OUTUBRO DAS BRUXAS
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Um Clássico CULT do cinema inglês, dirigido por Robin Hardy (1929–2016) e escrito por Anthony Shaffer (1926–2001), autor do roteiro adaptado (do romance de Arthur La Bern: GOODBYE PICCADILLY , FAREWELL LEICESTER SQUARE) para o filme Frenesi (1972) de Alfred Hitchcock e, por favor, não se confunda com outros títulos homônimos. Isso mesmo, existem outros "Homens de Palha"; um filme italiano em preto e branco de 1958 dirigido e estrelado por Pietro Germi (que ganharia um Oscar pelo clássico com Mastroianni, Divórcio à Italiana, 1961) um drama neorrealista e uma outra versão guiada pelo próprio Hardy, em 2011, sobre dois jovens missionários encantados pelos moradores de Tressock, na Escócia, que aceitam o convite para participar de um festival local, totalmente inconscientes das conseqüências de sua decisão (este mero fracasso comercial e um resultado muito irregular). Mas, jamais, devemos nos esquecer (e como poderia?) da estúpida refilmagem estrelada por Nicolas Cage e Ellen Burstyn lançada em 2006, O Sacrifício, de Neil Labute, este quase um insulto cerebral aos admiradores da grande obra original.
de
ANTHONY SHAFFER
Carne
para tocar ... Carne para queimar!
Um sargento da polícia é enviado a uma aldeia localizada em uma ilha escocesa, em busca de uma garota desaparecida que os moradores da cidade afirmam nunca ter existido. Mais estranho ainda são os "ritos" que acontecem lá.
Um Clássico CULT do cinema inglês, dirigido por Robin Hardy (1929–2016) e escrito por Anthony Shaffer (1926–2001), autor do roteiro adaptado (do romance de Arthur La Bern: GOODBYE PICCADILLY , FAREWELL LEICESTER SQUARE) para o filme Frenesi (1972) de Alfred Hitchcock e, por favor, não se confunda com outros títulos homônimos. Isso mesmo, existem outros "Homens de Palha"; um filme italiano em preto e branco de 1958 dirigido e estrelado por Pietro Germi (que ganharia um Oscar pelo clássico com Mastroianni, Divórcio à Italiana, 1961) um drama neorrealista e uma outra versão guiada pelo próprio Hardy, em 2011, sobre dois jovens missionários encantados pelos moradores de Tressock, na Escócia, que aceitam o convite para participar de um festival local, totalmente inconscientes das conseqüências de sua decisão (este mero fracasso comercial e um resultado muito irregular). Mas, jamais, devemos nos esquecer (e como poderia?) da estúpida refilmagem estrelada por Nicolas Cage e Ellen Burstyn lançada em 2006, O Sacrifício, de Neil Labute, este quase um insulto cerebral aos admiradores da grande obra original.
Eis um filme lindamente bem escrito por Shaffer, o mesmo visionário por trás de obras ressonantes como "Sleuth" (que fora escrita originalmente para os palcos e que foi duas vezes adaptada para às telas, a primeira vez por Joseph L. Mankiewicz, em 1972, esta indicada a 4 Oscar, e depois por Kenneth Branagh, em 2007, ambas estreladas por Michael Caine em papéis distintos) com uma belíssima noção de suspense detetivesco policial, mas que em O Homem de Palha é transportada para o filme de terror, embora menos óbvio do que aparenta. Portanto, embalados pelo horror, a fita é repleta de histórias de mistério e assassinatos, combinações perfeitas! Por incrível que pareça é um filme incomum. Ele vai fundo na etnografia pagã e ainda consegue ter a audácia de ter um recorte musical. Embora o diretor Hardy, que também trabalhou como ator em ponta não creditada, tenha conseguido o feito único em sua estreia na direção, mas que, infelizmente, não soube fazer carreira brilhante como cineasta posteriormente, aqui, diga-se, foi bastante auspicioso e mesmo que nada prolífico. O que fez a fita resistir ao tempo, além do seu maravilhoso e bem acertado elenco, foi o fato de o diretor saber trabalhar o texto e hibridizar elementos básicos e fundamentais do suspense-terror-policial audaciosamente ao extremo que passeia pelo sinistro e caminha, também, numa onda de incitação sexual e tiragens cômicas e cínicas. O resultado? Inesperadamente ótimo! e que nos leva a um final que ainda é chocante e que continua mantendo o seu impacto, embora o público que hoje assiste ao filme pela primeira vez em geral já saiba como as coisas vão terminar em um festival onde uma viagem sagrada é levada até uma fogueira (literalmente), na praia, que tem a forma de um gigantesco homem.
Na premissa, um policial escocês e consciente de sua devoção cristã. Howie, interpretado por Edward Woodward (1930–2009), é enviado para investigar o desaparecimento de uma garota em Summerisle, onde um poderoso senhor de terras local, encantador porém perverso, vivido pela maior lenda do cinema CHRISTOPHER LEE (1922-2015), está tomando medidas extremas para assegurar o êxito da próxima colheita. Olha, vou dizer com toda a paixão que eu amo produções britânicas e adoro atores ingleses, e sobretudo, admiro os deste filme. Lee foi um dos grandes artistas de seu tempo, um charme vilanesco com pedigree e que somente ele era capaz de exalar. É um elenco muito peculiar que também inclui a ex-BOND GIRL , lindíssima, a sueca Britt Ekland, e que inclusive trabalhou com Lee em 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro (1974). Aliás, Britt tinha sérias dificuldades com o seu inglês e acabou sendo dublada e usando uma dublê de corpo na maioria das cenas, mesmo assim, deixou uma grande e boa impressão como a filha sedutora do senhor das terras. E, ainda, MAIS MULHERES! A ótima Ingrid Pitt (1937–2010), atriz polonesa que era uma legítima estrela cult (estrelou a série DR. WHO entre 1972-84), como a bibliotecária nua, e mais, a australiana Diane Cilento (1933–2011) como a alta sacerdotisa com jeitão de diretora de escola. Perfeitas. Vale destacar também o trabalho do mímico, dançarino e ator Lindsay Kemp (1938-2018) como um malicioso taberneiro camp. Kemp era um especialista em pantomima e já trabalhou com personalidades como David Bowie fazendo Pierrot em "Pierrot in Turquoise or The Looking Glass Murders" (1970) e uma dama pantomímica em Velvet Goldmine (1998), de Todd Haynes.
O filme sofreu graves cortes em sua edição final quando foi lançado, a versão mais comum hoje no mercado restaurou em boa parte a metragem que foi jogada para escanteio. De certa forma, a edição mais curta funciona um pouco melhor porque a versão estendida é óbvia demais ao conduzir os espectadores rumo à virada final da trama.
O Homem de Palha continua sendo um prestígio do cinema inglês. Não é o que se espera de um filme de terror, muito pelo contrário, talvez a contragosto de muita gente acostumada a enxergar filme de gênero seguindo uma mesma linha. No entanto, este filme têm muitas camadas. Um trabalho ambicioso, criativo e de primeira grandeza.
de
ANTHONY SHAFFER
The
Wicker
Man
© 1973 British Lion Film Corporation
Edward
Woodward Britt Ekland
Christopher Lee
Diane
Cilento Ingrid Pitt
Lindsay
Kemp
Russell
Waters Aubrey Morris
Irene
Sunters Walter Carr
inspirado na obra de David Pinner
Roteiro
de ANTHONY
SHAFFER
Dirigido
por
ROBIN
HARDY
Música de PAUL GIOVANNI Fotografia de HARRY WAXMAN
Montagem
ERIC BOYD-PERKINS Casting
MAGGIE CARTIER
Direção
de Arte SEAMUS FLANNERY Figurinos
SUE YELLAND
Produzido
por PETER
SNELL








5 comentários:
O longa é interessante, tem um clima estranho e a boa presença de Christopher Lee.
Se você não viu, passe longe da refilmagem com Nicolas Cage.
Abraço
Olá Rodrigo
Infelizmente assisti primeiro a refilmagem com Nicolas Cage, então quando vi esse já não havia o impacto da primeira vez, massss não há como não comparar a excelência dessa película!
Uma temática atemporal a intolerância religiosa fazendo o contraponto paganismo x cristianismo, rituais, coreografias, máscaras e um final amargo.
O clip "Burn the witch" do Radiohead deve ter se inspirado no filme
Suspense/terror/thriller investigativo de primeira.
Um folk horror com arte, roteiro e som impecáveis.
Post sensa!
Bjs Luli
https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br
Hugo: E não é que eu já vi! Aliás, infelizmente tive o azar de ter assistido essa refilmagem no cinema...
Abraço!
Achei que tinha comentado aqui, mas as vezes com o celular o comentário não vai, então se tiver outro VC apaga combinado?
Olha eu assisti primeiro a refilmagem com o Nicolas Cage e quando assisti eu gostei, só depois quando assisti esse é que pude perceber a qualidade.
Então infelizmente não tive o impacto da primeira vez.
Excelentes arte, roteiro e som além de um final icônico.
Temática da intolerância religiosa atemporal.
Um folk horror de primeira.
Assistiu o clip "Burn the witch"?
Radiohead deve ter se inspirado no filme rsrs
Bjs Luli
https://cafecomleituranarede.blogspot.com.br
Luli: O de 73 é muito superior ao remake com Cage em todos os sentidos. A começar pelo script. E, sim, é um filme atemporal e o tema rituais religiosos o deixam assim. Transcende o tempo.
Beijos.
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