sexta-feira, 12 de outubro de 2018

🎬 Carpenter: A Bruma Assassina (1980)

OUTUBRO DAS BRUXAS 
🎃
A NÉVOA SINISTRA


Uma névoa sobrenatural atinge  uma pequena cidade costeira exatamente 100 anos depois que um navio afundou misteriosamente em suas águas.



Através do Nevoeiro JOHN CARPENTER te mostrará o real significado do TERROR! Depois dos ótimos DARK STAR (1974), ASSALTO À 13ª DP (1976) e HALLOWEEN (1978)A Bruma Assassina (1980), creio eu, fora o primeiro projeto realmente ambicioso do diretor. Infelizmente, em sua época de lançamento, a fita foi vista como um filme menor dentro da obra do artista, quem o recebeu em 80 não enxergou a dimensão proposta no filme de gênero e de como Carpenter estava naquele período em tremenda verve criativa. Mas, o tempo é precioso e muito generoso e nada como os fãs para resgatá-lo e torná-lo cult. Diferente de Halloween que fora rodado com pouquíssimo dólares, aqui o diretor tem total controle criativo, embora ainda o custo  de produção tenha sido apenas de 1 milhão. Todas as trucagens são inspiradoras. Além de dirigir, Carpenter faz o que sabe fazer como ninguém na função de músico compositor sendo responsável por uma das melhores trilhas sonoras que já realizara (tenho o CD e ouço sempre) aliás, lançado recentemente numa linda edição com o filme em DVD pela Dark Side. Carpenter também aparece numa pontinha não-creditada. É o segundo filme em que o cineasta colabora com sua musa, a atriz JAMIE LEE CURTIS a nova rainha do grito. 

Teve uma estúpida refilmagem em 2005 - A NÉVOA - dirigida por Rupert Wainwright e estrelado por Tom Welling (Smalville), Maggie Grace (Lost) e Selma Blair (Hellboy). 

O filme foi sensação no extinto Festival de Avoriaz e concorreu ao prêmio de Melhor Filme de Horror e Melhores Efeitos Especiais do Saturn Award.

A princípio de conversa, o que faz o filme ser ainda mais intrigante e genial, é a brilhante citação a Edgar Allan Poe fazendo um prólogo maravilhoso. Pura melancolia, já que exatamente às 23h30 min., em uma noite fria, sentado à beira de uma fogueira numa praiazinha, várias crianças ouvem com atenção um conto de mistério terrificante na voz de um velho lobo do mar. E, até o momento das doze badaladas da meia-noite somos transportados para uma verdadeira fábula de horror. Carpenter já me ganha só com essa magnífica introdução.  E a atmosfera do filme se seguirá assim, assumindo ser uma fantasia, um pesadelo. Deixando a realidade crua de Halloween de lado, em A Bruma Assassina, o sobrenatural é bastante presente (embora Michael Myers tenha um Q de irrealidade) porém, a decisão de Carpenter em se fixar exclusivamente ao fantasioso é trazer de volta as velhas histórias da literatura de gênero. O diretor aposta em um mistério que permeia a fita até o último ato. 

Na premissa, uma névoa misteriosa que assombra os habitantes locais de uma pequena cidade litorânea (Antonio Bay) começa a aparecer insistentemente sem a possibilidade de enxergar um metro de distância, nos arredores do local, ao mesmo tempo que eventos estranhos e mortes brutais começam a acontecer. Nota-se a paixão de Carpenter não somente por Poe, mas também por Lovecraft e com a aura de ambos, o cineasta incrementa sua narrativa com alguns pontos comuns ao universo fantástico dos escritores. Por exemplo, o diário secreto do Padre Malone (HAL HOLBROOK), que descreve eventos assustadores, bem como a ambientação em uma região de litoral e a presença de criaturas da noite que são ocultadas pela neblina, ou seja, são toques que rementem as histórias deste tipo de literatura. 

Sabendo que faria uma fábula, Carpenter deposita mais uma vez a confiança no trabalho de DEAN CUNDEY. A sua fotografia traz cores saturadas e filtros híbridos de azul, vermelho, amarelo e verde resultando em uma trama cheia de metáforas, sobretudo nas cenas de assassinato. E, cá entre nós, brilhante decisão de não expor a premissa completamente. Quem são os algozes? Carpenter cria quadros instigantes e explora silhuetas sugerindo que são realmente formas espectrais. E sempre usando a névoa como "transporte" e ou/ "passagem" do sobrenatural ao mundo físico real. Também engrandece a modesta maquiagem deixando tudo meio enigmático, no entanto, os efeitos especiais práticos em seus filmes sempre fazem escola. Vide, por exemplo, a sua obra-prima, O ENIGMA DE OUTRO MUNDO (1982)

O script é muito bem desenvolvido e não cai nas armadilhas do enfadonho. Os vários núcleos em nada interfere na coerência e andar da carruagem. Os atores se dividem em grupos e se cruzam à medida que o filme vai chegando ao clímax. Carpenter cria cenas tensas e algumas claustrofóbicas, sobretudo quando tudo sucede na igreja da cidade. 

O filme é hábil e Carpenter trabalha lindamente a profundidade de campo para potencializar o efeito da bruma (quadros focando no farol cria uma sensação tridimensional) e é claro, o mais importante, fazer com que a bruma do título seja também um personagem vivo. 

O elenco é um charme; ADRIENNE BARBEAU como a rádio DJ trabalharia novamente com o diretor em Fuga de Nova York (1981), embora pareça que ela seja a protagonista, na verdade, o filme acaba dando protagonismo à todos. A fantástica participação da mãe da rainha do grito, aliás, a pioneira do grito, deu o ar de sua presença magnânima: JANET LEIGH - mãe de Jamie Lee - é uma referência clara a um dos ídolos do diretor, evidente que estou falando de Hitchcock, já que Janet interpretou Marion Crane na icônica cena do chuveiro de PSICOSE. Evidentemente que outra obra do Mestre do Suspense é homenageada: OS PÁSSAROS por se passar numa cidade do litoral onde ocorrem eventos inexplicáveis. Sem querer recriar cenas ao estilo pastiche, Carpenter leva este trabalho muito a sério. Criou a sua própria marca e o direito de colocar o próprio nome acima dos títulos de seus filmes. Um jovem promissor em sua época mais vívida em experiência cinematográfica.

A BRUMA ASSASSINA é para ser redescoberto por esta nova geração e apreciado numa noite fria, afinal, é a hora imersiva ideal.  



EUA
TERROR/ SUSPENSE
1h 29min. 
★★★★★









                                     DE JOHN CARPENTER
THE FOG
UMA PRODUÇÃO DEBRA HILL
ESTRELANDO: ADRIENNE BARBEAU
JAMIE LEE CURTIS
JOHN HOUSEMAN
E JANET LEIGH como Kathy Williams
E TAMBÉM ESTRELANDO: HAL HOLBROOK como Malone
Produzido por DEBRA HILL
Escrito por JOHN CARPENTER e  DEBRA HILL
Produtor Executivo CHARLES B. BLOCH
Música de JOHN CARPENTER
Diretor de Fotografia DEAN CUNDEY
Montagem CHARLES BORNSTEIN . TOMMY LEE WALLACE
Diretor de Arte TOMMY LEE WALLACE
Dirigido por
JOHN CARPENTER
Apresentado por ENTERTAINMENT DISCOVERIES, INC.
Uma Realização AVCO EMBASSY PICTURES
THE FOG ©1980

3 comentários:

Leo Rib disse...

rsrs
Esse filme passava sempre no SBT, no extinto Cinema em Casa.

Luli Ap. disse...

Olá Rodrigo
Vim agradecer sua visita no Café e conhecer o Cinema Rodrigo que amei, aliás cheguei bem num especial Halloween, e com esse friozinho que está fazendo, é perfeito para um bom filme de terror/suspense.
A Bruma Assassina com trilha sonora envolvente, prólogo de Edgar Allan Poe, conto de mistério na praia numa noite fria, fotografia coerente e make que cumpre o prometido deve mesmo ser instigante.
Levo a indicação, quero assistir, acho o máximo quando vc diz que a névoa se torna um dos personagens!
Dica devidamente anotada.
Sua resenha é um verdadeiro "cinema com história" ou história do cinema.
Sensa!
Bjs Luli
https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br

Rodrigo Mendes disse...

Leo: Bons tempos. Eu vi muitos filmes de gênero no Cinema em Casa. Do Carpenter também passava "Christine: O Carro Assassino". Lembra? Abraço.

Luli: Obrigado pela visita, querida. Seu blog é muito bacana! Irei visitá-la mais vezes!!!!
Fica ligada nas próximas sessões...teremos mais indicações de filmes de terror no especial
OUTUBRO DAS BRUXAS.

🎃 BJOS!

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