OUTUBRO DAS BRUXAS
🎃
PESADELO
SEXUAL
Uma mulher repelida pelo sexo que desaprova o namorado da irmã afunda em depressão e tem visões horríveis de estupro e violência.
ROMAN POLANSKI já tinha muito o que dizer em seu primeiro filme falado em inglês. Repulsa ao Sexo (1965) é provavelmente ainda mais assustador e ressonante do que O BEBÊ DE ROSEMARY em matéria de terror, onde Polanski começaria a sua Trilogia dos Apartamentos inciado neste, depois Rosemary (68) e por fim O INQUILINO (1976). É notável o quanto o cineasta é um perito em filmes que tratam sobre o isolamento e a claustrofobia. Na verdade, não somente no terror que Polanski vira e mexe toca nesse tema, por exemplo, décadas mais tarde, o seu premiado O PIANISTA (2002) sobre um músico judeu polaco que luta para sobreviver à destruição do gueto de Varsóvia da Segunda Guerra Mundial, mesmo sendo tão diferente do filme de gênero por ser um drama biográfico sobre Szpilman, é também uma fita igualmente complementar a sua trilogia mórbida de espaços fechados. O próprio Polanski afirmou em sua autobiografia que Repulsa era um filme feito com a intenção de ser meramente comercial para o capacitar a financiar o seu trabalho mais pessoal, ARMADILHA DO DESTINO (1966).
É impossível negar a influência do mestre aqui em Darren Aronofsky, principalmente em Cisne Negro e Mãe!. Refiro-me ao lado expressionista do diretor que certamente deu ideias a Aronofsky. Em um esplêndido preto e branco, Polanski utiliza grandes angulares que dão uma visão cada vez mais ampla, assim como, profundidade focal, além de estratégias visuais, com o intuito de criar ao espectador estados de subjetividade quando assistimos imagens da mente em que sonhos, imaginação e realidade do cotidiano se hibridizam. Um dos resultados desta visão expressionista é o fato de que o apartamento convencional onde se passa a maior parte da ação aos poucos assume o jeito e a forma de uma consciência extremamente agonizante. É desconcertante assistir ao filme, confesso. É uma experiência pouco agradável. Imagino em 1965 o público numa sala escura de cinema contemplando a tela grande. Polanski toca em feridas e aborda tabus numa década em que tudo ainda engatinhava na próspera Nova Hollywood (só que este ele produzido na Inglaterra).
Polanski evoca o pânico sexual. De pensar ou falar de sexo. E, magistralmente, faz um uso único da sonoplastia. O som aplicado em Repulsa ajuda a aguçar a imaginação do espectador e cada um segue em diferentes direções. Cada um tem a sua própria imersão e interpretação do filme.
E o que dizer da icônica atuação de CATHERINE DENEUVE? A atriz francesa também em seu primeiro filme falado em inglês no papel de sua vida (é claro que jamais vou esquecê-la em A BELA DA TARDE) vivendo a atormentada "Carol" - Carole Ledoux - onde todos a conhecem como uma tranquila manicure belga, embora peculiar, mas que também esconde um segredo só dela: sofre pelos tormentos de sequer conseguir ser tocada por um homem. Não que o filme sugere que ela tenha uma espécie de misandria, mas seus faniquitos está relacionado com sua mente doentia. A mesma divide o apartamento com a irmã em Londres. O simples fato de saber de que a irmã e o namorado estão transando no quarto ao lado é suficiente para deixá-la apavorada e totalmente perturbada. Quando o casal viaja de férias, os medos de Carole e ainda o seu isolamento fermentam como a comida crua (aquele coelho vive em meus pesadelos, tenho problemas com coelhos, graças também a David Lynch). Enfim, o resultado é sinistro. As consequências de sua solidão e doideira resultam em mais e mais acontecimentos macabros.
Repulsa é o pesadelo subjetivo. Polanski nunca é óbvio demais e sua eficiência como contador de histórias através dos métodos da sétima arte encanta os cinéfilos. Ele faz uma montagem com sustos bem temperados. Há um sentido de horror que vai se deslanchando gradualmente, aliás, o filme tornou-se um suspense matriz para o que o diretor faria depois. Certamente O Inquilino, na qual ele também é o protagonista, deve muito a Repulsa.
Estão preparados para entender Carole? Aviso: suas fantasias sexuais não são, do nosso ponto de vista, sensuais. Deneuve se entrega de alma nesta mulher e tanta se entregar de corpo, também.
★★★★★
UM
FILME DE
ROMAN
POLANSKI
“Repulsion”
Com
Catherine Deneuve
Ian Hendry
Com
Catherine Deneuve
Ian Hendry
John Fraser
Yvonne Furneaux
Patrick Wymark
Renee Houston
Valerie Taylor
James Villiers
Helen Fraser
Hugh Futcher
Monica Merlin
Imogen Graham
Mike Pratt
Trilha musical Chico Hamilton
Fotografado por
Gilbert Taylor
Montagem Alastair
McIntyre
Cenografia Seamus
Flannery
Maquiagens Tom
Smith
Produzido por
Gene Gutowski
Roteiro
Roman Polanski gerard
Brach
adaptado por
David Stone
David Stone
Dirigido por
ROMAN POLANSKI
REPULSION © 1965 A Compton Production/ Tekli-Film Productions Ltd.







2 comentários:
O filme é uma verdadeira viagem para dentro de uma mente perturbada.
Grande obra de Polanski.
Abraço
Olá Rodrigo
Curioso como certas obras nunca ficam datadas na essência, perder contato com a realidade deve ser absolutamente assustador e muito angustiante.
Pedindo licença poética para suas palavras no post anterior onde diz que a névoa é um personagem, eu diria que aqui o apartamento é um quase protagonista.
De refúgio e proteção se torna algoz quando a Carol está sozinha. E o jogo de sombras.
Também tive pesadelos com o coelho, as rachaduras na parede e as batatas criando raízes :/
Um verdadeiro Thriller psicológico essa esquizofrenia.
Ótima semana pra ti
Bjs Luli
https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br
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