CINE
TRASH
7
Dois
criminosos fugindo das autoridades sequestram um ex-pastor e seus dois filhos
que os ajudam a atravessarem a fronteira com o México. Mas, quando a dupla
procura refúgio em uma casa noturna barra pesada terão de lutar por suas vidas,
pois eles jamais poderiam crer que o local fosse infestado por vampiros!
From ROBERT RODRIGUEZ. From QUENTIN TARANTINO. A mesma dupla de amigos
responsáveis por pérolas como “Grindhouse” (Idem, 2007) – Planeta
Terror (Planet
Terror) e À Prova De Morte
(Death Proof) e obras de arte como SIN CITY – A Cidade Do Pecado (Sin City, 2005). From Dusk Till Dawn (aqui como “Um Drink No Inferno”) é aberto até a
madrugada, o que sugere o título original, que literalmente significa: “Do Crepúsculo até amanhecer”. É uma das
minhas maiores guilty pleasures. Eu sei que é absurdamente trash e ruim, mas eu gosto. Certamente o
maior descaso de Tarantino frente a um roteiro. Até mais “ruim” do que Death Proof. Uma ideia inusitada e
divertida na época de seu apogeu e sucesso com Pulp
Fiction na
qual a fama lhe subiu a cabeça fazendo-o desenterrar um script antigo que se baseia num argumento do maquiador e criador de
efeitos especiais e trucagens de filmes de terror, ROBERT KURTZMAN (de O Predador, Uma Noite Alucinante 3,
Pânico, Contos da Escuridão)
que já trabalhou em inúmeras produções do gênero e com diferentes e renomados
diretores e sim, também merece mais crédito.
O filme ganhou o prêmio de Melhor Ator para George
Clooney no Saturn
Awards além de vencer como Melhor
Filme de Terror daquele ano. Gerou mais duas continuações, sem maior
envolvimento de Tarantino ou Rodriguez (embora sejam produtores executivos): Um
Drink No Inferno 2: Texas Sangrento
(From Dusk Till Dawn 2: Texas Blood Money,
1999) de Scott Spiegel com Robert Patrick (de Exterminador
Do Futuro II)
e Um
Drink No Inferno 3 – A Filha Do Carrasco (From Dusk
Till Dawn 3: The Hangman´s Daughter – lançado no mesmo ano e diretamente em
vídeo com direção de P.J. Pesce) e
estrelado por Michael Parks, Sonia Braga, Rebecca Gayheart e Marco
Leonardi (de Cinema Paradiso).
Orgulhosamente trash em todos os níveis possíveis, Um Drink No Inferno é aquele tipo de filme exploitation para cinema pulgueiro. Mulheres peladas, palavrões, drogas e de certa forma, entrando na brincadeira e sendo um diferencial, com diálogos quentíssimos e corrosivos de Quentin Tarantino: “Everybody be cool. You be cool.” Ou: “Let's kill some fucking vampires!”
Obviamente este script não se compara com as obras magistrais do roteirista e diretor de Kill Bill e Cães de Aluguel, mesmo assim, a graça e culpa esta justamente neste desprendimento de querer ser original e ou/genial, concluindo um trabalho ágil para um produto que nasceu como slasher movie e que utiliza vampiros como carniceiros demoníacos psicóticos. Aliás, o que agrada no filme é a mudança de tom na metade para o final, fazendo os bandidos virarem heróis numa bem sucedida troca de valores morais num verdadeiro e divertido banho de sangue, além de, é claro, a surpresa e susto (assistindo ao filme pela primeira vez e nunca irei esquecer quando menino) de acreditar que o filme era na verdade sobre vampiros! Eu sei que a comparação pode ser ridícula, mas sei lá, quem sabe o Tarantino não tenha se inspirado na estrutura do roteiro de Joseph Stefano para Psicose de Alfred Hitchcock? Primeiro se apresenta algum personagem que levará o espectador para a verdadeira conclusão da premissa. Marion Crane é assassinada na metade do filme na famosa cena do chuveiro para apresentar ao público o verdadeiro protagonista, Norman Bates. O mesmo choque, pelo menos pra mim, foi este plot de virada, matando o personagem de Tarantino até então um dos protagonistas num lugar infestado por sanguessugas dentuços e fazer com que um dos vilões torne-se instantaneamente e instintivamente em um anti-herói.
Sem imaginar que apareceriam
monstros, o filme à primeira vista assemelha-se com mais um estilo policial e
fora da lei do universo Tarantinesco (mas na época nem sabia direito quem era
esse Tarantino) e já começa com os foragidos e perigosos irmãos Gecko, Seth (Clooney) e Richard
(Tarantino) que são procurados pelo FBI e pela polícia texana, Os Texas
Rangers, por terem assassinado à queima roupa 16 pessoas. Tarantino, um
descaso como ator apesar de todo o esforço, mas é caricato (provavelmente este
é o único exemplo de que aceito sua presença constante diante as câmeras) faz
um estuprador psicótico e que não consegue controlar seus impulsos, inventando
situações para convencer seu irmão mais velho de que o refém mereceu morrer ou
qualquer coisa que o valha.
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| JOHN HAWKES numa divertida ponta |
O plano era ficar por lá, relaxar, tomar alguns drinks para passar o tempo enquanto esperam um traficante para a divisão de um dinheiro roubado que nem sequer nos interessa, mas que tem grande importância na premissa (o Macguffin como nas fitas de Hitch?). Apesar de alguns contratempos com o mestre das cerimônias na entrada do bar, o ótimo Cheech Marin, ator constante nos filmes de Rodriguez e que aparece em três diferentes papéis, na sua famosa cena em que apresenta diferentes tipos de bocetas (pussy) para os frequentadores (risos!), os Gecko, ainda conseguem desfrutar por alguns minutos o show da belíssima Salma Hayek interpretando a Vampira Santanico Pandemonium, com sua famosa dança que envolve uma serpente e que perto do clímax satisfaz o fetiche por pés de Tarantino numa cena very dirty!
Foram estes movimentos sensuais que a transformou em estrela, embora tenha sido revelada em outra fita de Rodriguez, que a considera sua musa (e a Uma Thurman é do Tarantino) no sensacional A Balada Do Pistoleiro (Desperado, 95 com Banderas). Só que, antes mesmo de pagarem a conta, eles acabam tendo que se responsabilizar pelo acerto de contas de Chet Pussy (Marin) e o dono do local, Danny Trejo (outra figura frequente no universo Rodriguez é o Machete!) e na tal virada surpreendente que o filme faz, os Gecko se transformam em vítimas e passam a agradar a plateia quando tem que unir forças para combater o inacreditável, The fucking Vampires!
O ator negro Fred Williamson, de clássicos notáveis como: O Chefão de Nova York (Black Caesar, 1973) e MASH (1970) de Robert Altman, faz uma participação especial como Frost, um veterano do Vietnã, uma evidente referência a MASH! Antigamente eu o confundia com o Shaft, papel do imortal Richard Roundtree! No entanto, é a aparição inicial antes dos créditos de Michael Parks vivendo pela primeira vez o seu icástico Earl McGraw, o xerife local do Texas Rangers que mais tarde apareceria em outras obras de Tarantino e Rodriguez, o grande destaque. Nas revisões é interessante apreciar Parks bem mais jovem, mas na época nem era possível associá-lo a um personagem que marcaria sua carreira.
O mais curioso é que os Gecko o matam logo de cara o que me faz crer que sua ligação com os outros filmes do Taranta tenha ocorrido anteriormente, se seguirmos uma lógica. Lembram daquela teoria do Selton Mello no curta-metragem “Tarantino´s Mind”?
O título original do filme é também uma inspiração de Tarantino com relação às atrações dos cinemas de drive-in, na qual se passava filmes à noite toda e destinados a adolescentes que os “assistiam” em seus carros enquanto... Essas sessões terminavam (não sei dizer se atualmente é um divertimento constante nos EUA) somente pela manhã.
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| TOM SAVINI hilário! |
Dois personagens seriam representados por Tim Roth e Steve Buscemi que foram cortados do roteiro devido a comprometimento dos atores em outros projetos. O que é comum acontecer com Tarantino (aconteceu o mesmo com a atriz Maggie Cheung que teria um papel em Bastardos Inglórios e Joseph Gordon-Levitt que também foi cortado de Django Livre).
Brenda
Hillhouse que
interpreta a refém do porta-malas foi a professora de teatro de Tarantino. Ela
também trabalhou em Pulp Fiction no
papel da mãe de Butch na cena do relógio com Christopher Walken.
Hayek improvisou sua cena de dança já que a equipe não tinha um coreógrafo. Rodriguez sugeriu que ela “sentisse a música”, a mesma direção e tática sucedeu com Jessica Alba em uma cena parecida em Sin City.
John Travolta e Michael Madsen foram cogitados para fazer Seth Gecko, mas a ótima oportunidade caiu no colo de Clooney na época apenas um rosto conhecido na televisão através da série E.R. Plantão Médico e que de certa forma foi seu debut no cinema, mas não podemos esquecer que o ator fez uma pontinha em outro trash: A Volta Dos Tomates Assassinos (Return of the Killer Tomatoes! 1988 de John De Bello). Quem assiste Clooney hoje em dia não acredita!
Segundo Tarantino, a escolha inicial para a direção do filme era Tony Scott e depois Renny Harlin após a recusa de Kurtzman. Rodriguez se interessou pelo projeto depois que o amigo lhe mostrou o roteiro.
Sangrento, hilário e de um contra-senso fora do comum, Um Drink No Inferno já é um clássico. Kafkiano em muitos momentos, a fita é um parque de diversões ultrajante e com um sensacional senso de humor. É quando os vampiros resolvem perder a classe na tentativa de morder alguns pescoços.
AÇÃO/POLICIAL/TERROR
COR
107 min.
IMAGEM FILMES ★ ★ ★
DIMENSION FILMS Apresenta
A BAND APART
Em sociedade com LOS HOOLIGANS
UM FILME DE
ROBERT RODRIGUEZ
HARVEY KEITEL GEORGE CLOONEY
QUENTIN TARANTINO E: JULIETTE LEWIS
Co-estrelando:
SALMA HAYEK
CHEECH MARIN
DANNY TREJO
TOM SAVINI
FRED WILLIAMSON
MICHAEL PARKS
BRENDA HILLHOUSE
JOHN SAXON
MARC LAWRENCE
KELLY PRESTON
JOHN HAWKES
& ERNEST LIU como Scott Fuller
Efeitos Especiais de Maquiagem
KURTZMAN, NICOTERO & BERGER EFX
GROUP INC.
Trilha Musical GRAEME REVELL Figurinos
GRACIELA MAZON
Cenografia CECILIA MONTIEL
Fotografado por GUILHERMO NAVARRO
Co-produtores: ELIZABETH AVELLAN. PAUL
HELLERMAN
ROBERT KURTZMAN. JOHN ESPOSITO
Produtores Executivos
LAWRENCE BENDER ROBERT RODRIGUEZ
QUENTIN TARANTINO
Argumento ROBERT KURTZMAN
Escrito por
QUENTIN TARANTINO
Produzido por GIANNI NUNNARI. MEIR TEPER
Editado e Dirigido por ROBERT RODRIGUEZ
FROM DUSK TILL DAWN ©1996 Dimension Films/ A Band Apart


















7 comentários:
PQP. esse é um filmão....adoro o estilo trash da obra.
Único filme, na minha vida, que vi duas vezes no cinema......amo a liberdade poética de Tarantino.
Um Drink no Inferno não deve e não pode ser levado a sério........TRASH NO MELHOR ESTILO.
Ah... eu adoro "Um drink no inferno". Não é só seu guilty pleasure não! rsrs. Não me recordo com essa avidez dessas cenas senscionais, mas seu texto me bateu aquela vontade de rever o filme...
O que não sai da cabeça, no entanto, é o streap de Hayek...
Abs
Salma Hayek é algo excepcional!
Extremamente divertido, um grande brincadeira de Tarantino e Rodriguez.
Abraço
Divertido, trash, sem noção, hehehe. Gosto bastante da proposta. E acho que a melhor coisa é o impacto daquele revelação final no passeio da câmera pelo, digamos, outro lado da boate.
bjs
Renato: Poesia Tarantinesca despretensiosa, rs adoramos!
Reinaldo: Já foi rever o filme? rsrs
A dança da Salma é algo que marca pra sempre, sobretudo na parte dos pés! Que bom saber que não é apenas a minha guilty pleasure hehehe!
Abs.
Marcelo: O filme foi um grande destaque em sua carreira, ao menos deixou ela mais famosa!
Hugo: Adoro quando esses dois brincam com o exploitation! Por isso também curti o projeto Grindhouse.
Abs.
Amanda: Adoro esta reviravolta que o filme dá!
Bjs!
Adoro!!!
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