sexta-feira, 19 de outubro de 2018

🎬 A Morta-Viva (1943)

OUTUBRO DAS BRUXAS 
🎃

EM MÁ COMPANHIA 
Uma enfermeira canadense é contratada para cuidar da esposa de um dono de uma plantação de cana-de-açúcar, que vem agindo estranhamente, em uma ilha caribenha.



Será mesmo que os filmes de terror em Preto e branco tem mais charme? No auge do estúdio RKO Pictures (1928-1955) responsáveis por clássicos como King Kong e Gunga Din, deixou um legado com esta pérola do gênero; A Morta-Viva (1943) ou como diz a tradução literal do título original: "Eu andei com um zumbi" um filme extremamente sinistro realizado por Jacques Tourneur  (1904–1977), diretor americano nascido em Paris. É dele, por exemplo, outra fita cult de horror que em breve postarei aqui no blogue. Trata-se da primeira versão de CAT PeopleSangue de Pantera (1942), com Simone Simon. Como um bom artesão, transitava em qualquer gênero. Fez também o noir Fuga ao Passado (1947), uma obra-prima. Ele reinou na RKO. Era filho da atriz Van Doren e do diretor Maurice Tourneur, emigrou para a América em 1913 com o pai, trabalhando para ele como assistente. De volta à França, continuou com ele, estreando na direção em 1931 com Tout ça ne vaut pas l'amour. Em 1935, foi chamado pelo produtor Val Lewton (1904-1951) também conhecido por realizar fitas de horror, tais quais, O Túmulo Vazio (1945), de Robert Wise, estrelando Karloff e Lugosi; Asilo Sinistro (1946), de Mark Robson, também com Karloff e O Homem-Leopardo (1943), este que acabou sendo mais um da parceria Tourneur-Lewton e todas produções RKO! 

A colaboração começou quando Lewton precisava de alguém para dirigir cenas de multidão de A Queda da Bastilha (1935), um drama histórico épico romântico assinado por Jack Conway e indicado a 2 Oscar, produzida por Selznick para MGM. Entre 1936-39, fez curtas para a Metro, mas Lewton o tiraria de lá o chamando novamente para a sua série de terror e foi a partir de Sangue de Pantera que se notou seu notável trabalho de clima e atmosfera, às vezes em filmes de pouca importância. Obviamente não é o caso aqui. Neste segundo filme de Lewton e Tourneur que tem uma das melhores sacadas aplicada no roteiro, e que, aliás, é assinado por Curt Siodmak o notável roteirista alemão que depois iria para a Universal escrever filmes de terror, dentre eles o que o consagrou, O Lobisomen (1941)

A Morta-Viva  é basicamente uma versão disfarçada à la  Brontë  (e até pastiche) do romance Jane Eyre só que passada nas Índias Ocidentais, na qual uma jovem enfermeira, interpretada por Frances Dee (1909–2004), de Escravos do Desejo (1934), descobre que a esposa  aparentemente catatônica de seu patrão foi transformada através do vodu em um zumbi. Envolvido por uma canção que permeia a trama de fundo. Se você ouvir "Shame and Sorrow in the Family" provavelmente jamais irá esquecer do filme. E terá dificuldades para dormir... 



Dee assume o protagonismo com elegância como Betsy Connell e sua personagem é literalmente sucumbida a um âmbito sobrenatural que irá bagunçar as suas crenças. Gosto do modo como a atriz convence o espectador na medida em que ela se esforça ao máximo para compreender a cultura dos nativos, aliás, outros filmes desdenhariam as superstições e usariam a Igreja Católica como propaganda, Aqui, no entanto, eles acabam se mostrando mais em sintonia com o que está acontecendo do que os supostamente civilizados homens e mulheres brancos. Isso deve ser levado em consideração. 

Acredito que a sequência mais memorável é uma caminhada noturna, em que Dee conduz a morta-viva loira através das plantações de cana, topando com uma medonha criatura esbugalhada da ilha, o notável Darby Jones (1910-1986), curiosamente o nome de seu personagem é Carrefour, mas não tem nenhuma relação com a rede de supermercados (risos).  


O que mais me chamou atenção na fita é o uso do folclore caribenho e de estranhas imagens religiosas, como, por exemplo, um busto de São Sebastião, para apimentar, digamos, um imbróglio romântico, que termina com todas as partes infelizes e com o vilão sendo atraído para as ondas no encalço de sua amada zumbi. Mês passado assisti um filme trash estrelado por Lugosi sobre cientista que,  auxiliado por uma velha e seus dois filhos, mata noivas virginais, rouba seus corpos e extrai fluido da glândula para manter sua antiga esposa viva e jovem. O nome do filme (ruim, diga-se) é Raptor de Noivas (1942), já na péssima fase do ator, dirigido por  Wallace Fox. Impossível não criar semelhanças com A Morta-Viva. A diferença entre ambos é clara: Um se leva a sério e o outro, não. 

Quem disse que os mortos não andam? Um legítimo zumbi antes da "Era Romero".

EUA
TERROR/DRAMA/FANTASIA 
1h 9min.
★★★☆☆ 




R K O Radio Pictures, Inc.
Apresenta

“I WALKED with a
                                     ZOMBIE”
© 1943 R K O Radio Pictures, Inc.

Estrelando:
James Ellison    Frances Dee
Tom Conway    Edith Barrett
James Bell   Christine Gordon
Theresa Harris   Sir Lancelot
Darby Jones    Jeni LeGon

Música Roy Webb
Direção de Fotografia J. Roy Hunt
Montagem Mark Robson
Direção de Arte
Albert S. D'Agostino . Walter E. Keller

Roteiro de
Curt Siodmak . Ardel Wray
Argumento Inez Wallace

Produzido
por
Val Lewton

Dirigido
por
                                        Jacques Tourneur

3 comentários:

Hugo disse...

O diretor Jacques Tourneur deixou algumas obras interessantes, como esta que você comenta.

É um estilo clássico de utilizar a sugestão para assustar o público.

Abraço

Luli Ap. disse...

Esse vai para a lista dos desejados 😁😁
Gostei desse Q maiúsculo de folclore caribenho, vodu, magia e misticismo.
Assim como é instigante a cultura dos nativos (minha especialização em História é sobre lendas).
Um terror com nome do meio drama e coerência como sobrenome.
Sons e trilha sonora formam o combo perfeito.
Ri do nome Carrefour :)
Bjs Luli

Rodrigo Mendes disse...

Luli: Certamente você irá curtir. Se tem predileção por História, Lendas e toda cultura nativa, o filme é um prato cheio!

Beijos.

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