OUTUBRO DAS BRUXAS
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As colinas têm olhos
Quando os Carter bate em meio ao pedaço de deserto dominado por Júpiter, pronto! É motivo de sobra para os membros nada educados revelarem toda a extensão de sua arrogância ideologicamente herdada, sua repressão e capacidade de autonegação, o que os torna excelentes alvos para os nada anfitriões, agora, seus inimigos, que se mostrarão cruéis e inescrupulosos. Big Bob, o outro patriarca, é crucificado e posteriormente imolado por seu oposto, "Papa" Júpiter, em um ato altamente simbólico que representa o repúdio completo dos valores judaico-cristãos - valores esses que o próprio Big Bob havia hipocritamente denunciado anteriormente em um discurso racista. Dois filhos de Júpiter mais tarde invadem o trailer dos Carter. Mais violência.... Onde, estupram a filha mais jovem, Brenda, Suze Lanier-Bramlett (creditada como Susan Lanier), e assassinam sua irmã e mãe. Despojados de qualquer pretensão, desesperados pela própria sobrevivência, os membros restantes dos Carter finalmente reagem e encontram dentro de si a coragem, a maldade e a raiva despertadas do lado sombrio que todos nós possuímos, para, assim, matar os seus algozes.
As colinas têm olhos
O Criador das franquias A HORA DO PESADELO e PÂNICO, Wes Craven, apresenta uma família que, no caminho para a Califórnia, tem a infelicidade de ter seu carro quebrado em uma área fechada ao público, e habitada por selvagens violentos prontos para atacar.
Um dos grandes nomes do cinema de horror. Tornou-se tão popular quanto John Carpenter. OUTUBRO DAS BRUXAS sem mencioná-lo é até sacrilégio. Ao menos para a minha geração, WES CRAVEN (1939-2015 - vide acima) teve grande importância neste seguimento por longos anos. Apesar de começar suas atividades no ramo já na época da ascensão da Nova Hollywood, na década de 70, foi nos anos 90 que eu e muitos de minha idade fomos "educados" por Craven no mundo bizarro e aterrador das fitas assustadoras. Eu, por exemplo, quando criança, já tive um primeiro contato com o inesquecível As Criaturas Atrás das Paredes (The People Under the Stairs, 1991), nada apropriado para menores de 18 anos. E, é claro, sua mente criativa fez nascer o mito Freddy Krueger encarnado pelo lendário Robert Englund. Uma pena que ele tenha morrido ainda tão cedo. Craven se tornou o maior nome do terror com os sucessos das séries A Hora do Pesadelo e Pânico. Seu prestígio é tao grande que seus filmes trazem seu próprio nome no título e ele mesmo apareceu como ator no último e mais criativo (subestimado) filme da série Pesadelo. Aliás, inventando uma maneira original de ressuscitar o personagem Krueger. Nascido em 2 de agosto, em Cleveland, Ohio, foi professor de Letras e Dramaturgia, passando para o cinema em 1973 com um filme softporno, "Together". O Sucesso de Aniversário Macabro (The Last House on the Left, 1972), lançado sem cortes somente dez anos depois, por causa da violência, alcançou uma reputação underground. A excessiva violência dos primeiros filmes foi evoluindo para um estilo mais sutil, de tal maneira que conseguiu acertar ao fazer um filme unicamente dramático, Música do Coração (Music of the Heart , 1999) que deu indicação ao Oscar para Meryl Streep. Também escreveu o roteiro de O Jardim dos Esquecidos (Flower in the Attic, 1987, de Jeffrey Blum); O Medo (The Fear, 1994, de Vincent Robert). Fez episódios para as séries de TV Twilight Zone, 1985); Disney Sunday Movie (Casebusters, 1988); John Carpenter presents Body Bags (The Gas Station, 1993) e realizou alguns telefilmes; Verão do Medo (Stranger in Our House, 1978); Convite para o Inferno (Invitation to Hel,1984); Um Frio Corpo sem Alma (Chiller, 1985) e Night Visions (1990). Também apresentava certos filmes com o seu nome no título: Wes Craven Presents, mesmo na função muitas vezes de produtor executivo ou apenas patrocinador.
Craven tinha um projeto que, infelizmente, nunca saiu do papel, planejara para 2003, adaptar a história de Alice no País das Maravilhas, baseado num vídeo-game numa versão dark, em que Alice, mais velha, voltaria completamente louca para Wonderland.
Agora, se existe um filme realmente perturbador e vanguardista este é certamente Quadrilha de Sádicos (1977). Uma das experiências mais horrorizantes de minha vida cinéfila. Quem já viu deve partilhar comigo a mesma impressão. A criatividade de Craven nesta fita salta as vistas. Aqui ele mistura diferentes gêneros, não somente os filmes de terror, mas, também, o faroeste e o road movie (Filme de Estrada), sem contar que soa bastante documental em vários momentos.
Estilisticamente, Craven faz um uso inovador de táticas de choque e efeitos assustadores para manter o nível de tensão alto a todo o momento. Existe uma variação atípica de câmera na mão, tomadas fechadas que imita o ponto de vista de binóculos, fotografia noturna e montagem picotada bastante inovadora na qual o próprio Craven criou pessoalmente sem a colaboração de outro editor.
Craven tinha um projeto que, infelizmente, nunca saiu do papel, planejara para 2003, adaptar a história de Alice no País das Maravilhas, baseado num vídeo-game numa versão dark, em que Alice, mais velha, voltaria completamente louca para Wonderland.
Agora, se existe um filme realmente perturbador e vanguardista este é certamente Quadrilha de Sádicos (1977). Uma das experiências mais horrorizantes de minha vida cinéfila. Quem já viu deve partilhar comigo a mesma impressão. A criatividade de Craven nesta fita salta as vistas. Aqui ele mistura diferentes gêneros, não somente os filmes de terror, mas, também, o faroeste e o road movie (Filme de Estrada), sem contar que soa bastante documental em vários momentos.
Estilisticamente, Craven faz um uso inovador de táticas de choque e efeitos assustadores para manter o nível de tensão alto a todo o momento. Existe uma variação atípica de câmera na mão, tomadas fechadas que imita o ponto de vista de binóculos, fotografia noturna e montagem picotada bastante inovadora na qual o próprio Craven criou pessoalmente sem a colaboração de outro editor.
O que mais chama a atenção em Quadrilha, é a sua crônica implacável da violência contra e dentro do núcleo da família burguesa. É hoje em dia, provavelmente, o filme mais verdadeiro do diretor entre a notória estreia de Aniversário Macabro (bem mais gratuito do que se pensa) e o sobrenatural A Hora do Pesadelo (o seu sucesso absoluto), mas, em criatividade e qualidade, devo dizer que Quadrilha é o melhor de todos. E com todo o respeito a quadrilogia Pânico, que de um jeito ou de outro, tendem a ficar datados. Por outro lado, eis uma fita que permanece atual e, com isso, acaba passando muito bem pelas armadilhas do tempo (lá se foram mais de 40 anos do lançamento). É, sim, um dos maiores clássicos cult do cinema de gênero e ocupa a mesma relevância do igualmente cru O Massacre da Serra Elétrica, de Tobe Hopper. Craven explora uma estética de baixo orçamento, gerando leituras semi-irônicas que louvam as suas alusões arquetípicas bem como os seus temas apelativos. Contudo, é possível que o filme esteja entre os trabalhos mais significativos e mais perfeitamente realizados da carreira do cineasta.
A premissa se estende inexoravelmente em direção ao estabelecimento de uma correspondência estrutural entre duas famílias em oposição superficial que se enfrentam em uma batalha de morte/sobrevivência em um sítio inóspito de uma área de teste de bombas nucleares. Em um dos lados temos os Carter, suburbanos ingênuos (quando muito pensa-se que os ditos caipiras é quem são os ingênuos, parece também a trama de Amargo Pesadelo ) de classe média, com destino marcado para a cidade de Los Angeles de carro mas fazendo um desvio insensato pelo deserto de Yucca para localizar uma mina de prata deixada como herança para Ethel, Virginia Vincent (1918–2013), de O Fantástico Homem que Desaparece (The Return of Dracula, 1958) e seu marido "Big Bob", interpretado por Russ Grieve (1923–1980), do seriado "AS PANTERAS" (déc. 70) por uma tia. À espreita, porque afinal, as colinas têm olhos, há um clã de primitivos coletores que vivem como animais selvagens das cavernas, moradores das montanhas circundantes e que são governados com punho de ferro pelo mutante-monstro, o patriarca de lá, macho alfa, denominado apenas de Júpiter, o assustador e feioso James Whitworth (1936–1991), de um episódio da série "MISSÃO IMPOSSÍVEL (1972) mas extremamente marcado aqui. Esse grupo de "guerrilheiros" canibais - representando qualquer minoria social do tipo grupos étnicos oprimidos e em dificuldades - consegue manter um nível mínimo de pessoas que estão sobrevivendo a própria sorte. Eles utilizam instrumentos e armas descartados pelo exército para cometer pequenos roubos. Mas será que é só isso?
SPOILERS
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Quando os Carter bate em meio ao pedaço de deserto dominado por Júpiter, pronto! É motivo de sobra para os membros nada educados revelarem toda a extensão de sua arrogância ideologicamente herdada, sua repressão e capacidade de autonegação, o que os torna excelentes alvos para os nada anfitriões, agora, seus inimigos, que se mostrarão cruéis e inescrupulosos. Big Bob, o outro patriarca, é crucificado e posteriormente imolado por seu oposto, "Papa" Júpiter, em um ato altamente simbólico que representa o repúdio completo dos valores judaico-cristãos - valores esses que o próprio Big Bob havia hipocritamente denunciado anteriormente em um discurso racista. Dois filhos de Júpiter mais tarde invadem o trailer dos Carter. Mais violência.... Onde, estupram a filha mais jovem, Brenda, Suze Lanier-Bramlett (creditada como Susan Lanier), e assassinam sua irmã e mãe. Despojados de qualquer pretensão, desesperados pela própria sobrevivência, os membros restantes dos Carter finalmente reagem e encontram dentro de si a coragem, a maldade e a raiva despertadas do lado sombrio que todos nós possuímos, para, assim, matar os seus algozes.
Vou dizendo...NÃO É UM FILME FÁCIL DE ASSISTIR. Sua conclusão apresenta uma drástica imagem congelada filtrada em vermelho do genro Doug Wood, Martin Speer, casado com Lynne, (a mãe do Elliot de "E.T".) , Dee Wallace, em plena fúria, pronto para apunhalar Mars, filho de Júpiter, o asqueroso papel de Lance Gordon, no peito!
Destaque para o esquisito Michael Berryman (de Um Estranho no Ninho, 1975) que deu vida a Pluto (Vide poster e foto ao lado).
Destaque para o esquisito Michael Berryman (de Um Estranho no Ninho, 1975) que deu vida a Pluto (Vide poster e foto ao lado).
Ganhou uma continuação realizada pelo próprio Wes Craven, mas, infelizmente, muito medíocre: Quadrilha de Sádicos 2 ( The Hills Have Eyes Part II - 1984), uma refilmagem muito boa, até mais violenta; Viagem Maldita (2006), de Alexandre Aja, o diretor de outro remake de terror; "Piranha" (2010) e do ótimo Amaldiçoado (Horns, 2013) e uma outra continuação depois desta nova versão; O Retorno dos Malditos (The Hills Have Eyes II - 2007).
THE
HILLS HAVE EYES
© MCMLXXVII Blood Relations Co.
Com: John
Steadman
Dee Wallace
Janus Blythe
Peter Locke
Russ Grieve
Virginia Vincent
Suze Lanier-Bramlett
Brenda Marinoff
Robert Houston
Martin Speer
James Whitworth ... Jupiter
Michael Berryman ... Pluto
Lance Gordon ... Mars
Cordy Clark ... Mama
Música de Don Peake
Direção de Fotografia Eric Saarinen
Montagem Wes Craven Casting Gus Schirmer
Direção de Arte Robert Burns Figurinos Joanne Jaffe
Maquiagens Dave Ayres
Produzido por Peter Locke
Escrito e Dirigido por
WES CRAVEN









2 comentários:
É um filme cru, violento e com personagens sinistros.
A refilmagem de Alexandre Aja é bem interessante e mais violenta, como você citou no texto.
Wes Craven é sem dúvida um dos grandes nomes da história do cinema de terror e suspense.
Abraço
Olá Rodrigo
Siiiiim assim como sua avó sou fã de Sidney Sheldon, tenho cinco livros dele, que amo pela narrativa envolvente e a inserção de suspense mesclado com um bom drama.
Acho o título As colinas têm olhos é mais instigante que Quadrilha de sádicos rsrs
Não assisti esse filme ainda, embora tenha visto Viagem Maldita e fiquei impactada.
Violento e perturbador em um roteiro bem trabalhado.
Concordo totalmente que Wes Craven era o cara. Só um cara com muito talento consegue realizar grandes obras com baixo orçamento.
E muito disso se devia a sua construção inteligente da narrativa.
Pena mesmo que ficou no papel a ideia dele em fazer uma releitura dark de Alice no país das maravilhas seria incrível.
Penso que ele reinventou por duas vezes o gênero terror em duas décadas distintas.
O último filme que assisti dele foi um suspense, Voo Noturno (Red Eyes) e apesar do roteiro engessado é mara como ele tem controle narrativo.
Vou procurar As colinas têm olhos pra assistir!
Ótima semana pra ti e todos aí
Bjs Luli
https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br
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