pelo ótimo Post.

Rodrigo Mendes disse...

Pati: Depois me passe este documentário, por favor? Certamente Topázio é o filme mais distante de Hitch.
Besos!!

Olá Jefferson vou bem e vc? Obrigado!
Poxa man acho "O Terceiro Tiro" sensacional! Muito subestimado.
Abs.

Alysson disse...

Outro filme que esta na lista para ser vistos, obrigadao. ótimo post.

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