segunda-feira, 18 de março de 2013

FALE COM ELA


MULHERES SILENCIADAS


Na estréia de mais um post especial do Cinema Rodrigo, entra em cartaz; A SESSÃO SURPRESA!  Filmes sem aviso prévio na coluna das Próximas Sessões. Eis um dos mais enigmáticos filmes de Pedro Almodóvar (Fale Com Ela/ Hable Con Ella, 2002) Vencedor do Oscar de Melhor Roteiro Original e indicado para Melhor Diretor daquele ano, grande obra deste espanhol que superou as emoções e o calor humano logo após o sensacional Tudo Sobre Minha Mãe (1999).

Dois homens criam uma amizade incomum depois que as mulheres de suas vidas encontram-se num coma profundo. 



Falando Francamente, este é o filme que, revendo, é o ápice absoluto de ALMODÓVAR. E as palavras-chave são: Pina Bausch, Caetano Veloso, Amante Minguante, Cinema Mudo, “Cucurrucucu Paloma”, “Por Toda A Minha Vida”, Elis Regina, Tourada, “The Fairy Queen”, Henry Purcell, “Café Müller”, dança, ufa! Preciso dizer algo mais?


Benigno Martín (Javier Cámara de Má Educação) é um enfermeiro que à primeira vista parece ser homossexual enrustido e confuso, mora com a mãe e reside em frente a uma academia de ballet. Com sucessivas espiadas pela sua janela indiscreta, ele acredita estar apaixonado por uma aluna bailarina, Alicia (Leonor Watling) que depois de conhecê-lo pessoalmente, só que por muito pouco, vem a sofrer um acidente fatal (nunca presenciamos o fato, mas há uma cena tensa dela atravessando a rua e seu amado preocupado observando-a do outro lado) que a deixa em coma e obviamente sob os cuidados de Benigno que cada vez mais torna-se obsessivo por ela a ponto de manter conversas enfermeiro-paciente enquanto passa cremes em seu corpo, corta suas unhas, ajeita seu cabelo, limpa sua vagina em período menstrual, etc, mas também com a ajuda de outras enfermeiras (Mariola Fuentes e Lola Dueñas), mas é ele (que se diz gay) que fica a maior parte do tempo de plantão. Há ainda mais uma sub-trama que se cruza com a história de Benigno e Alicia, outro casal, um jornalista, Marco Zuluaga (o ótimo Darío Grandinetti) que se envolve com uma toureira famosa, Lydia González (Rosario Flores) e que sofrem um drama parecido: depois de uma apresentação na arena, Lydia é acidentada pelo touro e também fica em coma no mesmo hospital que Alicia, assim sendo, Marco acaba ficando amigo de Benigno, trocam confidências, numa trama cheia de nuances, reviravoltas, mistério e enredos que se entrecruzam num típico cenário de Almodóvar.

Provavelmente, a figura mais notável é a grande GERALDINE CHAPLIN numa participação especial como a professora de balé, Katerina Bilova que tem grande afeto por Alicia e a trata como se fosse sua própria filha.



O personagem Benigno, segundo o próprio Pedro, é uma homenagem ao amigo (e nem sabia que eles eram próximos) Roberto Benigni (A Vida É Bela...)

A sequência da tourada é uma filmagem de um evento real, até mesmo o sangue sob o touro. Odeio essa prática, apesar do significado cultural para os espanhóis e não me admira que um grupo protestante ecológico de Madrid fez de tudo para processar Almodóvar devido aos maus-tratos dos animais e que segundo o diretor, ele havia tido permissão dos proprietários dos touros para utilizá-los como tal e matá-los se necessário e que o tal grupo estava tentando ganhar publicidade em torno do caso. Nem queria entrar neste mérito na crítica, mas não pude evitar ao ler tamanha grosseria de Almodóvar. Discordo, evidentemente, do cineasta. Apesar de me fascinar com as cenas até mesmo poéticas e todo aquele ritual com a atriz Rosario Flores (minha parte predileta é quando ela esta sendo vestida à caráter e closes são dados nos detalhes da vestimenta [e como a cintura daquela mulher é magérrima]...), realmente fiquei chateado com o pensamento cultural e retrógrado de Pedro e custei a creditar que ele havia perdido o bom senso e de não ter preservado o uso de animais em cena. Ah, mas se tivesse acontecido em Hollywood com a “American Humane Association” se esgueirando por lá, ele pensaria duas vezes! Polêmica cultural local à parte “Fale Com Ela” é um filme estupendo. É um contraponto na obra de Almodóvar, totalmente diferenciado de suas comédias do passado ou mesmo os dramas recentes. Fale..., acaba resultando, também, em um filme contido e desconcertante. Não é nada eufórico no sentido cômico e dramático (e é comum Almodóvar escrever situações opostas praticamente numa mesma cena) como em Volver ou mesmo Tudo Sobre Minha Mãe, neste caso, a trama sugere um tom mais melancólico. Almodóvar realiza um filme bem mais elegante e acabado com estrutura clássica, presenças notáveis, trilha sonora belíssima (Alberto Iglesias também dá o seu toque) e apesar de manter seu estilo berrante, com cores fortes e presentes, a fita ainda consegue ser, curiosamente, evasiva, escapando daquela “desordem social” e das relações descontroladas que ele sempre obteve como fórmula em seus scripts.



Na verdade, e a prova de que o filme é sofisticado, Almodóvar faz um prólogo/apresentação dos mais inesquecíveis e maravilhosos dos últimos tempos com a presença espacial da dançarina e coreógrafa alemã Pina Bausch (1940-2009), dando a entender o que nos aguarda numa premissa atípica. Sua dança no espetáculo de balé, Café Müller é uma complexa obra artística com coreografias de tirar o fôlego evidenciando as identidades humanas em completa competição, fundindo-se num jogo de braços e olhos fechados onde duas mulheres são “perseguidas” num palco repleto de cadeiras ao som de Purcell e Bausch completamente em estado de hipnose. Isso mostra o gênio de Almodóvar ao incluir este espetáculo nas primeiras cenas de seu filme, além de, é claro, de seu bom gosto (o que lhe falta quando não resolve recriar a cena do touro!). O espectador não chega a ver a apresentação completa, mas pelos poucos minutos já vale o ingresso. Depois que as cortinas se abrem e presenciamos o balé de Pina, bom, estaremos sendo cúmplices de dois homens distintos sentados na plateia (Marco e Benigno) em que suas motivações, ações e reações subjetivas farão parte de um cotidiano tumultuado quando suas amadas mulheres estarão presas em seus corpos vegetativos e carentes de uma atenção especial, por isso até mesmo o título do filme é subjetivo. Falar o quê com ela? Bom, aí meu amigo é com você porque é de cada um.

PINA!
Marco tem mais dificuldade de falar com Lydia por ser um homem objetivo e realista (quase ateu!) já Benigno vive suas próprias fantasias com Alicia (o que lhe acaba com a própria vida), seus altos papos com ela vão muito mais além do que se pensa, é de corpo e alma literalmente, e sentimentos que se confundem e o fazem perder a capacidade de ter senso e ética profissional. É o enfermeiro da moça, mentiu sobre sua sexualidade para poder ficar com ela e fazer um trabalho de cuidados íntimos, mas um homem bom e o responsável por trazê-la de volta dos mortos, algo que só poderíamos acreditar em um filme de Almodóvar! Com isso, entra um dos momentos mais carismáticos do filme quando Benigno conta para Alicia o enredo de um filme mudo que ele assistiu intitulado: “Amante Minguante”. Até porque, esta metalinguagem diferencial é também a prova de que Almodóvar é capaz de manipular a plateia criando com sutileza um estupro através de um filme surrealista sobre uma cientista, Amparo (Paz Vega) que descobre uma fórmula que faz com que seu namorado, Alfredo (Fele Martínez) encolha absurdamente virando um homenzinho do tamanho de um polegar num dos momentos mais marcantes e comentados do filme quando o mesmo entra na vagina da amante e desaparece para sempre (num set que teve que ser especialmente construído em tamanho gigantesco, os pelos pubianos, as pernas e a própria punani como uma passagem gigante sob um fundo verde onde o ator Fele Martínez se transformava nesta ilusão).



Outro ponto interessante é que desta vez a voz protagonista em um filme do espanhol se dá para os personagens masculinos, já que Almodóvar sempre deu foco as figuras femininas, suas frustrações (principalmente as vividas pela musa Carmen Maura e depois Penélope Cruz) e toda a complexidade da mulher no mundo em que vivem (na verdade um universo mais particularmente de Almodóvar). Agora, são Cámara e Grandinetti que seguram as pontas e ambos fazem lindamente os homens que revelam seu amor no isolado relacionamento que passam a viver com suas parceiras. Neste ponto, Grandinetti, até mesmo pela natureza de seu personagem, se sobressai, devido a sua dificuldade de comunicação e esforço.



Além da participação de Veloso, mais um momento memorável, Cecilia Roth e Marisa Paredes, as protagonistas de Tudo sobre Minha Mãe, fazem uma participação especial enquanto admiram o baiano fazendo um luau cantando “Cucurrucucu Paloma”. Depois, vem uma cena que demonstra um afeto curioso entre Almodóvar e Veloso quando Marco sai de cena, emocionado, e diz para Lydia: “Esse Caetano me deixa arrepiado!”

Em outras palavras, Fale Com Ela é sabiamente um filme inspirador de Almodóvar. No final das contas, é uma obra-prima que esta em profunda meditação. De corpo e alma quem assiste jamais esquece. Depois da experiência, nada como falar para alguém o quão fascinante foi a sessão.




ESPANHA
2002
DRAMA
COR
112 min.
FOX
           



EL DESEO Apresenta
UM FILME DE ALMODÓVAR
“HABLE CON ELLA”
Estrelando: JAVIER CÁMARA   DARIO GRANDINETTI
LEONOR WATLING   ROSARIO FLORES
MARIOLA FUENTES   ROBERTO ÁLVAREZ
ELENA ANAYA  LOLA DUEÑAS
LOLES LEON  CHUS LAMPREAVE
“AMANTE MINGUANTE” Com: PAZ VEGA & FELE MARTÍNEZ
Co- estrelando: Adolfo Fernandéz. Ana Fernandéz. Helio Pedregal
José Sancho. Carmen Machi
Participações Especiais:
GERALDINE CHAPLIN
PINA BAUSCH    MALOU AIRAUDO
CAETANO VELOSO   CECILIA ROTH   MARISA PAREDES
Música Original por ALBERTO IGLESIAS
Diretor de Fotografia JAVIER AGUIRRESAROBE   A.E.C.
Maquiagem KARMELE SOLER Penteado FRANCISCO RODRÍGUEZ
Som MIGUEL REJAS Figurinos SONIA GRANDE
Edição JOSÉ SALCEDO Diretor De Arte ANTXÓN GÓMEZ
Diretora de Produção ESTHER GARCÍA
Produtor Associado MICHEL RUBEN
Produtor Executivo AGUSTÍN ALMODÓVAR
Escrito & Dirigido por PEDRO ALMODÓVAR
Hable Con Ella ©2002 El Deseo S.A/ Antena 3 Televisión/Good Machine/ Via Digital



7 comentários:

Reinaldo Glioche disse...

Belo texto Rodrigo. Gostei, especialmente das palavras-chaves. Está tudo ali. Tb não sabia que o personagem Benigno havia sido batizado em homenagem a Roberto Benigni. É por essas e outras que suas postagens são sempre um deleite cinéfilo. A pendenga com os touros eu me lembro bem e compartilho da sua "desautorização" a Almodóvar. Mas isso posto à parte, como vc bem disse, trata-se de um dos highlights da carreira desse gênio maior. Não me recordo de um filme tão poético e arrebatador nos últimos dez, quinze anos.
Abs

Fabio Pastorello disse...

Filme espetacular, um roteiro genial de Almodóvar, cheio de sensibilidade e criatividade. Que legal seu texto, Rodrigo, mais uma vez cheio de informações, curiosidades e excelentes análises. Abs.

renatocinema disse...

Definiu bem: "ápice absoluto de ALMODÓVAR.".

Espetacular e mágico.

Amo a viagem do personagem por dentro do corpo.....surreal e magia cinematográfica.

abs

Alan Raspante disse...

Não é o meu predileto do diretor, mas sei reconhecer: é um dos melhores do diretor!

Amanda Aouad disse...

Belo texto, Rodrigo. Gosto muito do filme, apesar de não ser meu preferido. Tem momentos sublimes mesmo.

P.S. A cena da tourada com a música de Tom na voz de Elis é presença obrigatória em minhas aulas sobre o som no cinema, hehe.

bjs

Elton Telles disse...

Adorei o texto, Rodrigo! Sempre ótimo revisitar essa bela obra, nem que seja para ler a respeito.
Olha, admito que até hoje minha cabeça entre em pane ao indicar o melhor Almodóvar, na minha opinião. É Tudo Sobre Minha Mãe ou Fale Com Ela. Difícil é escolher. Tenho os dois para mim como grandes e superlativas obras-primas do cinema espanhol, e seu momento mais inspirado.

Desconhecia a informação do nome do personagem ser Benigno por causa do Didi Mocó by Itália rs. Até pensava que o nome de Câmara era este para a indicar a "benignidade" e "esperança" da recuperação da bailarina hospitalizada. Olha só...

Ah, e como eu queria que houvesse "Amante Minguante" HAHAHA! Maravilhosa a história! Bem como o filme lá dentro de "Abraços Partidos", este aqui, rouba a história para si.

E assino embaixo de sua reprovação com Pedroca sobre o touro. Não lembro da repercussão porque não a acompanhei, mas li há pouco sobre isso e é mesmo revoltante. Enfim.

Grande abraço! o/

Rodrigo Mendes disse...

Reinaldo: Há filmes tão estupendos neste quesito nos últimos anos( acho "Precisamos Falar Sobre o Kevin", "Melancolia", até mesmo "Má Educação" do Pedro, citando alguns), mas acredito que nossa predileção por Fale Com Ela, seja, de fato, a ligação que Almodóvar tem com o Brasil tão evidente aqui.

Abs.


Fabio: Concordo querido. Almodóvar rules!
Muito grato pelos elogios.
Abração!

Renato: Agora você quem disse tudo: "Espetacular e mágico"!
Abs.

Alan: Agora você me lembra eu mesmo com relação ao Alain Resnais. rs
Abs. querido!

Amanda: Apesar da encrenca com relação aos bastidores desta sequência, o resultado é realmente espetacular e utilizar Tom e Elis foi uma sacada de gênio. Cena de grande impacto e meu momento predileto com Rosario Flores.
Bjs.

Elton: Olá meu caro! Tudo Sobre Minha Mãe e Fale Com Ela certamente representam o ápice e apogeu deste espanhol. Bom, pra mim já é difícil escolher qualquer fita de sua obra, exceto "A Pele Que Habito", no quesito qual a minha favorita. "Carne Trêmula", "Má Educação", "Volver", tb são belos exemplos de fitas recentes.

Pois é, Benigno veio do Roberto (Didi mocó da Itália. kkkkk - Só vc mesmo, rs!), mas sua visão/teoria de que o personagem de Cámara esteja relacionado com esta "benignidade" é bem interessante e de certa forma foi ele quem fez Alicia voltar do sono profundo. Não poderia estar mais correto.

'Amante Minguante' é mais um exemplo de metalinguagem foda que este cara é capaz de criar e manipular. Adoro "Garotas e Malas" em "Abraços Partidos" (fazendo lembrar a nostalgia de 'Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos'...) e tb o poderoso "A Visita" em Má Educação, obras que teria muito gosto em conferir na íntegra. rs Adoro!

E sim, infelizmente o Pedroca teve esta infeliz situação com a utilização do touro em cena. Lamentável e cultural. Nada mais (blerg!) espanhol. Mas... "Fale..." é um filme seminal de qualquer forma. Não podemos negar.

Abs.



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