sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

MAGNÓLIA


SENTIMENTOS, FAMÍLIA E SAPOS


Em San Fernando Valley, vários personagens interligados vivem os seus dramas.


Nunca vou esquecer aquela mulher fazendo um péssimo comentário, diga-se de passagem, com o crítico de cinema Roger Ebert (procurem o vídeo no You Tube) alegando que o filme é literalmente uma bagunça! Para a preguiça mental dela, certamente a fita não fez nenhum sentido. O que a individua ainda não deve saber é que a obra é mais uma criação original do grande P.T. Anderson. Portanto, o expectador deve ter momentos de sensações e interpretar as inúmeras metáforas e meandros que a premissa apresenta, aliás, marca registrada do diretor. Com essa recente temporada do Oscar, assisti o subestimado (foi ignorado no Oscar como candidato de Melhor Filme e Diretor/Roteirista), o genial, O MESTRE (The Master, 2012) com Joaquin Phoenix o que me deu aquela vontade de olhar na minha coleção e procurar os filmes dele e óbvio, rever alguns. Magnólia (Idem, 1999) é um de seus melhores trabalhos, meu predileto. É uma odisseia humanística em forma de mosaico com diversos personagens, totalmente diferentes, vivendo cada um os seus respectivos dramas. É isso que o filme evidencia lindamente em sua magnífica estrutura narrativa épica (mais um roteiro absurdo de Anderson), as diversas ligações, as coincidências e surpreendentes reviravoltas do destino de cada um, que se interligam, fator este que é o ponto alto e todo o sentido do filme.

Magnólia pode ser um filme engraçado (e até complicado numa primeira sessão), mas também é melodramático - e nem vou descrever tantos detalhes para não estragar a surpresa e experiência para quem ainda não teve a oportunidade - o que posso dizer da trama é que tudo acontece em San Fernando Valley, um bairro urbanizado localizado em uma área metropolitana no sul da Califórnia, em Los Angeles, EUA, isto é, local populoso. Ali, PTA concentra seus nove personagens principais e desenvolve todo o drama. O que ele fez, ainda, mais uma prova de sua genial originalidade, foi apresentá-los logo no início de seu filme com uma montagem incrível de Dylan Tichenor (já fez com ele Boogie Nights e depois faria Sangue Negro. Paul também realiza a edição sem créditos) ao som de “One” da ótima Aimee Mann, que tem uma letra envolvente e emocionante e que parece não ter fim (se transformou rapidamente naquelas músicas de cabeceira que não canso de ouvir). Só com essa apresentação o filme é merecedor de todo o meu entorpecimento.
Magnólia ainda traz temas polêmicos como o incesto, homossexualidade, drogas e violência, mas tudo é realizado de modo tão genuíno, que até mesmo o espectador mais politicamente correto, quiçá, poderá apreciar.

O elenco é formidável! TOM CRUISE no melhor papel de sua carreira, escrito especialmente para ele, e que na época também filmava o último filme de Kubrick De Olhos Bem Fechados e que aceitou o desafio depois de uma visita de PTA ao set e o resultado é excepcional. Eu sempre soube do talento de Cruise (que hoje opta por filmes de ação) que sempre foi ofuscado pela Academia de todas as maneiras, provavelmente pelo tipo galã, como sofrem também Brad Pitt e Leonardo DiCaprio. Ele se destaca como um guru do sexo, extremamente bizarro, marqueteiro e engraçadíssimo, toda vez que aparece na TV polemizando com seus trejeitos vulgares e misóginos. É ver para crer.

PTA ainda pôde contar com a lenda JASON ROBARDS (1922-2000 – de Era Uma Vez No Oeste, 68) em seu último papel no cinema - morreu pouco depois do fim das filmagens- que entrega uma emocionante interpretação como um misantropo velho e doente. Ainda tem a incrível, the Best, amo-a, JULIANE MOORE que sempre fica ao lado do senil personagem de Robards, faz a sua mulher, também rouba as cenas e esta radiante. 

Outro que me comove é JOHN C. REILLY vivendo um policial sem sorte, este disposto a ajudar, tem um enorme coração! Quem também esta ótima é MELORA WALTERS fazendo uma drogada, traumática por ter sido abusada sexualmente quando menina e ainda por cima viva o drama do alcoolismo  Querem tragédia maior? (ela foi a primeira personagem a ser criada e todos os demais são conseqüência sua). Quem também se destaca é o veterano PHILIP BAKER HALL que descobriu a fama na terceira idade (inclusive por Anderson que sempre o seleciona em seu elenco, por exemplo, teve o début no ótimo Jogada de Risco, Sydney, 1996), como um apresentador popular de um programa televisivo (What Do The Kids Know? – O Que As Crianças Sabem?) que descobre que esta prestes a morrer e faz o pai pedófilo acusado pela a própria filha, a vitimada Melora. No entanto, é WILLIAM H. MACY quem se sobressai, vivendo um ex- famoso, foi um “Quiz Kid”, maior vencedor de todos os tempos daquele programa de TV nos anos 60 e que pretende fazer uma cirurgia oral! Tem ainda o garoto prodígio e sem amigos, vive sob pressão do pai (Michael Bowen) e que é humilhado em rede nacional, JEREMY BLACKMAN, mirim talentoso e que tem antológicas cenas neste programa apresentando por Hall, um quiz de perguntas e respostas para os nerds e que pretende quebrar o recorde de H. Macy enfim... Tem ainda os freqüentes colaboradores de PTA: PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (como o enfermeiro de Robards), o porto-riquenho LUIZ GUZMAN, ALFRED MOLINA (numa pontinha), RICKY JAY e algumas participações interessantes,  como a da indicada ao Oscar, FELICITY HUFFMAN (Melhor Atriz por Transamérica, 2005) que dão o ar de suas gratificantes presenças.

O filme não é uma bagunça, é um apanhado de histórias humanizadas brilhantemente por Anderson que é repleto de referências inteligentes, até mesmo a própria bíblia. Aborda o significado da vida e outras questões, o bem e o mal, em suas dimensões e formas naturais. De fato, Magnólia sempre foi um projeto ambicioso e ninguém mais poderia fazê-lo a não ser o seu autor. É até difícil resenhar o filme, que tem a capacidade de retratar assuntos obscuros e delicados pelo ponto de vista interior de seus personagens, e todos eles, geralmente, com alguma mágoa.

O que torna tudo ainda mais saboroso são momentos inexplicáveis como uma misteriosa chuva de sapos, certamente a mais famosa sequência de todo o filme ou quando um carro acidentalmente entra em uma loja enquanto Dreams, de Gabrielle, cultuada cantora inglesa, esta rolando na rádio (e a trilha sonora musical deste filme é esplêndida!). Anderson humaniza seus personagens a tal ponto que é notável ver cada um deles perderem o controle de suas vidas. Na verdade, a trama é contada de um jeito tão único, que me levou a crer que o cara é realmente um dos maiores cineastas de sua geração e não vai demorar muito, estará na lista dos maiores em todos os tempos.

Praticamente todas as locações apresentam um quadro ou uma foto da flor Magnólia, que tem esse significado, segundo a numerologia, uma ligação forte com a família. Em outras palavras, que tende ao lado emotivo, quem sufoca a quem ama e que nas relações de amor e ou/ amizade, quando se machuca, você se recolhe para dentro do seu eu e só desabrocha depois de um sincero pedido de perdão.


É um filme que me emociona muito: “Ao Longo de Nossas vidas, devemos tentar fazer o bem.” Precisa de maiores explicações? É claro que a obra tem muitas camadas de interpretações e cada um faz a sua, mas a intenção, creio, é esta, universal. Fazer as pessoas compreenderem que na vida nada se leva e que aqui temos a oportunidade de perdoar e fazer o bem.

PTA se baseia em ciências ocultas quando cria seus scripts, este é o filme que mais exemplifica essa ideia (O Mestre idem) fazendo referências ao número 82 que é uma passagem bíblica, mais especificamente ao Livro do Êxodo, 8:2. O número 23 também é referencial. Muito se falou que Anderson tenha se influenciado por uma religião que leva o nome de discordianismo (culto a deusa grega da discórdia, Éris) Bom, nunca li uma declaração dele falando sobre, de qualquer forma, Anderson é alvo de falatórios do gênero e ele jurou que O Mestre não tem nada a ver com a cientologia (este difícil de acreditar devido às semelhanças do culto e fanatismo apresentados).

melora walters em um desempenho de aplaudir

Polêmicas à parte, o cara é um cineasta de primeira linha, capaz de criar tomadas de caráter próprio. Não tenho nenhum problema em repetir essa afirmação: Um filme de P.T. Anderson é sempre 100% original. O que eu menos gosto é Embriagado de Amor (Punch-Drunk Love, 2002, mesmo assim tem seus predicados).

Recebeu três indicações no Oscar: Ator Coadjuvante (Cruise), Canção Original (Aimee) e Roteiro Original. Ignorado pela Academia, ao menos o filme Ganhou O Urso de Ouro no Festival de Berlim em 2000. O Globo de Ouro deu a Cruise o merecido prêmio e mais uma indicação para a canção “Save Me.” E nada para Anderson.


Este é um exemplo perfeito de filme clássico do cinema contemporâneo que estava em voga em Hollywood na década de 90. Com seus zooms e travellings estonteantes, PTA criou uma obra para se assistir inúmeras vezes e cada revisão fica ainda melhor.

Magnólia é alegórico. Marcante por diálogos do tipo: -“Nós até podemos ter esquecido do passado, mas o passado ainda não se esqueceu de nós” -, vilões humanizados, turbilhão de sentimentos e sapinhos que caem do céu.


EUA
1999
DRAMA
COR
188 min.
NEW LINE/Playarte (Brasil)
           

new line cinema apresenta
uma produção ghoulardi film company
a p.t.anderson picture
magnolia
john c. reilly         julianne moore
tom cruise
philip baker hall   jeremy blackman
philip seymour hoffman   william h. macy
melora walters   jason robards    melinda dillon
michael bowen     ricky jay     felicity huffman
april grace      pat healy    luis guzman
alfred molina       henry gibson    orlando jones
música original por jon brion  
fotografado por robert elswit
edição dylan tichenor     casting  cassandra kulukundis
direção de arte  william arnold  mark bridges
decoração de set chris spellman  figurinos por mark bridges
co-produtor  daniel lupi
produtores executivos  michael de luca  lynn harris
produtor associado dylan tichenor
produzido por
paul thomas anderson   joanne sellar
escrito e dirigido por
paul thomas anderson
magnólia ©1999 New Line Cinema/ Ghoulardi Film Company/ The Magnolia Project

7 comentários:

Elton Telles disse...

Adorei o texto, Rodrigo! Bem apaixonado e nao é para menos: Magnólia é um filme pra vida toda mesmo. Fico embasbacado com a estrutura lógica dele, com esses personagens tão bem delineados, elenco de primeira, direção, roteiro... é uma obra-prima, não tem como! Meu favorito de Anderson, seguido por Bogie Nights.

Tbm vi O Mestre há pouco tempo e me bateu aquela vontade de rever o filme desse mestre hehe. Sou embriagado de amor pelos seus filmes xD

Péssimo! rs. Vou parar...

E seu texto me fez rever aquele vídeo da briga do Ebert com aquela anta... ai ai, seria cômico se não fosse trágico...


Grande abraço, Rodrigo! o/

renatocinema disse...

Texto perfeito.....filmaço.

Reinaldo Glioche disse...

Belo texto Rodrigo. "Magnólia" também é o meu preferido de PTA. Ainda não consigo declinar se é superior a "O mestre". Precisaria rever os dois e refletir.
No entanto, assim como vc, "Embriagado de amor" é oq ue menos gosto, ainda que reconheça - como vc - seus muitos predicados.
Recentemente, vi uma entrevista em que PTA disse que esse era seu filme mais pessoal e, tb, que era um filme sobre pais e filhos. Noção esta que está completamente vinculada aque vc apresenta no seu texto.
Agora, Tom Cruise nesse filme é mesmo "ver para crer".
Abs

Rodrigo Mendes disse...

Obrigadão amigos!

Não sei dizer se Magnólia é melhor que O Mestre ou mesmo Sangue Negro e quiça Boogie Nights. fazer fazer o seguinte: deixar num top PTA um empate! Rs É o jeito.

Magnólia é mais pessoal mesmo Reinaldo. O mais sincero de Paul, eu tb acho. Não vi essa entrevista em particular, mas faz sentido ao lembrar do filme.

Abração à todos!

bruno knott disse...

Magnolia também é o meu preferido do PTA! Mas não gostei tanto assim do Mestre.

De fato é o melhor papel do Cruise, que é sim um ótimo ator! Só discordando um pouco em relação a Juliane Moore, que acho uma ÓTIMA atriz, mas aqui me pareceu um pouco exagerada... tudo bem que a personagem faz uso de vários tarja preta e vive num stress constante, mas mesmo assim...

puta texto mesmo Rodrigo... dá vontade de rever Magnolia (pela décima vez, eu acho! hehehe).

(O Mestre tb me despertou a vontade de rever a filmografia do PTA e acabo de assistir a Punch Drunk Love, um grande e injustiçado filme)

Abraços!

Patt Baleeira disse...

"A vida não é curta. Ao contrário, é longa demais"

Este filme é um dos meus preferidos e foi meu segundo texto no Blog.
Um filme para ser visto inúmeras vezes e apreciado ao extremo em todas elas. TSO maravilhosa, atuações soberbas, tema atual e psicologicamente formidável.

Adoro Magnólia e Wise Up de Aimee!

Rodrigo Mendes disse...

Bruno: Valeu cara!

Poxa, não curtiu "O Mestre"?
Achei sensacional.
Abração.


Patricia: A trilha deste filme me acompanhou durante um bom tempo.... Aimee em grande momento.

Magnólia é um clássico moderno. Seu texto ficou show de bola!

Bjs.

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